A Escada Lateral

04 fev
2010

Artigo “A ESCADA LATERAL”, do engenheiro civil e escritor Wellington Cardoso de Miranda (twitter @Wellington_XYZ)

” Desde os primeiros sonhos sobre nossa carreira, seja na infância (“mamãe, vou ser piloto quando crescer”), seja na juventude, seja mesmo quando já temos uma carreira, a primeira imagem que vem à nossa mente é de uma estrutura vertical que deve ser escalada até o topo, passo a passo, e quanto mais rápido melhor.

Com esta imagem do que seria o progresso profissional, inicia-se nossa luta para subir sempre, cada vez mais, rumo ao topo. Em um mundo globalizado, acelerado, e extremamente competitivo, o imediatismo acaba vencendo a luta contra o planejamento e a estratégia. Com tanta pressa, a dinâmica, o movimento, acompanham nossos sonhos e buscas, mal nos deixando respirar, arrefecer, parar, pensar e refletir sobre o que poderia ser o “topo”.

Como o topo aparenta ser quase inatingível, acabamos por criar vários topos intermediários, como auto-defesa para vencer o desânimo. Assim podemos nos sentir realizados de tempos em tempos, em cada degrau de nossa escalada.

O degrau da escolha, o degrau do vestibular, o degrau da primeira promoção, e vai por aí afora, numa escada que parece não ter fim.

Este modelo, aparentemente bem delineado e de grande aceitação, muitas vezes confunde o profissional na busca de sua ascensão na empresa.

O movimento de subir degraus parece ser o único caminho compatível com a conquista do sucesso profissional. Mudar de faixa salarial, de junior para sênior, passar de I para II, são as fórmulas prontas e padronizadas para as diversas carreiras. Tudo parece tão bem formatado e aceito por tantos, que não nos dedicamos a repensar o caminho para se alcançar o topo.

Acabamos por dedicar todo o nosso tempo para conquistar padrões já conhecidos, como se o topo estivesse sempre acima de nossas cabeças e só com o pescoço erguido poderíamos vislumbrá-lo.

Mas a realidade muitas vezes é outra, bem menos padronizada, bem menos lugar comum, bem mais pessoal. Ao caminharmos sempre com o pescoço erguido, nos privamos de conhecer as oportunidades ao nosso lado. Com o passar dos anos, os degraus não são galgados e a frustração pode tomar conta de nossos sonhos.

Permanecemos estáticos. Sentimos a derrota. É assim mesmo, poucos são os degraus para o alto e muitos são os pés a buscá-los. Mas na carreira profissional nem todas as escadas são para os padrões de ascensão que julgamos serem os únicos. Algumas escadas estranhamente insistem em nos manter no mesmo nível, por mais degraus que consigamos percorrer.

Pura ilusão. Na verdade nos mantém subindo como qualquer outra. São as chamadas “escadas laterais”.

A busca do conhecimento, da melhoria de capacitação, a conquista do prazer no trabalho, também fazem parte de nossa caminhada para o topo, embora sejam parte das “escadas laterais”, ampliando nossos horizontes e nos deixando preparados para as oportunidades de crescimento vertical.

O sucesso não é só galgar  posições verticais, é crescer também na  horizontal, buscando e conseguindo o que nos dá prazer. Este crescimento lateral se consegue com muito esforço, muita determinação e também muita observação.

Observação, sim. Muito do que podemos aprender, no sentido prático do conhecimento, pode vir de nossa simples observação. Observem como as empresas redirecionam suas estratégias em tempos de crise, ou mesmo em tempos férteis. Observem como seus colegas buscam o “conhecimento dirigido”, no contexto de conciliar o conhecimento com os prazeres pessoais e com os objetivos empresariais, evitando gastar o tempo em aprendizados de pouca utilidade na carreira.

É preciso vencer a inércia para mantermos nossa mente sempre alerta na captação do conhecimento. E ninguém pode fazer isto por nós. O conhecimento é o capital nobre das empresas e dos que nelas trabalham. Não pode ser tocado ou medido, mas igualmente gera bons resultados, como o capital financeiro. Assim, entre a conquista de um ou outro degrau, rumo ao alto, não podemos nos esquecer de galgar as escadas laterais na busca do conhecimento e do prazer.

