Integre a aprendizagem formal e informal

A prática é o melhor de todos os instrutores.

Trabalho com desenvolvimento e treinamento de executivos há quase 20 anos e um dos temas de maior relevância sempre que se fala em treinamento é o retorno no valor investido no programa. Ou em outras palavras, se o aprendizado nunca for usado de maneira a melhorar a forma como as coisas são feitas na empresa é certo que houve um desperdício de tempo e dinheiro.

O aprendizado por si só é insuficiente para produzir uma mudança efetiva. Morgan McCall, Robert W. Eichinger e Michael Lombardo professores que trabalham no Center for Creative Leadership na Carolina do Norte, sinalizam que a aprendizagem leva tempo e paciência e que podemos aumentar a sua eficiência quando há combinação de elementos formais e informais. Na aprendizagem o conceito de 70/20/10 indica que:

  • 70% aprendemos da vida real e no local de trabalho, através de experiências, tarefas e resolução de problemas. Este é o aspecto mais importante de qualquer plano de aprendizagem e desenvolvimento.
  • 20% aprendemos quando recebemos feedback e ao observar e trabalhar com pessoas que já sabem e fazem muito bem a atividade.
  • 10% aprendemos através de um treinamento formal.

Podemos dizer que o aprendizado começa quando o curso ou treinamento termina. Aí esta a grande oportunidade do líder – garantir que a transferência do aprendizado aconteça. Muitas vezes o líder não permite ou nem encoraja que seu liderado tente aplicar o que foi desenvolvido em sala de aula. Percebo também que alguns líderes nem sabem o conteúdo que foi ministrado e muitas vezes reclamam ao liderado pela ausência dele enquanto ficou lá no treinamento “na vida boa” e o bicho pegando aqui no escritório.

Aqui vai a Dicaduka: a motivação para transferir o aprendizado é influenciada pela autoconfiança do participante. Quando seu liderado voltar de um treinamento peça a ele que faça uma apresentação dos principais tópicos aprendidos e pergunte de que tipo de apoio ele precisa para isso. Para mudar comportamentos e obter resultados que você quer, é necessário estrutura, apoio e prestação de contas.

Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Professor Paulo Campos tem 20 anos de experiência em soluções de aprendizagem (EnsinarAprenderLiderar). Desde 2000 já realizou mais de 1.200 palestras para 65 mil pessoas nos temas relacionados ao comportamento humano nas áreas de Liderança, aprendizado de adultos e gestão de pessoas. Siga no twitter e seja fã no facebook.

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Os alunos, o elefante e o facilitador.

A experiência é o melhor recurso para aprender e ensinar.

Há duas semanas trabalhei com os trainees de uma multinacional e, ao término do segundo dia, um dos jovens me entregou um texto com o título “Os cegos e o elefante”. Ao me entregar o texto, ele me disse de forma provocativa e sucinta: “- O seu jeito de ensinar é parecido com essa estória!”. Me deu um abraço, um breve sorriso, agradeceu e foi embora. Ao começar a ler o texto percebi que era a parábola do poeta americano John Godfrey Saxe (1816-1887), inspirada numa lenda Hindu, que conta a estória de 6 cegos de nascença que tinham o desejo de conhecer um elefante através do tato. Cada cego ao relatar a sua percepção do elefante traz as lembranças da parte do animal que tocou. A moral da história é a dificuldade de chegar a um consenso quando cada um só leva em consideração a sua experiência ou o seu ponto de vista.

Nos dias seguintes fiquei feliz e surpreso ao perceber que boa parte da facilitação de uma aula com base na Andragogia (a arte e a ciência de auxiliar o adulto a aprender) é permitir que as pessoas compartilhem suas experiências e aceitem os diferentes pontos de vista. Os adultos envolvem-se numa atividade educacional com um volume de experiências de qualidades diferentes em relação às crianças e aos adolescentes.

Com uma boa dose de imaginação, a minha versão e inspiração sobre a valorização da experiência de cada um para começar um aprendizado.

“Era uma vez uma sala de aula, um facilitador, seis alunos cegos e um tema de estudo – o elefante. Logo no início da aula foi entregue um texto que explicava como era esse animal gigante e suas características. Em seguida, o facilitador pediu que cada um trouxesse a sua experiência sobre o elefante.

O primeiro aluno lembrou que já havia passado a mão na barriga dura e áspera e afirmou: minha análise não falha, esse tal de elefante mais parece uma muralha.

O segundo aluno comentou sobre a vez que tocou nas presas e disse com confiança: elefante não é brinquedo de criança, tem armas tão pontudas e afiadas que mais parece uma lança.

O terceiro aluno sabia como era engraçada a tromba e detalhou: é comprida, bem gelada e até dobra; o flexível elefante mais parece uma cobra.

O quarto aluno certa vez acompanhou um veterinário no socorro de um elefante que machucou a pata, e rapidamente disse: existe muita semelhança entre um elefante e uma árvore imensa.

O quinto aluno já havia tocado nas orelhas e falou ao grupo que nessas tardes de calor o elefante mais parece um abanador.

O último aluno recordou da vez que percorreu alguns metros nas costas do elefante e animou-se: esse animal mais parece um trator.

