Telefone para você. (A diferença entre falar e fazer…)

A decisão.

Preciso abrir uma conta em outro banco. Ok… precisar não preciso, quero. Numa conversa informal com um amigo de mercado financeiro fiquei sabendo das vantagens da diversificação na oferta de serviços bancários e decidi que romperia a relação de exclusividade com meu banco após uma década de fidelidade não reconhecida.

Tudo bem eu assumo, a relação já estava desgastada, ela (a instituição) já não me procurava mais, ou quando procurava era só pra pedir dinheiro ou dizer que eu estava errado. Cansei. Quando percebi, eu estava olhando pra outras na rua, atrás de aventura ou quem sabe de um outro porto seguro onde pudesse amarrar meu barco.

A escolha.

Como em qualquer “caça” as diferenças efetivas entre uma ou outra opção eram estatisticamente desprezíveis então parti para as afetivas. Pois como estava carente queria alguém que me desse colo, cafuné ou um ombro. Sabia que eu era um bom partido, tinha um dote considerável (mas não invejável) e minhas exigências poderiam ser consideradas básicas. Ah! Esqueci de dizer que em minha escolha evitei as opções do tipo premium pois não queria gastar aquilo que me dava condições de status com algo que me cobrava mais para mostrar aos outros que eu tinha status e fatalmente acabaria tirando o verdadeiro status que porventura (ou ilusão) eu tivesse. Mas voltemos ao status quo.

A determinação.

Ela era perfeita, ou ao menos se aproximava disso. Além de cuidar das minhas finanças, era interessada em causas sociais, meio ambiente, perambulava muito bem pela cultura, tinha acabado de realizar uma plástica geral e estava enxutíssima e se eu precisasse ela ainda me emprestava dinheiro!!! Que mais eu poderia querer?

O encontro.

Fui conhece-la pessoalmente. Pra saber mais informações sobre a pretendida. A internet até é um bom meio para a paquera, mas para efetivar a proposta de relação ai eu sou tradicional, tem que ser olho no olho. Isso evita surpresas futuras. Vesti-me com as honrarias que a situação pede. Sem muita pompa para evitar altas expectativas, sem muito desleixo para evitar o pouco caso.

A hora da verdade.

Entrei na agencia. Olhei em volta, era de pequenas proporções, do tipo mignon, com 4 caixas de atendimento, alguns caixas eletrônicos e três mesas de gerentes. 4 ou 5 pessoas na fila esperando sua vez de serem atendidas. Enfim nada que destoasse muito daquilo que eu já esperava. Após um breve e superficial reconhecimento da área encontrei-a. Estava atrás de uma mesa onde descansava uma placa com os dizeres “abertura de contas – Rita de Cássia” aquilo soava como poesia em meus ouvidos. As trombetas tocavam, o coração disparou. Rita… esse era seu nome… fui ao seu encontro e ao chegar perto da mesa nossos olhares se cruzaram pela primeira vez. Como ela estava ao telefone fez um sinal para que eu sentasse e foi o que fiz ouvindo ainda o final de sua conversa “me liga lá pelas 5 que eu já sai e a gente se encontra pra botar a fofoca em dia. Beijo, tchau”

- Olá em que posso ajuda-lo?

- Eu queria abrir uma conta e…

TRIMMMMMM toca o telefone. Aliás os telefones. Eram todos os telefones tocando ao mesmo tempo.

- Eu vi uns prospectos de abertura de conta na…

TRIMMMMM e o som ecoava por toda a agencia. Olhei ao lado para as outras mesas e vi uma gerente remexendo sua bolsa e a outra vasculhando uns papéis.

- Eu gostaria de saber mais sobre…

TRIMMMMM as pessoas na fila também começavam a olhar em volta como que procurando quem iria atender ao chamado. Lancei um olhar ao telefone quase que sugerindo que ela o atendesse e ela lá com suas mãos cruzadas sobre a mesa e seu olhar de “estou aqui para ouvi-lo”.

- Se você quiser atender o telefone… sugeri já mostrando certo desconforto com a interrupção freqüente. Ao lado as duas gerentes conversavam. Devia ser algo muito importante.

