A Prática de Pensar sobre a Prática de Liderar

Gostaria de dividir com vocês a reflexão sobre uma pergunta que me fazem com muita frequência: “Os líderes nascem prontos ou podemos desenvolver a Liderança?”

Como educador, facilitador e, principalmente, professor acredito que podemos sim desenvolver a competência da Liderança. Explico melhor: Competência é o conhecimento colocado em ação, por isso, só podemos afirmar que o profissional está pronto para exercer a liderança quando ele tem a primeira experiência em liderar. Assim como o médico precisa passar pelo período da residência, fazendo plantão no pronto-socorro do hospital durante a sua formação em Medicina, o profissional corporativo também precisa passar pela experiência de dirigir uma equipe e ter que decidir sob pressão, lutando contra o relógio. Aqui já existe uma vantagem em querer ser líder empresarial: o seu erro, na maioria das vezes, não é fatal!!!

A reflexão do líder sobre “a sua prática em liderar” pode ser aprofundada pela quantidade e qualidade do feedback que ele pede para a sua equipe e também pela prática de pensar sobre a prática de liderar. Coloque um verbo entre o compreender e o liderar = o pensar. A reflexão é o movimento realizado entre o fazer e o pensar, entre o pensar e o fazer, ou seja, pensar para fazer e pensar sobre o fazer. E você, como se comporta no papel de líder? Já pensou sobre isso?

O primeiro passo para que você inicie as suas práticas em ser líder é tentar ensinar  as pessoas que estão mais próximas: um amigo, colega de trabalho ou parente. Antes de qualquer coisa, reflita sobre as características dessa pessoa. Como ela aprende? Como ela gosta de ser reconhecida? Ela faz atividade física? Quais os seus esportes preferidos? Sabe cozinhar? Gosta de ler? A quais autores ela faz referências? Se você quer ensinar algo para alguém, descubra como esse indivíduo gosta de aprender!

Vamos supor que você está tentando ensinar um colega de trabalho a usar uma calculadora financeira. A reflexão na ação consiste em pensar sobre a forma que você está ensinando seu colega no momento em que dá as orientações. Ele já sabe usar as teclas de somar e dividir? Ele já consegue calcular juros compostos? Qual a formação do “aluno” em questão? Ele é pragmático ou prefere uma boa teoria? Parar para pensar e refletir sobre o “momento da aula” permite que você faça os ajustes necessários e também crie um clima de flexibilidade, bom humor e desafio. É um ótimo começo.

Em seguida, proponha ao seu colega – ou à sua real equipe de trabalho – um olhar sob diferentes pontos de vista (o ponto de vista é a vista de um ponto) para poderem optar pelo melhor caminho a seguir. E para concluir, faça uso da ironia inteligente, do comentário descontraído e do reconhecimento pela conquista, gerando assim um espírito de confiança que estimula o liderado, implicitamente, à descoberta e à inovação.

O líder de fato se desenvolve quando aprende a ensinar, praticar o feedback e delegar. Ensinar é, antes de tudo, agir na urgência, decidir na incerteza. Ensinar bem não significa ser rígido, intransigente e/ou ter uma programação estanque. Tem a ver, sim, com ser flexível, fluido, experimentar e ter confiança para reagir e adaptar-se às mudanças. Espere o inesperado ou você não o encontrará! O papel do líder no dia a dia consiste em desenvolver pessoas, ser um agente de mudanças e comunicar-se com a empresa, isto é, com seus colaboradores.

Você quer avaliar se sabe ser um bom líder? Pare e pense. Como é a sua “prática em liderar”? O que você pensa sobre o impacto das suas ações como líder? Uma maneira de identificar se a sua liderança está sendo aprimorada no ano de 2010 é comparar as decisões que você tomava em janeiro deste ano e as decisões que você já está tomando agora em outubro. Os líderes são remunerados pela sua capacidade de decidir: quanto maior o número de boas decisões você tomar, melhor a sua credibilidade perante os dirigentes da empresa, além de valorizar seu comprometimento com as funções e responsabilidades a você atribuídas.