São degraus de difícil conquista, e podem não ter o sabor forte da vitória, pois não nos dão a sensação imediata de crescimento.

Mas são eles que tornarão inequívoca nossa capacitação para as conquistas verticais. Não devemos nos entristecer se nossos colegas galgam degraus verticais com mais celeridade (“agregam cargos”) ao mesmo tempo em que somente subimos em escadas laterais (“agregamos conhecimento e prazer”).

Cada um tem seu próprio ritmo. Uma vida própria, diferente, como uma impressão digital. A riqueza está na compreensão desta diversidade e do que uso que fazemos dela. Se existe uma escada vertical, devemos trilhar as escadas laterais até que nossa oportunidade apareça.

Assim, estaremos sempre prontos. ”

O sucesso não é só galgar posições verticais, é crescer também na  horizontal, buscando e conseguindo o que nos dá prazer.

Metas: em que altura colocar a barra?

04 fev
2010

Ontem tive uma discussão  interessante com um executivo da área de finanças de uma empresa multinacional , sobre como estabelecer metas para a equipe.

Ele era da opinião que as metas não deviam assustar os colaboradores, que deveriam ser dentro do que eles já tinham feito com pequenas melhorias a cada período.  Que assim os colaboradores se sentiriam seguros e conseguiriam executar o plano. Continuando sua opinião o mesmo acha que se a meta for alta pode desestabilizar a equipe e gerar insatisfação.

Minha opinião foi diferente. Minha opinião é que ninguém se acha mediano, que as pessoas querem se desenvolver e serem desafiadas, que o objetivo de cada profissional é crescer e cabe ao bom diretor ou ao bom gerente saber energizar as pessoas e dar ferramentas para que dêem seu melhor e consigam resultados diferenciados. Colocar metas muito austeras muitas vezes é subestimar a inteligência e o potencial das pessoas. Lógico que as metas devem ser factíveis, não podem ser números impossíveis. Mas ninguém gosta de ser nivelado por baixo. As pessoas não acordam todos os dias e vão trabalhar para serem pessoas na média. Buscam crescimento e satisfação através da realização profissional. Cabe aos gestores adequarem os sistemas de recompensa por resultados para os resultados intermediários dessas metas, para não frustrar os colaboradores em função de intempéries.

E você? Qual sua opinião? Concorda que a barra deve ser colocada no alto para desafiar as pessoas ou acredita que devemos optar mais por metas mais conservadoras que dêem mais segurança às equipes?

Afiando o ouvido

26 jan
2010

Apesar de muito se falar sobre a qualidade das pessoas de ouvir, mas de fato pouco se prestar atenção no dia a dia no comportamento com relação a esta habilidade, dois fatores específicos me fazem refletir sobre o assunto.

O primeiro é o simples fato de as pessoas não prestarem atenção, não focarem quando alguém tem algo a lhes dizer. Com a correria do dia a dia, com celulares cheios de emails, sms, twitters, etc…, noto uma imensa dificuldade em muitas pessoas de realmente prestarem atenção quando alguém tenta falar. Isso deixa quem fala com a sensação de não ser importante, de o assunto tratado não ter valor. É o que chamamos tempo de qualidade. As vezes é melhor ter 5 minutos de qualidade com alguém do que ficar horas sem foco ou atenção.

Outra ponto é a característica que poucas pessoas têm de realmente trazerem para si aquilo que escutaram. Uma das pessoas que sempre inspiraram meu crescimento profissional sempre me disse que a diferença de duas pessoas com mesmo potencial muitas vezes é a capacidade de ouvir, que aquela pessoa que melhor tirar proveito dos feedbacks que receber terá um crescimento profissional mais rápido e duradouro. As vezes prejulgamos aquilo que ouvimos, ou inconscientemente não nos damos espaço para realmente pensar no que nos foi falado.