Comecei a duvidar de minha sanidade. Será que só eu to percebendo esse som do telefone tão alto? Olhei novamente para a fila, bem , se eu estava louco eles também estavam. Só nós ouvíamos o som do telefone. Todos os funcionários do banco nem o notavam.

- E se o senhor ainda disponibilizar recursos para o fundo… Rita falava. Eu já não ouvia mais nada só ficava esperando o próximo toque. E ele vinha…

TRIMMMMMM

- E é ai que está o nosso maior diferencial, o cuidado com o cliente… Rita não percebia que tinha me perdido e que agora eu passava a contar quantos toques ainda viriam. As gerentes tinham ido tomar um cafezinho na máquina ao lado. Novos integrantes da fila já percebiam o mantra do telefone e, como seus predecessores, também olhavam em volta em busca de um salvador.

- Se o senhor reparar em nossas taxas… Atenda o telefone. Atenda o telefone. Eu enviava sinais telepáticos para ela já fantasiando que poderia ser alguma coisa importante como… um cliente por exemplo!

TRIMMMMMM era o décimo toque. Minha fantasia começou a ganhar proporção e eu já me via no escritório com o telefone em punho, precisando de um serviço, informação, ajuda ou alô, não interessa! Por que esta gerente não atende ao telefone?!? Como ela podia fazer isso comigo? Eu precisando falar e ela tomando cafezinho, tentando chavecar mais um incauto ou secando as unhas?

Minha esperança era que a linha caísse para que assim eu pudesse retomar o mínimo de atenção que ainda tinha e ouvir o resto da ladainha de Rita. Para meu desespero o tel não parou.

- Capitalização é nosso forte, temos uma linha de…

Décimo sétimo toque. Surtei. Levantei-me da cadeira e em alto e bom som proferi minha indignação:

-NINGUÉM VAI ATENDER ESSE TELEFONE?

A agencia parou. De um lado os funcionários com olhares de susto e reprovação, de outro meus aliados da fila dando razão a minha indignação, cheguei até a ouvir um “é isso mesmo…”

- O senhor está bem? Perguntou Rita não entendendo minha atitude.

-Agora estou ótimo. Rita sabe quem era ao telefone? Eu! Eu e tantos outros que precisam ser atendidos, mas vcs estão ocupados demais para isso não é verdade? Passar bem Rita.

Fui embora de peito estufado e o sorriso de quem acabara de escapar de uma roubada.

Resumo da ópera.

O telefone serviu como um alarme contra o mau atendimento. A cada frase emitida pela Rita o alarme gritava “não acredite!” e foram 17 “não acredite” que eu ouvi em pouco mais de dois minutos.

Imagine se no segundo ou terceiro toque, ao perceber que ninguém atenderia, Rita pegasse o telefone e aproveitasse a oportunidade de mostrar toda sua desenvoltura como gerente, imagem e interface da instituição provendo um atendimento exemplar, mostrando soluções, ouvindo o cliente e dando um “show” para sua platéia (eu no caso).

Qual teria sido minha percepção em relação aos serviços deles? Qual teria sido minha experiência com a situação? Lá estava um cliente em potencial que estava pronto para fechar um negócio, ávido para validar suas expectativas, disponível, com a atenção toda voltada pra ela e o que ela faz? Blá blá blá, discurso decorado, panfletos batidos, chance desperdiçada.

Diz um ditado: Existem 3 coisas que não retornam: a flecha atirada, a palavra lançada e a oportunidade perdida. Vou acrescentar mais uma: o cliente desprezado.

você já se sentiu desprezado por um fornecedor, prestador de serviço ou vendedor? Deixe seu comentário, é sempre um prazer conversar com você.

Post to Twitter Tweet!

Quando usar a Comunicação Sustentável?

Muito bem, você  (provavelmente) já sabe que “Comunicação Sustentável” significa estar atento para os desdobramentos e impactos de sua comunicação no ambiente pois leu sobre esse conceito aqui.

A questão agora é: Quando você usa a Comunicação Sustentável?