E aqui vai uma Dicaduka: coloque o despertador do seu celular para tocar em um determinado horário, por exemplo, às 11h35! Quando o alarme soar, pare o que está fazendo e, durante um minuto, pense sobre a forma que você está conduzindo a equipe no dia. O que você já fez hoje? O que falta fazer? O que não pode deixar de fazer? Liderança requer um interesse genuíno por pessoas e acertos.

Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Paulo Campos

@pvcampos10 / 2010.10.26

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“Cada um é cada qual”: a essência do ensino exemplar

Na época da faculdade, as melhores aulas do curso normalmente eram ministradas por professores que tinham um conhecimento profundo do assunto e a forma que ensinavam era divertida e prazerosa. Recordo-me que em algumas matérias a sala de aula ficava lotada não só de alunos do curso, mas também de veteranos e convidados que vinham apenas para ouvir as conversas e os “causos” do professor. A aula passava tão depressa que, quando terminava, eu sentia aquela sensação de que o relógio andou mais rápido que de costume e o melhor de tudo: eu tinha aprendido!

 Pare um pouco a leitura do texto e escreva o nome de cinco professores que você mais gostou na sua vida acadêmica, palestras ou cursos. Em seguida descreva cinco características de cada um dos professores que o tornaram inesquecível. O que elas têm em comum? Quais características mais aparecem? Daqui a pouco voltaremos a essas palavras e categorias.

 Nas organizações empresariais, esse papel de ensinar, desenvolver e incentivar as pessoas a aprender é, principalmente, uma tarefa do seu líder direto. Na organização onde você trabalha as pessoas estão sempre aprendendo? O seu líder está sempre ensinando? Lembre-se que a retenção de talentos passa pela qualidade e quantidade de horas de aprendizado e oportunidades para aplicar e praticar.

 Quais características dos bons professores podemos usar como referência para facilitar o papel de ensinar dos líderes? O professor e pesquisador Joseph Lowman, da Universidade da Carolina do Norte, no seu livro “Dominando as Técnicas de Ensino”, da Editora Atlas, fornece algumas características e comportamentos dos melhores professores da faculdade. Depois de entrevistar vários os alunos e identificar os melhores professores da faculdade, Lowman chegou às seguintes características:

Acessível Amigável Atencioso Claro
Criativo Compreensível Comprometido Culto
Comunicativo Dedicado Desafiador Dinâmico
Disponível Divertido Eficiente Encorajador
Engraçado Estimulante Entusiasmado Envolvente
Excelente Exigente Justo Inspirador
Interessado Motivador Organizado Paciente
Preparado Prestativo Simpático Respeitoso

Volte agora às palavras que você escreveu sobre as características dos seus cinco professores. Quais palavras são recorrentes? Existe alguma similaridade com os adjetivos do quadro acima?

Com base nessas palavras da pesquisa, Lowman identificou duas categorias:

1. Estímulo Intelectual: tem como conceitos a clareza na apresentação do professor e seu impacto emocional estimulante sobre os alunos. Clareza está relacionada com o que se apresenta, e impacto emocional resulta do modo como é apresentado. Lembre-se: conhecer bem a matéria é bem diferente de ser capaz de apresentá-la com clareza. É ser objetivo, prático, provocador e, ao mesmo tempo, não complicar o que é simples. “Obrigado pela informação que você não me deu”!

2. Relacionamento Interpessoal: é influenciado pela interação professor-aluno e as oportunidades que são criadas para que esses encontros sejam significativos durante o curso. O interesse interpessoal do professor pelos alunos e sua habilidade em comunicar-se com eles de modo a incentivar a motivação efetiva (autonomia, uso dos pontos fortes e busca de sentido) são os dois destaques dessa categoria.

Como essas categorias podem nos ajudar na atuação mais efetiva dos líderes no processo de ensinar a sua equipe?

Um olhar importante é o quanto é clara a informação e de que forma os líderes estabelecem essa comunicação. Não necessariamente o que o líder falou é o que o liderado entendeu. É oportuno ele pedir para que o membro da equipe repita a orientação ou perguntar qual ação o liderado irá fazer com base nas informações recebidas. A maneira como o líder se expressa pode ser melhorada através do contato visual mais freqüente, da didática (do simples para o complexo) e, principalmente, da sua postura durante a explicação. Outro ponto é o relacionamento com a equipe. Liderança requer um interesse genuíno por pessoas. Se você investe um tempo em conhecer as pessoas do seu grupo de trabalho, com certeza irá identificar as “moedas de troca” de cada um. Lembre-se: todo mundo quer ter uma recompensa!