Depois de alguns comentários o facilitador convidou a todos para irem até o pátio da escola, pois haviam trazido um filhote de elefante para que os alunos pudessem aprender mais sobre o animal. Assim que chegaram, os alunos conseguiram entender os diferentes pontos de vista e também confirmar as suas percepções sobre o elefante. Eles concordaram também sobre a importância de ouvir uns aos outros e da oportunidade que cada um teve de expressar e ensinar o que sabia sobre o elefante.

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. (Cora Coralina)

Aqui vai a Dicaduka: sempre que você for ensinar um adulto invista um tempo em conhecer o que ele já sabe sobre o assunto. Permita que ele compartilhe com os outros as suas experiências. Incentive um olhar mais flexível e acolhedor das opiniões diferentes. E lembre-se: para as crianças, experiência é o que elas estão fazendo; e para os adultos, a experiência é o que eles são!

Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Professor Paulo Campos tem 20 anos de experiência em soluções de aprendizagem (EnsinarAprenderLiderar).

Desde 2000 já realizou mais de 1.200 palestras para 65 mil pessoas nos temas relacionados ao comportamento humano nas áreas de Liderança, aprendizado de adultos e gestão de pessoas. Siga no twitter e seja fã no facebook.

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A estratégia é inspiração e a execução é transpiração

Execução é a tarefa do líder da empresa.

O principal desafio do líder empresarial é transformar os planos em ações definidas e com processos coordenados. Uma das diferenças entre a organização e seus concorrentes é a sua habilidade de execução.

Os bons líderes praticam o gerenciamento com envolvimento. É o que Ram Charan, renomado consultor indiano e coaching de diversos CEOs chama de management by walking around (= andando e percebendo o seu negócio), em seu livro Execução, da Ed. Campus. Segundo ele, a essência de funcionamento de um negócio é como os processos pessoal, estratégico e operacional são interligados.

De forma prática, aqui estão 7 comportamentos que podem impulsionar a execução de tarefas e garantir os resultados esperados:

  1. Selecionar pessoas: há pouca correlação entre aqueles que falam que fazem e aqueles que realmente fazem as coisas acontecerem. Se quiser construir uma empresa com excelente disciplina de execução, o líder terá de selecionar quem realiza;
  2. Estimular as pessoas: o líder precisa gerar energia nas pessoas. Deve querer pessoas que chegam de manhã com um sorriso no rosto, que sejam otimistas e estejam prontas para fazer as tarefas do dia, do mês ou do ano. O líder cujas visões se concretizam constrói e sustenta o momento. Ele insere a visão na realidade, focando realizações em curto prazo – as metas que geram adrenalina e que se concretizam;
  3. Ser determinado em relação a decisões difíceis: um líder com determinação tem a habilidade de tomar decisões difíceis de forma rápida e eficiente e de agir sobre elas;
  4. Conseguir que as coisas aconteçam por meio de outras pessoas: o bom líder deve estimular a iniciativa e a criatividade, sem reprimir sua equipe. Deve delegar, mas não abandonar as pessoas;
  5. Acompanhar tudo até o fim: o acompanhamento é a pedra fundamental da execução. O líder competente na execução acompanha tudo até o fim. Ele nunca termina uma reunião sem deixar claro qual será o produto final, quem irá fazê-lo, quando e como será feito, quais recursos serão usados, como e quando a próxima avaliação acontecerá e com quem. O líder deixa bem claro que está comprometido e que vai o que foi proposto;
  6. Colocar as pessoas certas nos cargos certos: as características que devem ser procuradas nos candidatos são energia e entusiasmo para executar. É preciso buscar pessoas dedicadas, que se empenhem ao realizar tarefas, que tenham um histórico de realizações, que gostem de fazer as coisas acontecerem, que mostrem habilidade em convencer e engajar os outros em projetos;
  7. Fazer avaliação: o líder precisa analisar detalhadamente como as pessoas atingem seus objetivos: quem apresenta um bom desempenho consistentemente? Quem é desembaraçado, empreendedor e criativo diante das adversidades? Quem consegue apenas ganhos rápidos e não busca melhores resultados? Quem atinge as metas à custa do desempenho no longo prazo? A pessoa avaliada precisa perceber que é o líder, e não outra pessoa, quem decide e quem se importa. O líder precisa ajudar a pessoa a eliminar seus pontos fracos, por meio de conversa, orientação ou alocação de outras tarefas para tentar eliminar essas deficiências.

E aqui vai uma Dicaduka: conheça o seu pessoal e a sua empresa. Os líderes precisam ter contato diário com a realidade da sua empresa. Devem estar onde a ação está; devem relacionar-se com as pessoas a sua volta; conhecer a organização de forma abrangente. Vamos lá? Pegue uma folha e desenhe três colunas. Na primeira, registre o nome dos seus liderados; na segunda coluna, relate o que e quanto você conhece dos seus liderados; e na última, escreva o que você pode fazer para conhecer melhor a sua equipe. Agora, coloque o nome dos seus subordinados diretos e veja o quanto você conhece sobre eles. Lembre-se: só há aprendizado quando há mudança no comportamento!

Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Professor Paulo Campos tem 20 anos de experiência em soluções de aprendizagem (EnsinarAprenderLiderar). Desde 2000 já realizou mais de 1.200 palestras para 65 mil pessoas nos temas relacionados ao comportamento humano nas áreas de Liderança, aprendizado de adultos e gestão de pessoas. Siga no twitter e seja fã no facebook

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