Precisamos de cotas?
2010
O cenário se mostra bastante positivo para as mulheres, principalmente às vesperas da eleição presidenciável no Brasil. Vemos pela primeira vez duas candidatas fortes como Dilma e Marina, que mostram as diversidades das mulheres. Fora da política elas também tem se destacado por estar à frente do poder, como é o caso da norte-americana Denise Johnson, que em julho assumiu a presidência da GM e entrou para a história como a primeira mulher a presidir uma montadora brasileira.
Esses acontecimentos parecem inovadores e acabam mascarando a realidade das mulheres no Brasil. Apesar de pesquisas apontarem que estudarmos mais, somos 50% do mercado de trabalho, existem muitas posições que ainda não são preenchidas por mulheres e questiono se a estratégia ideal realmente é criar cotas, como foi feito na política com exigência de que pelo menos 30% dos candidatos sejam mulheres.
Infelizmente são poucos partidos que alcançam essa métrica, o que abre margem para o não cumprimento da cota. A maior alegação dos partidos é que não existem mulheres dispostas a se candidatar em número suficiente. Segundo o Centro feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) o Mato Grosso do Sul alcançou mais de 30% das candidatas (30,55%) para deputada federal, mas ficou abaixo na Assembléia Legislativa (25,66%). Os estados que chegaram mais perto da meta foram Santa Catarina e Rio de Janeiro, mas ainda assim não ultrapassam os 30%.
A mesma coisa ainda acontece nas posições do setor público ou privado. Existem inclusive algumas iniciativas para aumentar essa participação feminina, mas o que ainda vemos é que a parcela ainda é pequena. Um levantamento pelo Grupo Catho, realizado em 2007, mostra que somente 8% dos presidentes de empresas eram do sexo feminino.
Sou muito a favor dos direitos iguais, do espaço para as mulheres pela competência, mas se for uma exigência não estou muito certa disso. O que você acharia se as empresas começarem a definir uma meta para aumentar a participação delas no alto escalão? Como se sentiria que fosse escolhida por conta dessa cota? São coisas para se refletir um pouco.
Uma curiosidade: a evolução das deputadas eleitas entre 1950 e 2006.
1950 – 1 / 0,33%
1954 – 3 / 0,92%
1958 – 2 / 0,61%
1962 – 2 / 0,49%
1966 – 6 / 1,47%
1970 – 1 / 0,32%
1974 – 1 / 0,31%
1978 – 4 / 0,95%
1982 – 8 / 1,67%
1986 – 26 / 5,34%
1990 – 28 / 5,57%
1994 – 32 / 6,24%
1998 – 29 / 5,65%
2002 – 42 / 8,19%
2006 – 45 / 8,77%



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