Precisamos de cotas?

Denise Johnson da GM

O cenário se mostra bastante positivo para as mulheres, principalmente às vesperas da eleição presidenciável no Brasil. Vemos pela primeira vez duas candidatas fortes como Dilma e Marina, que mostram as diversidades das mulheres. Fora da política elas também tem se destacado por estar à frente do poder, como é o caso da norte-americana Denise Johnson, que em julho assumiu a presidência da GM e entrou para a história como a primeira mulher a presidir uma montadora brasileira.

Esses acontecimentos parecem inovadores e acabam mascarando a realidade das mulheres no Brasil. Apesar de pesquisas apontarem que estudarmos mais, somos 50% do mercado de trabalho, existem muitas posições que ainda não são preenchidas por mulheres e questiono se a estratégia ideal realmente é criar cotas, como foi feito na política com exigência de que pelo menos 30% dos candidatos sejam mulheres.

Infelizmente são poucos partidos que alcançam essa métrica, o que abre margem para o não cumprimento da cota. A maior alegação dos partidos é que não existem mulheres dispostas a se candidatar em número suficiente.  Segundo o Centro feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea) o Mato Grosso do Sul alcançou mais de 30% das candidatas (30,55%) para deputada federal, mas ficou abaixo na Assembléia Legislativa (25,66%). Os estados que chegaram mais perto da meta foram Santa Catarina e Rio de Janeiro, mas ainda assim não ultrapassam os 30%.

A mesma coisa ainda acontece nas posições do setor público ou privado. Existem inclusive algumas iniciativas para aumentar essa participação feminina, mas o que ainda vemos é que a parcela ainda é pequena. Um levantamento pelo Grupo Catho, realizado em 2007, mostra que somente 8% dos presidentes de empresas eram do sexo feminino.

Sou muito a favor dos direitos iguais, do espaço para as mulheres pela competência, mas se for uma exigência não estou muito certa disso. O que você acharia  se as empresas começarem a definir uma meta para aumentar a participação delas no alto escalão? Como se sentiria que fosse escolhida por conta dessa cota? São coisas para se refletir um pouco.  

Uma curiosidade: a evolução das deputadas eleitas entre 1950 e 2006.

1950 – 1 / 0,33%

1954 – 3 / 0,92%

1958 – 2 / 0,61%

1962 – 2 / 0,49%

1966 – 6 / 1,47%

1970 – 1 / 0,32%

1974 – 1 / 0,31%

1978 – 4 / 0,95%

1982 – 8 / 1,67%

1986 – 26 / 5,34%

1990 – 28 / 5,57%

1994 – 32 / 6,24%

1998 – 29 / 5,65%

2002 – 42 / 8,19%

2006 – 45 / 8,77%

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O que eu fazia há 12 anos?

Tinha 20 anos, achava que sabia tudo e o meu colega blogueiro Estagiário Y que me perdoe, mas esse achismo não é exclusividade dessa geração, mas da idade. Nessa fase somos o centro no universo, queremos fazer tudo, saber tudo e achamos que sabemos tudo. Doce ilusão.

Não fui uma jovem diferente, quando a Você SA nasceu eu trabalhava em uma empresa de importação e exportação, o que me garantia pagar a faculdade de jornalismo. Foram anos de muita dedicação aos estudos e trabalho, além de muitas, mas muitas atribuições particulares. Eu já morava junto, tinha casa para cuidar e planejava a cerimônia de casamento.

Mesmo assim ainda conseguia fazer inglês no sábado, academia na hora do almoço e trabalhar muitas horas extras. Sinto que hoje nunca dou conta, mas engraçado, naquela época também achava que não daria. Isso nunca muda, mas a gente muda muito, principalmente como profissional.

Conhece aquele ditado popular “fez a cama deita na cama”?  Eu era muito metida e ganhei o apelido de “parabólica”, acreditava  que era bacana ser assim, a primeira a atender ao telefone ou resolver um problema de um cliente. Achava-me competente por conta disso, mas pelo contrário eu estava fadada ao insucesso por fazer mais o trabalho dos outros do que o meu. No final do dia a minha mesa estava cheia, tinha várias ligações para fazer e ainda por cima os meus colegas me olhavam atravessado porque achavam que eu queria roubar o lugar deles.

A minha sorte é que tive muitos chefes competentes pelo caminho, que me ensinaram muito, inclusive que era preciso ter concentração nas atividades para ter um resultado melhor. Um pouco do que o Marcelo Miranda falou em outro post (Esta sobrando informação superficial e fatando conteúdo).  Foi uma quebra de paradigmas porque na faculdade ouvia que devia ser generalista, e no trabalho que pagava minhas contas, tinha que ser especialista. Na verdade acho que a mistura dos dois deu muito certo para mim.

A medida que eu amadurecia vi que “fazer tudo” não era a melhor escolha, mas que tinha que fazer mais, isso sim, mas do meu trabalho.  Investi no que eu era melhor, em relacionamentos. Há 12 anos eu já usava a tática do meu jeitinho meigo, compreensiva sem deixar apertar e cobrar o máximo. Dessa forma, conseguia persuadir as pessoas a conseguirem aquela importação importante de um cliente que estava com a fábrica parada. Claro, nem sempre dáva certo, mas eu comemorava a cada conquista.