 Quais as cinco palavras que melhor descrevem você e seu líder direto no processo de ensino-aprendizagem? Compartilhe com ele esse texto, a sua opinião e analise o que é possível melhorar nas suas atividades.

 E aqui vai uma Dicaduka para um líder: faça uma lista com os nomes das pessoas da sua equipe. Agora escreva ao lado de cada nome a maior quantidade de informações que você sabe sobre ela nas seguintes áreas de interesse: responsabilidades, tarefas prioritárias, como ela é avaliada, como ela avalia os outros, aspirações na carreira, estilo de trabalho e comunicação, áreas de incerteza, experiências anteriores, valores. Quanto mais informações você souber, maior a sua chance de ser efetivo no ato de ensinar. Vale a máxima: Ensine os outros como eles gostariam de ser ensinados.

 Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Paulo Campos

@pvcampos10 / 2010.10.19

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Por que o importante é não parar de fazer perguntas?

As perguntas nos fazem pensar e aprender. A qualidade do nosso aprendizado para qualquer assunto ou conceito depende da quantidade e do fluxo das perguntas que fazemos. As perguntas aperfeiçoam o conhecimento e provocam outro olhar e uma nova perspectiva. Ao fazer uma pergunta você também está demonstrando interesse pelo assunto. Quando ouvimos alguém responder nossos questionamentos apreciamos seu esforço e sua atenção.

 Na história da humanidade, fazer a pergunta certa foi sempre considerado a marca de um homem sábio. O que torna um pergunta boa? De bate pronto, vem aquela cena de sala de aula quando o aluno Joãozinho faz uma indagação e o professor, depois de três segundos pensando, responde: “Boa pergunta Joãozinho”! O professor começa um processo frenético de buscar nos seus arquivos mentais, na pasta específica, o documento que tem a resposta. A reflexão para pensar antes de responder uma pergunta é um indicador de que você formulou uma boa questão. A reflexão envolve recordar, pensar, imaginar, dar sentido, significado ao assunto e, principalmente, tentar se fazer entender.

Pergunta e reflexão dão tempo às mentes dos envolvidos a funcionar. Esses segundos para refletir após uma indagação permitem que o diálogo aconteça de forma mais produtiva e interessante. Rubens Alves, no seu clássico texto Escutatória, ressalva que damos pouco valor ao escutar e muito ao falar: “Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir”. Como líder, é necessário que você aprenda a ouvir para que possa ser ouvido.

Uma habilidade importante para ser um bom líder é saber fazer perguntas pertinentes e também permitir que os outros as façam. Grupos onde “fazer perguntas” não é bem visto ou a quantidade de questionamentos feitos semanalmente nas reuniões é pequena, pode também ser um sinal de ambiente de trabalho autoritário. A liberdade de poder não concordar com tudo é fundamental para provocar as centelhas das grandes e boas ideias. Quando a intenção da pergunta é promover o aprendizado, estimular a reflexão ou permitir a dúvida, as pessoas sentem-se motivadas a contribuir e começam a perguntar: E se…? Esse é o início do processo que gera a tão almejada interação entre as pessoas.

Outra estratégia para fazer boas perguntas é evitar o começo da frase com a palavra ‘COMO’ e iniciá-la com ‘DE QUAIS MANEIRAS’… No segundo caso, você já indica que existem diferentes caminhos a serem seguidos e passa a não se preocupar com a primeira resposta ou com a resposta certa. Esse impulso natural de fazer afirmações e julgamentos deve ceder lugar ao ato de ouvir, perguntar e refletir. No processo criativo, começamos pela geração de uma boa quantidade de ideias para depois trabalhar na escolha e na qualidade das ideias. Fazer perguntas é fundamental na prática da Criatividade e, a partir  daí, se chegar à Inovação.