- Ué? Mas não é pra usar sempre?

Não. Quer dizer, sim. Mas não precisa ser sempre, de vez em quando apenas ou sempre se você quiser. Você até pode (e vai) usar sempre. É apenas uma questão de tempo, familiarização e prática. Mas por enquanto vamos focar no “momentum de comunicação”.

- Momentum? Não seria momento? Coisa mais fresca…

Momentum mesmo, porque parece mais chique e assim você absorve a informação com mais facilidade (diferenciação, estranhamento e repetição para absorção – megadicaescondidanotexto nº 145)

Bem vamos deixar a discussão do momentum de lado por um  momento e focarmos em descobrir o que é esse momentum:

Você está a ponto de discutir com seu chefe.

Você vai apresentar um novo conceito ou idéia.

Você vai vender. Você vai comprar. Você vai negociar.

Vai fazer uma apresentação em público. Vai fazer uma reunião antes.

Você precisa divergir ou contrariar a idéia de alguém.

Você precisa mudar o jeito de se fazer alguma coisa.

Você precisa do engajamento de sua equipe para um projeto.

Você é um líder. Você é um liderado. Você é um liderando.

Tudo isso são “momentuns de comunicação”. E é quando você deve utilizar as técnicas de Comunicação Sustentável.

  • Você tem um objetivo claro (ou deveria ter),
  • um público específico e tangível
  • e o resultado depende do outro para ser alcançado.

Estes três itens são autoexplicáveis mas como o óbvio não exclui a palavra (hiperditadoconceitual nº 688) vamos lá pois meu objetivo com esse texto é claro (caracterizar a comunicação sustentável), conheço o perfil do público que lê o meu blog (você) e dependo da compreensão deste conceito para que o público (você de novo) possa ter sucesso em suas interações no ambiente de trabalho, se dar bem, virar CEO e me contratar depois para palestrar.

Objetivo claro:

Seja qual for o seu objetivo em uma interação com outra pessoa, lembre-se sempre dele. Se possivel escreva qual é seu objetivo momentos antes dessa interação. Parece ridiculo, exagerado ou desnecessário. Mas grande parte dos insucessos na comunicação se deve ao fato de as pessoas se distanciarem do objetivo principal de uma interação.

Foco no resultado. Se seu objetivo é obter um desconto enorme de seu fornecedor, e dai que você não gosta do jeito “com ar de superior” que ele olha pra você? E dai que você acha que pechinchar é feio? Você não está lá para definir jeitos de um olhar para o outro. Você não está lá para se sentir superior, inferior ou igual. Você está lá para ganhar um desconto. Em outro momento você pode até definir limites, hierarquias e tamanhos. Mas naquele momento seu objetivo não é esse.

Tenha um objetivo.  Escreva-o num papel e guarde-o no bolso(a) pouco antes da interação. (se precisar leia-o durante o encontro). Depois me conte como foi.

Você tem um público específico e tangível.

Isso significa que é possivel conhecer quem você vai interagir. Saber o que motiva, o que desmotiva, o que inspira, o que bloqueia, magoa, alegra, invade, expande, eticetera e tals.

Quanto mais você souber sobre quem você vai interagir, maiores as possibilidades de abordagem e maiores suas chances de sucesso.

Se você sabe quais botões apertar e quais evitar fica muito mais fácil operar a máquina. Você diminui substancialmente a tentativa e erro.

O resultado depende do outro para ser alcançado

Conhecer mais sobre o outro também o ajudará a entender qual o objetivo do outro na interação. E desta forma você poderá aplicar a tão falada situação “ganha x ganha”.

Não está em suas mãos. Depende do outro. Aceite isso ou morra tentando.

E sendo assim depende do jeito que o outro vê o mundo. Depende do que o outro quer na vida. Depende do quanto o outro está disposto a abrir mão para lhe entregar o resultado ou objetivo que você quer. Depende do quanto o outro precisa se sentir superior para lhe conceder um enorme desconto.

Pergunte-se sempre:

- O que eu posso fazer para que ele tenha sucesso?

