Uma pergunta oportuna para uma nova era: “pós-Steve Jobs”
Na quarta-feira, dia 5 de outubro, lá pelas 18 horas, eu estava terminando uma aula quando recebi pelo Twitter a notícia da morte de Steve Jobs. Uma mistura de tristeza e de dúvida veio a minha mente. Tristeza, pois o Steve Jobs era uma figura carismática, um líder inovador; e o fato de eu ter utilizado algumas de suas invenções tornou-o uma pessoa que muito admirei. E dúvida em relação ao futuro da Apple que Jobs fundou, foi demitido, voltou e a transformou numa das empresas mais valiosas do mundo.
O Prof. Jim Collins, no seu livro “Feitas para Vencer”, relata que as organizações lideradas por indivíduos carismáticos tendem a ficar à deriva quando eles partem de forma abrupta. Um exemplo citado pelo autor foi quando Walt faleceu deixando a Disney “órfã”. Foram quase dez anos de inércia e falta de rumo.
O líder carismático gera admiração e isso facilita muito a influência dele no dia a dia da corporação. Esse carisma permite unir o grupo por uma causa, mas também confunde o próprio grupo no questionamento das decisões do líder. As pessoas tendem a perdoar as falhas e mitificar as suas conquistas. No caso de Jobs, essa dependência será colocada à prova nos próximos anos. Vale lembrar que o período que Jobs ficou fora da Apple foi um dos mais difíceis para a empresa.
As pessoas que atualmente estão no poder na Apple são desconhecidas para muita gente, e será difícil imaginar que elas assumam as dimensões míticas de Steve Jobs. Michael Gartner, um conceituado analista de tecnologia, disse que “a única coisa que certamente mudará na Apple agora é que não vamos mais ver apenas uma só pessoa que se apresente como manifestação física de tudo o que é Apple”. Estarei na torcida para que essa transição da liderança na empresa mais admirada e ambicionada seja o menos caótica possível.Collins sugere quatro ações para que um líder coloque o seu carisma a serviço da organização:
- Lidere com perguntas, não com respostas;
- Envolva-se no diálogo e no debate, não na coação;
- Faça autópsias, mas não jogue a culpa nos outros;
- Crie mecanismos de “bandeira branca” (mecanismo que possibilite a liberdade de questionamentos).
A Dicaduka é “Stay hungry, stay foolish!”. Foi que essa frase que Jobs encerrou o já legendário discurso na Universidade de Stanford, ou seja: mantenha-se faminto por coisas novas e mantenha-se certo de sua ignorância. Continue ávido por aprender, continue ingênuo e humilde para procurar. Tenha fome de vida e sede de descobrir.
Mochila nas costas e até a próxima trilha!
Professor Paulo Campos tem 20 anos de experiência em soluções de aprendizagem (Ensinar, Aprender e Liderar).Desde 2000 já realizou mais de 1.200 palestras para 65 mil pessoas nos temas relacionados ao comportamento humano nas áreas de Liderança, aprendizado de adultos e gestão de pessoas. Siga no twitter e seja fã no facebook.


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