E aqui vai uma Dicaduka: Ao invés de perguntar ao seu colega de trabalho: “O que você está aprendendo no curso de Negociação?”, pergunte a ele: “Quais foram as perguntas que você fez no curso?”. Ou, em outro cenário: ao invés de repetir a mesma (e automática) pergunta para o seu filho “Como foi o dia na escola?”, você o surpreender e disser: “Qual pergunta você fez hoje para a professora?”. Fique atento à resposta e divirta-se! E depois me conte o resultado. Já fiz isso com o meu filho Henrique, de sete anos, e garanto que foi um momento muito estimulante e de cumplicidade para nós dois.

 Hoje é o dia das crianças! Faça perguntas e resgate o espírito infantil! “ Se o ar não tem cor, por que o céu é azul?

 Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Paulo Campos

@pvcampos10 / 2010.10.12

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A relação “quase perfeita” entre o desafio e a habilidade

No seu dia-a-dia profissional e/ou acadêmico, você já passou por uma sensação de fazer uma atividade com tanta destreza e concentração que nem percebeu o tempo passar e quando se deu conta já era noite? Em outra situação, o que você estava fazendo era tão desafiador, tão prazeroso, tão estimulante que você não percebeu o tempo passar e quando o dia começou a amanhecer você teve a certeza que o resultado final foi excelente. Você consegue lembrar-se da última vez que isso aconteceu? O que você estava fazendo? Quais eram as condições, os recursos, o tempo para entrega? Esse momento de “fluir espontâneo” é chamado pelo pesquisador húngaro, Mihaly Csikszentmihalyi, de Flow ou Experiência do Fluxo, no seu livro “Gestão Qualificada”, da Editora Bookman.

 O flow faz com que possamos nos sentir melhor no momento, capacitando-nos a experimentar o incrível potencial do corpo e da mente trabalhando em perfeita harmonia. A persistência supera o talento, ou seja, o flow exige mais esforço do que prazer. A dedicação, repetição e disciplina ajudam a tornar o desempenho quase perfeito.

 Um elemento básico para essa experiência de flow é que a tarefa a ser cumprida atrai, por sua complexidade, com tanta intensidade, que as pessoas chegam a se perder em si mesmas. Podemos ter algumas situações onde é possível alcançarmos este estado de espírito:

  1. Quando temos metas claras;
  2. Recebemos feedback imediato constantemente;
  3. Quando temos um equilíbrio entre oportunidade e capacidade;
  4. Ficamos concentrados rapidamente;
  5. O foco é “no quê e no como” estamos fazendo;
  6. Temos o controle da situação;
  7. A noção do tempo é alterada (não queremos que termine o momento);
  8. A perda do ego, da individualidade.

Por exemplo, numa certa manhã você tem bem claro quais são as suas metas para aquele dia e inicia rapidamente a tarefa. Em poucos minutos você está concentrado no que está fazendo que nem percebe o tempo passar e, quando olha o relógio, já são 15 horas. Seus colegas conversam com você e dizem que em determinado momento tentaram chamá-lo para o almoço, mas você nem respondeu. O trabalho está feito e ao entregá-lo ao seu líder não só ele aprova como também lhe dá os parabéns. Você até fica meio sem graça, pois foi uma atividade relativamente fácil e você divertiu-se ao fazê-la.

Esta relação “quase perfeita” entre o desafio de uma tarefa e a sua habilidade de realizá-la exige um investimento em se conhecer, no uso dos seus pontos fortes e também na oportunidade de encontrar algo na vida que lhe dá prazer. Se o desafio é muito maior que a habilidade, a sensação é de ansiedade. E se o desafio é muito menor do que a habilidade, a sensação é de marasmo. Quando o desafio pede que sejamos levados para além da nossa área de conforto, saímos do invólucro. O prefixo ‘DES’ significa “não estar”. Desenvolver é sair da área de conforto. Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez?

E aqui vai uma Dicaduka: Nessa semana registre as suas atividades e perceba aquelas que mais lhe dão prazer. Faça outra lista com as atividades que você faz na qual a complexidade é alta e o resultado excelente. Existem algumas atividades que se repetem nas duas listas? Seu sucesso profissional e pessoal depende muito dessa intersecção:

O que você gosta de fazer   X   O que você faz muito bem

 Mochila nas costas e até a próxima trilha!

Paulo Campos

@pvcampos10 / 2010.10.05

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