E faça.

Entender esses três itens – objetivo, público e desfecho – é relativamente fácil. Difícil, ou quase impossível, é colocá-los em prática no calor dos acontecimentos. Por isso é importante praticar sempre que você tiver oportunidade e, de preferência, em situações que não sejam extremas ou radicais demais.

Quer saber? Eu tenho certeza que você tem algo que pode ser resolvido agora e que você pode se beneficiar ao utilizar esses três pilares.

Tá esperando o quê? Escreva seu objetivo, defina seu público e conquiste o resultado.

Depois conta pra gente aqui no blog!!!!

Bjs, abs  e piparotes!!!

Post to Twitter Tweet!

Você sabe o que é comunicação sustentável?

Este deveria ter sido o primeiro post do blog, mas acabei me deixando envolver por outros ventos e, como em toda boa comunicação, adaptei-me aos assuntos que apareciam no meio do caminho. (megadicaescondidanotexto nº 233)

Um dos problemas disso é que as vezes pode ser que você perca o fio da meada e acabe por deixar de lado o assunto que gostaria de botar em pauta. Comunicar também é saber esperar o momento propício para inserir um assunto e acho que agora é uma boa hora pra gente começar a se aprofundar um pouco mais na comunicação.

Muitos provavelmente já vieram até esse blog em busca de respostas fáceis ou soluções milagrosas de  comunicação, querendo encontrar como se faz uma apresentação em público, pesquisando dicas infaliveis para se dar bem na entrevista de emprego e… não encontraram suas respostas. (não que elas não virão, mas ainda é cedo)

“Se você tem dúvida da aplicação/definição de alguma coisa, vá em busca do conceito” Disse o Professor Luis Carlos Cabrera em um de nossos encontros em que conversávamos com uma seleta platéia em busca de respostas sobre suas carreiras.

Pois bem, antes de partirmos para os 5 passos milagrosos da comunicação, as 3 etapas de uma apresentação de sucesso e os 158 degraus da comunicação interpessoal vamos falar de algo essencial. Vamos focar no conceito. Vamos falar de “Comunicaçåo Sustentável”

Esse é um conceito que desenvolvi para falar de toda e qualquer comunicação, seja em uma sala de reuniões tentando vender um projeto, seja em um palco fazendo uma apresentação, seja na frente de seu chefe na sala de jantar da casa dele enquanto vocês tomam um licor após o delicioso jantar que a mulher dele preparou.(ufa)

Você usa a comunicação sustentável para conseguir das pessoas:

1. Tomada de decisão e solução de problemas

2. Equilibrio emocional (sincronia)

3. Colaboração / cooperação / conexão

4. Promoção de mudanças

Nos próximos posts falarei mais detalhadamente sobre cada um deles mas por enquanto vamos ao conceito essencial:

Você sabe o que é ser sustentável?

Podemos definir sustentabilidade como o conjunto de práticas que buscam diminuir os impactos gerados pelas atividades humanas que podem prejudicar o meio ambiente

É preocupar-se com os desdobramentos daquilo que você faz e o impacto que suas atitudes podem causar futuramente. Desta forma você molda suas ações presentes para que elas rendam bons frutos ou pelo menos causem o mínimo impacto negativo no ambiente em que você vive. É também entender que você não está sozinho no mundo e levar em consideração todas as outras pessoas que podem ser impactadas por você hoje e sempre.

Resumindo: O que você faz hoje pra você, reflete no amanhã de alguém mais. Perceba, pense e preserve.

Trazendo o conceito de sustentabilidade para a comunicação é exatamente a mesma coisa. É você ter consciência de que sua comunicação não se encerra no momento em que ela ocorre, mas sim que ela deixa resíduos duradouros e que serão utilizados por outros ao longo de sua caminhada.

É utilizar a comunicação em pleno potencial sem esgotar ou prejudicar os recursos futuros.

Exemplo disso é o vendedor que constrói uma relação de fidelidade com seu cliente ao invés de tentar tirar tudo o que pode em uma única venda pensando apenas na meta do mês.

