Seu chefe realmente te dá autonomia?

O post de hoje foi originado por um email da leitora Flávia, que gentilmente enviou um assunto muito pertinente para discutirmos aqui no blog: a relação entre liderança e autonomia. A mesma questiona a falta de preparo de nossas lideranças em trabalhar a autonomia de fato das equipes, e ilustra com um exemplo da empresa onde trabalha:

“Uma funcionária da empresa onde trabalho contou-me que seu chefe (o diretor do departamento), pediu para que ela providenciasse a confecção de umas camisetas para determinado evento da empresa. Pediu também que ela encomendasse ao designer 2 estampas, as quais deveriam passar pela aprovação dele. No final do dia, a funcionária enviou por e-mail as duas imagens, uma vez que ele não se encontrava na empresa, ele abriu as imagens, olhou as duas e respondeu a ela dizendo que não tinha tempo de escolher e que mais tarde retornaria com a decisão.Ela esperou pacientemente até o final do dia e a conclusão foi: a estamparia fechou e ele não escolheu modelo algum. Lá pelas tantas da noite, ligou para o celular dela perguntando se estava tudo resolvido (camisetas prontas), obviamente a resposta foi não.Ele insatisfeito exclamou: “Fulana, você poderia ter tido mais iniciativa”.Desfecho: ele escolheu uma terceira imagem a qual foi confeccionada no dia seguinte.”

Flávia questiona no email se as chefias muitas vezes desejam a pró-atividade e por outro lado não querem perder o controle. E questiona se por outro lado a funcionária escolhesse por si só e ele não aprovasse a estampa ou a atitude.

 Comentando, com relação as lideranças terem medo de perder o controle, e por outro lado pregarem autonomia, isso é muito comum. Pessoalmente, é uma das coisas que mais me irrita, ver pessoas arrotando que fazem isso ou aquilo e por outro lado fazendo ao contrário. Em posts anteriores já citei em post anterior   a expressão inglesa “walk the talk”, que remete a fazer na prática o que se prega. Pessoas que acabam fazendo algo diferente que falam no longo prazo perdem a admiração das pessoas, deixam de ser referências, não funcionam bem como líderes. E acabam, muitas vezes se tornado “babacas corporativos”, expressão esta já ilustrada e explicada aqui em post anterior.

 Com relação a qual seria a atitude correta da funcionária, a análise é muito superficial e não tem muitos detalhes do ambiente, caso, etc, mas ela poderia sim ter tentado se comunicar com o Diretor antes do final do dia, lembrando-o do prazo e já apresentando a sua sugestão de solução para o caso. Ou, dependendo do “crédito” que ela tinha com o diretor, poderia ter feito isso apenas avisando a sua decisão e deixando espaço pra ele alterar em caso de discordância. Mas, como disse antes, a análise é superficial.

 A tão falada autonomia autonomia varia muito da cultura e dos valores de cada empresa, e é amplificada pela forma de gestão das pessoas que assim lideram essas empresas. A própia Flávia em seu email citou o exemplo extremo da AES (energia), segundo suas palavras “adota um modelo da Autonomia de Setores, colocando dessa forma os funcionários a frente das mais variadas decisões da cia. Desde a compra do material do almoxarifado aos investimentos feitos pela empresa ao redor do mundo. O CEO, DennisBakke citou “Este ano tomei duas decisões, uma a mais do que no ano passado. Decidi quantos grupos regionais teríamos e quem iria liderá-los. Foram grandes decisões, por isso eu levei 6 meses para tomá-las. Eu realmente me dediquei a elas, porque se você só toma duas decisões por ano, é preciso realmente estar empenhado nelas. Quanto ao resto das decisões (estratégica, de planejamento, alocação de capital, entre outras) que precisam ser tomadas na AES – bem, foram feitas pelas pessoas que estão diretamente envolvidas com as questões ou oportunidades”.

Pg. 61/ Entrevistas com Líderes Empresariais – Interviews with CEOs/ Harvard Business Review – Ed. Campus”

E, nunca é demais lembrar que não existe certo ou errado em gestão, existem modelos diferentes que podem funcionar em ambientes e com pessoas diferentes. A minha posição é de que, com transparência, os gestores da empresa consigam deixar claro aos candidatos e aos funcionários qual o perfil de liderança x autonomia da empresa, e que mais que falar que vivam isso na prática. Cabe então a cada um de nós escolher empresas/gestores que tenham um perfil que se adequa mais a nossas características e ao que buscamos, pois não adianta ficar reclamando e remar contra um sistema que funciona de um jeito que não te agrade, se este é o sistema de determinada empresa.

 E você, tem casos interessantes sobre autonomia? Comente, compartilhe. O que acha do caso citado como exemplo?

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Ouvido não é penico, mas não pode ser cofre

Lido diariamente com jovens talentos nas empresas que atuo e um assunto continua me chamando a atenção. Vou voltar a falar sobre a habilidade, vou chamar assim, de ouvir.

Lembro como se fosse hoje de uma lição de um dos melhores CEO´s que conheci pessoalmente, que me ajudou na minha formação profissional pelo exemplo, que falava que se você pegar duas pessoas, com aproximadamente  as mesmas características, conhecimentos e formação, a pessoa que se desenvolverá mais rápido entre as duas será aquela que conseguir ouvir melhor, prestar realmente atenção nos feedbacks no caminho, tomar aquilo como meta de crescimento. Daí ouvir torna-se uma habilidade.

Sim, nosso ouvido não é pinico. Tem muita gente hoje vendendo soluções enlatadas e com conversinhas cheias de palavras bonitas e de clichês, não é isso que te fará crescer. Muita gente que não agrega.

Mas também nosso ouvido não pode ser um cofre. Por outro lado, com a inquietude e ansiedade muitas vezes antes mesmo das pessoas que estão falando conosco terem a oportunidade de chegar no meio do raciocínio já estamos pensando em outra coisa ou desviando a atenção. Mas só saberemos se agregará, se terá valor pra gente, se ouvirmos tudo, com atenção, até o fim.

Acredite, muitos feedbacks que você recebe são indiretos, são sutis, e você só consegue perceber e aproveitar de forma construtiva se estiver atento, ouvindo de verdade. E não quer dizer que você vai ouvir e assim será influenciado, pelo contrário, quanto mais você ouve com qualidade as pessoas, mais aprende a tirar boas lições mesmo sendo autoconfiante com seus princípios.

E tem coisa pior do que quando estamos falando com uma pessoa e esta pessoa não nos dá atenção? Saiba sim filtrar o que é bom para você ou não, mas não se esqueça de deixar o filtro para depois, ouça com qualidade, dê atenção, reflita.

Fato curioso é que algumas vezes pensamos ou descobrimos algo sobre nós mesmos e lembramos  “engraçado, fulano já me disse isso antes”. Porque então não demos atenção quando o fulano falou? Já aconteceu com você? Deixe aqui sua opinião.

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De volta !!

Queridos leitores e leitoras,

após um intenso período de mudanças profissionais no qual estive meio afastado deste blog que tanto me ensina, voltei a rotina de posts. Lembro aos leitores que são os comentários e as trocas de idéias que são o cerne desse blog e o que o fazem rico em conteúdo.  Muitas vezes através da sugestâo de vocês coloco aqui assuntos para discutirmos, trocarmos experiências, aprendermos juntos. Tenho o maior prazer de interagir e trocar idéias, sugestões e críticas são sempre bem vindas. Um abraço a todos, obrigado pela compreensão,

Marcelo Miranda – marcelom.miranda@terra.com.br -twitter @marcelomm77

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