Atendendo ao pedido de um leitor, estou recolocando texto sobre empreendedorismo publicado em 2009.
“A força de enfrentar o risco do desconhecido e a capacidade de fazer acontecer o novo são algumas características de uma habilidade que transforma profundamente as empresas e as sociedades: o empreendedorismo. É através do espírito empreendedor que pessoas criativas vislumbram em problemas oportunidades e com persistência constroem empresas que geram inovações, empregos e desenvolvimento. Entidades como o Instituto Endeavor (bota pra fazer!) fazem no país de forma brilhante o apoio a estas iniciativas.
Mas não é uma ferramenta exclusiva de empresários ou de executivos de alta administração. Precisamos muito dentro das empresas brasileiras de pessoas em todos os níveis hierárquicos que sejam capazes de enxergar fora da caixa e de realizar as transformações, seja num processo, num departamento, num produto. De não se contentar com o que já existe, de pensar grande e agir rápido.
Conheço grandes gênios de mesa de bar, que reclamam da vida e pleiteiam ser capazes de fazer até melhor o que muitos empreendedores fizeram. Mas que pela inércia de suas rotinas, têm muitas idéias e nada fazem com elas, e reclamam dos chefes ou da vida que não lhes deram oportunidades.
Repito sempre nas equipes que liderei que só seremos conhecidos por aquilo que realizarmos, que transformarmos, que entregarmos feito. De nada adianta o plano bem feito ou a idéia no papel, ou a análise de risco se a mudança não foi plenamente implementada. Vale a capacidade e a força de perceber e fazer acontecer com agilidade.
Pra isso acredito que é preciso muitas vezes ser obstinado, acordar mais cedo, dormir mais tarde, não se contentar e perseguir o objetivo sem medo dos obstáculos. Nas tentativas de certo haverá muitas dificuldades, e poucos serão os incentivos externos. Aprender com o exemplo de líderes bem sucedidos, dentro e fora de suas empresas. Refletir sempre sobre o que foi feito durante a semana e o que poderia ser feito para melhorar na próxima, e realmente fazer o que é preciso. Nem sempre a gente acerta de primeira, é importante aprender com os erros e persistir. É relevante o exercício tanto da fé quanto da humildade. Empreendedorismo e criatividade dependem muito de esforço, de persistência. Depende 1% de inspiração, mas 99% de transpiração. Mirar longe, trabalhar duro e seguir firme.
É até um clichê afirmar que é na crise que os empreendedores se destacam, que sã contra-cíclicos e que nas dificuldades surgem as melhores oportunidades. Será que dentro das empresas é a mesma coisa? Será que nos momentos difíceis que estes perfis fazem diferença? Fato é que nunca se valorizou tanto nas empresas brasileiras a criatividade e o empreendedorismo corporativo. E você, acredita na força do empreendedorismo? “
O leitor que me pediu para recolocar o texto coloca o fato de sempre ter idéias com amigos, mas faltar coragem para colocar pra frente. Questiona se a coragem é mesmo o fator que falta. E também pediu para explicar um pouco mais o empreendedorismo corporativo.
Sobre as idéias, realmente, é fato, quantas vezes em reuniões com amigos já tivemos várias boas idéias de empresas, produtos ou serviços? E quantas vezes criticamos produtos, serviços e empresas recém criadas, com o sentimento que faríamos melhor?
É comum que pelo menos alguma vez na vida tenhamos pensado em criar um produto, um serviço, uma empresa. Isso já ocorreu com você?
E o que os empreendedores têm de diferente?
Simples: além de pensar como todos nós pensamos, eles correm o risco e fazem. A diferença é simplesmente a decisão, a coragem, o ato assumir o risco de tornar real o pensamento. Basicamente, a diferença é a coragem realmente.
E com relação ao empreendedorismo corporativo, muitas das empresas, seja por necessidade ou por visão de futuro, criam novos produtos, serviços, etc… que transformam parcial ou totalmente a empresa daí pra frente. Exemplos existem.
Desde grandes empresas, como a Intel, que era líder em chips de memória RAM, até que seu CEO Andy Grove na década de 80 resolveu mudar o rumo da empresa para a produção de microprocessadores, que é o carro chefe da empresa até hoje. Ou a Nike, que conheci mais da história em aulas em Stanford com seu CEO/fundador Phil Knight, que até determinado ano era 100% focada em calçados e roupas masculinas, e resolveu desenvolver uma linha para mulheres, que hoje representa gorda fatia de seu faturamento. Muitas pequenas e médias empresas se transformaram também através do tempo. Outras acabam morrendo por não conseguir ter um ambiente que valoriza a inovação e o empreendedorismo interno. Clássico é o exemplo de alguns fabricantes de máquinas de escrever que não se importaram com a chegada dos computadores, não se transformaram, e fecharam as portas. Qual a receita? Se interessar, pode ser assunto para um próximo post.
Mas o empreendedorismo transforma nossa sociedade, cria renda, empregos, inovações. O texto não podia deixar de valorizar todos aqueles que, de alguma maneira, fazem de idéias uma realidade e com seu próprio esforço ajudam a transformar a nossa sociedade para melhor.

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