O quanto sua comunicação impacta no seu ambiente de trabalho? Você está construindo ou destruindo no longo prazo? Quais e quantos resíduos você deixa? O que fica na cabeça das pessoas com quem você interage?

Essas e muitas outras questões aparecerão em nosso caminho durante a jornada da comunicação sustentável. Vamos com calma. Por hoje basta você saber o seguinte:

Sua comunicação impacta no seu ambiente de trabalho transformando-o e moldando-o de acordo com as necessidades, objetivos e interpretações de cada um.

Resta saber se o que você faz é pensando apenas no ganho imediato ou na longevidade de suas ações.

Fico por aqui, mas ainda tem muito pano pra manga. Daqui alguns dias a gente volta a costurar de novo.

bjs, abs e piparotes!

Post to Twitter Tweet!

Como usar a raiva a seu favor em 4 passos muito simples.

PARE2 e seja VIP:

Perceba

Tenha consciência de seu estado e principalmente a causa ou origem dele.

Aristóteles disse uma vez: “Zangar-se é fácil, difícil é zangar-se com a pessoa certa, no momento certo, na intensidade certa e pelo motivo certo.”

Este milionésimo de segundo em que você pára e escuta seu corpo e mente poderá salvar seu emprego ou de outros. O simples fato de você perceber seu estado já acalma a amigdala que diminui sua atividade e pára de enviar mensagens de perigo para seu corpo.

Analise

Faça como se fosse um observador, uma terceira pessoa e leve em consideração o maior número possível de informações que possam estar envolvidas nesse seu estado principalmente as que lhe contradizem. Durante a análise é fundamental que você peça licença para sua “voz interior” , “seu diabinho”, “seu julgamento” e permita-se ver o outro lado e suas motivações.

Reflita

Com a análise feita ai é a hora de botar em prática o seu julgamento, sua capacidade de projeção.

Quais os riscos envolvidos?

Qual objetivo quero alcançar?

Quem são as pessoas, fatos ou coisas com as quais estou com raiva?

Elabore diferentes cenários para diferentes possibilidades, pois isso lhe ajudará na hora da:

Escolha

Depois de ter refletido sobre os desdobramentos ai você poderá fazer uma escolha que tenha como consequencia algo positivo para você.

É o momento de você traçar sua estratégia.

Execute

Mãos a obra. Nesse estágio você estará consciente, com recursos e cenários que lhe garantirão a melhor atitude.

E tenha sempre, durante todo o processo uma:

Visão Intencionalmente Positiva

Ou seja, lembre-se que as pessoas querem se conectar umas as outras, que ninguém tem como motivação fazer o mal a outro e sim fazer um bem a si mesmo (mesmo que para isso acabe fazendo mal a alguém), que é possível achar uma solução para qualquer problema e que pedir ajuda ou mostrar-se vulnerável traz melhores resultados do que uma cara fechada, um resmungo ou um ataque.

Neste exato momento (se é que você chegou até aqui) você deve estar se perguntando:

To no meio de um acesso raivoso e o mussarela quer que eu faça tudo isso?!?

Tá louco! Só pode ser! Louco de pedra!

Pois bem, saiba que todo o processo acontece num piscar de olhos e fica cada vez mais automático quanto mais você praticar.

Dicaneural: as sinapses ficam cada vez mais fortes e rápidas através da repetição.

Sem contar que isso lhe garantirá os preciosos segundos para voltar ao prumo antes de qualquer atitude impetuosa ou impulsiva.

Ou você nunca ouviu ou mesmo disse: “me desculpe, eu tava nervoso(a) não queria dizer isso…”

Enquanto isso na caixa preta…

A cooperação traz mais benefícios a você do que a vingança. Soltar a raiva só aumenta sua sensação de mal estar. Ser benevolente, mesmo com quem te ferra, faz seu sistema de recompensa (receptores de dopamina) entrar em atividade e dar a você uma sensação de satisfação duradoura.