Mais de uma década depois, vejo como mudei, evolui. Não sou mais aquela parabólica, mas vejo a cena se repetindo com outras pessoas ao meu redor e dou muitas risadas. Tento ensinar o que aprendi e contribuir para o futuro dos profissionais que hoje trabalham comigo. 

Continuo muito exigente nas cobranças e agora não é mais com uma liberação de produto, mas sim com uma matéria que precisa ser publicada na imprensa. Mas nem tudo mudamos para melhor e só a reflexão nos faz melhorar. Na semana passada ouvi que eu vibro pouco e realmente isso é péssimo. Talvez os 30 tenham trazido isso, mas já decidi que a maturidade dessa idade fica, mas que a comemoração dos 20 está voltando. Parabéns para Você SA por me acompanhar nessa evolução profissional e pessoal!

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Estrelas da Capital

Ultimamente tenho sido tachada de feminista em todos os ambientes que convivo e não pense que é só por causa do Blog. É que estou sempre como ideias e projetos voltados para essa temática, seja no MBA ou no trabalho.  Lógico que desde que comecei a escrever para o Mulher em Pauta estou mais atenta aos assuntos femininos, mas muito antes já acreditava no potencial das mulheres como consumidoras, gestoras do dinheiro e investidoras. Detalhes simples mostram o nosso poder nas pequenas e grandes decisões, como a cor da tinta das paredes. As indústrias sabem que são as mulheres que detêm o poder de decisão e justamente por isso que o nosso universo está sendo tão explorado, pesquisado e atendido nos últimos tempos.

Essa semana trabalhei em Brasília, na quarta edição da Expo Money e fiquei surpresa como tenho atraído personagens e informações femininas. Mesmo sendo só 35% do público do evento, elas se sobresairam e foram na minha opinião (também feminina) as grandes estrelas da capital federal.  As primeiras que encontrei renderam uma boa entrevista. Eram duas advogadas, trintonas, independentes e determinadas, mas que ficaram com um certo receio de mostrar a pilha de livros de educação financeira que tinham adquirido. Tive que puxar um papo, entender melhor a história e acabei descobrindo que elas não estavam para brincadeira nas finanças.

Conheci também outras duas jovens, recém-saídas as faculdade, com 23 anos, que não tinham o menor medo de perguntar nos estandes e participavam ativamente das palestras. Já estavam com os planos de formar um clube de investimento com os amigos e questionavam as empresas de capital aberto participantes para convencê-las de se tornarem acionistas. Um graça!

Para fechar com chave de ouro mais uma mulher, mas não  nos corredores e sim no auditório. Consegui escapar por uma hora e assisti a palestra da minha conterrânea dos pampas, Márcia Tolotti. Ela é psicanalista, autora da Coleção Expo Money “As Armadilhas do Consumo” e falou sobre como a mente se relaciona com o dinheiro.

Na palestra  dela “Psicologia dos Investidores bem sucedidos”  foram apontados os resultados de uma pesquisa que identificou o eixo comum dos investidores de sucesso. Confira:

- Inteligência Emocional

- Empenho/treinamento

- São incisivos

- Possuem auto-controle mental e emocional diantes das situações extremadas

- Confiam na capacidade de obterem sucesso

- Obtem sucesso

- Fazem constante auto-avaliação e possuem auto-conhecimento elevado

- Conhecem quais são as forças que possuem

- Reconhecem as próprias fraquezas

- Desenvolvem mecanismos para neutralizar as fraquezas sem fugir delas

O difícil mesmo é manter esse nível de controle emocional. Você já conseguiu? Vamos praticar!

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Elas querem a bolsa cheia

Calma, não vou fazer você avaliar a quantidade de dinheiro que está estocando no armário com as dezenas de bolsas e pares de sapatos, ainda que o assunto seja pertinente e renda uma boa reflexão. Estou falando da Bolsa de Valores, que tem atraído um número cada vez maior de mulheres preocupadas com o futuro financeiro.

Se antes o mercado financeiro era coisa do “clube do bolinha”, com homens engravatados e assuntos complexos de serem entendidos, saiba que os números mostram não existem barreiras para as mulheres. Cor-de-rosa ou não, elas estão interessadas pelo assunto e no último mês de Julho contabilizaram 148.633 investidoras no mercado de capitais. (fonte: BM&FBovespa)

Ainda que a participação da ala feminina seja pequena em relação aos homens, que são 75% dos investidores, elas estão invandido mais um espaço e mostrando que bolsa é coisa de mulher, sim! Somente nó último mês mais de 12 mil investidoras ingressaram na bolsa.

Essa notícia me traz muito orgulho! E olha que estamos falando só do mercado acionário, sem contar os fundos, clubes e previdências. 

E você, já investe ou pensar em investir? Quais são as suas principais dúvidas e medos?

Dica de leitura:  A Bolsa para mulheres – a experiência de um clube de investimento em ações, da consultora Sandra Blanco, uma das percussoras no mercado financeiro. A obra editada pela Campus-Elsevier faz parte da Coleção Expo Money e conta a história do clube de investimento Mulherinvest.

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