Ou seja, mesmo se for por puro egoísmo ou apenas para cessar a raiva, a melhor escolha é sempre ajudar, perdoar, cooperar e seguir em frente. Os sintomas da raiva desaparecerão, aquele mal estar incômodo será suavizado muito mais rápido se você escolher pelo caminho da empatia, da compaixão, da conexão.

Eu sei que parece ilógico ser altruista com alguém que te ferra, mas que funciona, funciona…

Mágica? Não, é apenas o instinto de conexão. A natureza é sábia…

Post to Twitter Tweet!

Carta pela Compaixão – Charter for Compassion

Na sua comunicação um dos seus maiores aliados é a sua capacidade de “sentir com o outro” ou Compaixão.

A megahiperultradica é: “Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem com você mesmo” Ou numa tradução positiva “Faça aos outros aquilo que você gostaria que fizessem por/para/com você”

Simples demais? Isso você já sabia?

Provavelmente sim, você já sabia. Afinal este é um preceito que é difundido em todas (eu disse TODAS) as crenças mundo afora.

A questão está justamente na prática deste fundamento. Ela está esquecida, deixada de lado, relegada ao segundo plano em detrimento a vida agitada das grandes metrópoloes, da busca por ser bem sucedido custe o que custar, na falácia de que os fins justificam os meios entre outras loucuras de nossa vida contemporânea maquiavélica.

A boa notícia é que se iniciou um movimento em busca do resgate dessa prática, tão simples e tão eficaz, que se chama Charter for Compassion (ou Carta pela compaixão) que uniu pessoas das mais variadas etnias e crenças em torno deste ideal. Só falta você.

Abaixo está o texto retirado do site (que pode ser visitado aqui) . É uma obra de arte, uma forma de encarar a vida, uma ferramenta multiuso. Use e abuse.

Carta pela Compaixão

O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, eqüidade e respeito.

É necessário também, tanto na vida pública como na vida privada, nos abstermos, de forma consistente e empática, de infligir dor. Agir ou falar de maneira violenta devido a maldade, chauvinismo ou interesse próprio a fim de depauperar, explorar ou negar direitos básicos a alguém e incitar o ódio ao denegrir os outros – mesmo os nossos inimigos – é uma negação da nossa humanidade em comum. Reconhecemos que falhamos na tentativa de viver de forma compassiva e que alguns de nós até mesmo aumentaram a soma da miséria humana em nome da religião.

Portanto, conclamamos todos os homens e mulheres ~ a restaurar a compaixão ao centro da moralidade e da religião ~ a retornar ao antigo princípio de que é ilegítima qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, violência ou desprezo ~ garantir que os jovens recebam informações exatas e respeitosas a respeito de outras tradições, religiões e culturas ~ incentivar uma apreciação positiva da diversidade religiosa e cultural ~ cultivar uma empatia bem-informada pelo sofrimento de todos os seres humanos - mesmo daqueles considerados inimigos

É urgente que façamos da compaixão uma força clara, luminosa e dinâmica no nosso mundo polarizado. Com raízes em uma determinação de princípios de transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar barreiras políticas, dogmáticas, ideológicas e religiosas. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para os relacionamentos humanos e para uma humanidade realizada. É o caminho para a iluminação e é indispensável para a criação de uma economia justa e de uma comunidade global pacífica.

Post to Twitter Tweet!

Você já gozou em uma reunião?*

Você já foi chamado para reuniões “importantíssimas” em que percebeu, após o fim da reunião, que tudo poderia ter sido resolvido em um simples e-mail?

Eu também. E com uma frequência que chega a parecer algum tipo de pegadinha dos Deuses corporativos.

Ao telefone o gerente de “gestão humana de gente e pessoas” é categórico comigo:

“-Não dá pra eu te enviar por email. Precisamos alinhar com toda a diretoria. Você tem que estar presente.”

Pronto. Essa é a senha para uma reunião em que o assunto resume-se a uma folha de papel(e que será enviada por email depois)

Ok. Se o que escuto é inevitável, então relaxa e goza*. Aproveito estes momentos em que o que está sendo falado é o menos importante, para ouvir tudo aquilo que não está sendo dito.

Qual a relação hierarquica paralela. Qual diretor tem mais influência no grupo, qual dos assuntos é mais delicado, qual pessoa é mais contemporizadora e qual a mais inflamada, como são as relações entre eles e, talvez o mais importante, o que eles realmente querem comunicar aos seus funcionários.

Torna-se quase um jogo de adivinhação muito divertido, pelo menos para mim, em que percebo as nuances e dinâmicas que se estabelecem naquele determinado grupo e, desta forma, entendo suas necessidades.

Coleto as informações invisíveis, acrescento as informações faladas, ponho uma pitada de meu julgamento (falho e superficial), mas sem exagero pois pode desandar a receita e ai sim alinho tudo o que vou falar e como vou interagir com aquele grupo dias depois. Coisas que um simples e-mail nunca me daria.

Princípio básico nº 86: Na comunicação sustentável mais importante do que ouvir o que é falado é escutar aquilo que não está sendo dito.

Subdica 34-B: as pessoas querem, precisam e preferem ser ouvidas. (tá me ouvindo?)

Conecte-se!

Bjs, abs e piparotes!

*Antes que qualquer patrulha dos bons costumes tire suas bandeiras empoeiradas do armário para armar uma luta contra o uso do verbo “gozar”. Preciso definir que, neste caso, ela está no sentido de desfrutar, fruir, aproveitar (Houaiss) e não no orgástico, ok?

Se assim fosse, isso tornaria a obtenção de uma sala de reunião algo praticamente impossível. Estariam todas ocupadas permanentemente.

Post to Twitter Tweet!

A comunicação na corda bamba

Falar não é preciso, ouvir não é preciso, interpretar não é preciso. Comunicar é preciso. Tende ao exato. Vislumbra a perfeição. É orgânico e imprescindível.

É preciso porque envolve técnica, habilidade, planejamento, lógica, raciocínio, análise, correção, metas, resultados e um monte de outras coisas que mesmo que vc não tenha consciência de que está fazendo você faz. É preciso pois sem a comunicação não fazemos coisa alguma, não somos, não interagimos, não existimos.

Como pode ser preciso se o próprio titulo é ambíguo? Pois comunicar é preciso até mesmo em sua subjetividade. Ate mesmo a possibilidade interpretativa deve ser intencional, calculada ou prevista.

Você diria que uma equilibrista que atravessa dez metros de distância, por um cabo de no máximo um centímetro de largura, a sete metros da altura sem nenhum deslize, com um daqueles guarda-chuvinhas chineses na mão, sem hesitar e sem perder a concentração esta sendo precisa naquilo que faz?

Assim como a comunicação, toda a caminhada da equilibrista não é uma sucessão de acertos, e sim um sem número de correções ao longo do caminho. Para cada deslocamento de seu centro de gravidade uma infinidade de correções imperceptíveis, feitas minuciosamente, garantem a ela essa precisão. Ela sabe de onde vai sair,  onde quer chegar, do que é feito o caminho e como fazer as correções necessárias para ter sucesso nesse objetivo.

Essa é a precisão que buscamos ao comunicar.

megahiperultradica nº876: Não vá em busca de um acerto. É tombo na certa! Saiba corrigir os erros durante a caminhada.

Post to Twitter Tweet!

Marte e Vênus falam a mesma língua, o que muda é o objetivo da comunicação.

Rebeca trabalhava no escritório a pouco mais de dois meses e naquela manhã adentrou a sala de Orlando de sopetão. Nem pediu licença e já foi falando:

-       Ai Orlando, perdi todo o relatório da reunião de hoje! E agora o que eu faço?

-       Como assim perdeu? Esqueceu em algum lugar?

-       Não! Perdi, apaguei, não salvei, sei lá o que aconteceu Orlando!

-       Calma você está muito nervosa…

-       Nervosa eu!?!? Ner-vo-sa!?!?

-       Relaxa é só você ligar pro arnaldo de TI e pedir pra ele um backup dos últimos documentos do seu terminal. Pronto. Agora engole esse bico e volta pro trabalho que a gente tem muito o que fazer…

Rebeca sai mais furiosa do que quando entrou, Orlando não entende, dá de ombros e pensa “TPM, pra que continuar nervosa se já tá tudo resolvido?, só pode ser TPM” e continua seu trabalho lépido e faceiro. Dias depois na avaliação 360º ele vê com surpresa que Rebeca o qualificou como fraco no trabalho em equipe.

Eles nunca mais se falaram.

…………………

Homens e mulheres comunicam-se de maneiras diferentes.

Os homens dividem problemas para encontrar uma solução. As mulheres dividem problemas para estreitar laços, simplesmente para compartilhar, enviar ou receber empatia, compaixão.

É muito comum uma mulher vir falar com um homem sobre um problema qualquer e de bate pronto o homem responde: “ah, isso é simples, basta você..” ou então “E você está preocupada com isso? Do que vai adiantar” e ainda “por que você não tenta…”. Pronto, está armada a confusão.

O homem vai achar que fez sua parte dando a solução e a mulher vai achar que ele não deu a mínima pois “só” deu a solução e nem se preocupou com ela.

É muito comum um homem dividir um problema com uma mulher e ela ficar apenas se lamentando com ele “puxa, que droga né?”, “nossa! Eu imagino o que você está sentindo…” e o clássico “ai que chato isso! E como você tá?”.

Megahiperultradica nº 39: Se você é homem, antes de propor uma solução para algum problema que uma mulher divida com você, interesse-se por ela, seus sentimentos em relação ao problema, a emoção que está sentindo e tenha compaixão, ou seja, sinta junto com ela.

Ao invés de dizer o que fazer, pergunte o que ela acha que deve ser feito. E concorde. Sempre. (sim, sempre) Passado este momento das preliminares (elas adoram preliminares) ai você estará seguro para lançar um “e se a gente…”

Frases que funcionam:

“Não acreditoooo” (com o “o” estendido em sinal de preocupação)

“Nossa, que horrivel!” (por mais boba que possa parecer a questão)

“Eu imagino o que você está sentindo, é chato né? (Espere a resposta. E balance a cabeça em consentimento)

“Ai, eu não queria estar na sua pele e agora?” (se quiser começar a se incluir na conversa bote um “o que a gente faz?”)

Quando for fazer um acompanhamento do problema preocupe-se primeiro com ela “Como você está?”, “Melhorou?”, “tá menos tristinha” (que se for dito “tistinha” com um bico no final traz melhores resultados)

Megahiperultradica nº 40: Se você é mulher e um homem divide um problema com você, ele está tentando encontrar uma solução, está pedindo para que você ofereça alternativas e/ou pense junto com ele no problema. “ele” é problema dele, ele só quer a solução. Depois, talvez, ele divida os sentimentos com você.

Se ele não o fizer, isso não significa que não goste de você, que não se importe com você ou que não queira fortalecer os laços de relacionamento.

Ele já fez tudo isso ao abrir pra você que ele tem um problema. É o equivalente a pedir informações no trânsito. É só em último caso. Afinal eles sabem se virar.

Frases que funcionam:

Qualquer uma que venha acompanhada de pelo menos uma tentativa de solução do problema. Podem ser sugestões, pessoas que possam ajudar, planos B ou até mesmo uma outra persectiva do problema.

(Depois , se ele se abrir sobre os sentimentos aí você dá o bote e pratica a compaixão)

…………………

Pode ser que você não acredite em uma palavra do que escrevi até agora. Peço-lhes que experimentem e vejam os resultados por si só.

De qualquer maneira vou mostrar um exemplo real e atual:

Rosana Herman, Jornalista conceituada e twiteira de primeira blogou o sumiço de seu Iphone. (@rosana)

Leia os comentários sobre o post dela e veja se encontra algum padrão nas respostas femininas e masculinas. É muito nítido! (ou será que minha dissonância cognitiva está brincando comigo?) Veja com seus próprios olhos aqui: http://blogs.r7.com/querido-leitor/2010/02/09/cade-meu-celular/

E, lógico, comentem suas descobertas depois!

Bjs, abs e piparotes!

Post to Twitter Tweet!