Este são dois pontos que gosto sempre de relembrar e reforçar internamente. Para ouvir uma pessoa, primeiro é preciso realmente dar atenção. E depois realmente estar de coração aberto para ouvir e tratar a mensagem recebida. A arte de ouvir muitas vezes pode nos levar a encurtar caminhos e acelerar nossos passos, e por outro lado gera pontos positivos com aqueles que nos procuram para falar. Você tem prestado atenção realmente nas pessoas e naquilo que as pessoas que falam com você?

Ambiente de trabalho faz diferença?

17 jan
2010

Recentemente tenho conversado com muita gente trocando de emprego, e um fator sempre pula entre os primeiros na lista do que as pessoas buscam no novo desafio: um bom ambiente de trabalho.

Muitas pessoas reclamam de ambientes hostis em que a busca por resultados culmina em perda das individualidades, da cordialidade, do sentir-se bem entre os colegas. Perdem a confiança nos colegas, o que é irreversível.

Não vou negar, tenho uma formação e um estilo muito voltado a gerir por resultados, por objetivos cartesianos, mas acredito muito que as pessoas precisam se sentir bem, precisam ter espaço pra crescerem, precisam preservar suas individualidades.

De meus exemplos pessoais sempre produzi bem melhor em minha carreira quando estava num ambiente construtivo. Não quer dizer que não haviam dificuldades ou não haviam discussões ferrenhas, que não havia competição interna, pelo contrário, passamos muitas dificuldades, havia muita competição e discussões, mas as pessoas preservavam um ambiente honesto.

Não podemos confundir ambiente de trabalho com camaradagem, nem com calmaria. Senão as pessoas não se desenvolvem de fato, não haverá crescimento. Mas mesmo com todos desafios, com toda a pressão por resultados, acredito que as pessoas quando se sentem bem no trabalho tem mais possibilidade de conseguir aquele algo a mais que é o que fará diferença nas empresas. E o líder direto das equipes tem um papel decisivo de promover esse ambiente e esse espírito construtivo.

E você, considera importante o ambiente de trabalho? Ou para você só importa o resultado?

Frio na barriga no trabalho é bom ou ruim?

17 jan
2010

Tem gente que não se sente bem com o risco, sente mal em não saber se conseguirá executar a meta, não tolera o desconhecido. Já tem gente que não vive sem.

Essa semana conversei aqui na Universidade de Columbia em NY com empreendedores e é interessante notar como os mesmos se motivam pelo desafio de construir uma empresa, pelo risco do desconhecido, do ter que desbravar. Por outro lado conversei com um bancário aqui que é um planilheiro de informações, há anos faz as mesmas planilhas e está muito feliz por ter dominado o seu trabalho e conhecer a fundo o que faz a cada dia.

A aversão a riscos, ao desconhecido é uma questão de perfil da pessoa (ver post anterior sobre o assunto). Cabe aos líderes conhecerem estas diferenças e encaixarem nas equipes pessoas que se questionarão e encontrarão o equilíbrio.

Eu pessoalmente sempre me motivei pelo frio na barriga, pelo sentimento de ter de construir algo que não sabemos se somos capazes, buscar o nosso limite, de nos questionar sempre.

E você, prefere trabalhar conhecendo todos os fatores de forma segura ou se dá bem com o frio na barriga do desconhecido?

Você S/A de jan/10

07 jan
2010

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Caros leitores,

alguns já me perguntaram mais detalhes sobre minha jovem experiência como executivo e quais os últimos passos, a revista Você S/A deste mês traz reportagem de capa que ilustra os últimos passos e como me tornei CEO da BS Construtora e assumi este interessante desafio de gestão. Convido-os a ler a revista.

Link para resumo da matéria.

Foco como a luz do sol

04 jan
2010

Se deixarmos gravetos ou palha seca expostos ao sol, provavelmente nada acontecerá. Agora se colocarmos sob o foco de uma lente de contato, os gravetos e a palha pegarão fogo. A diferença é que a luz solar, quando focada, é muito mais potente de quando não tem foco.  Seja com energia solar, seja com nossa energia profissional, a situação é análoga. Quando trabalhamos realmente focados, produzimos resultados superiores e podemos fazer diferença.
Pessoas talentosas têm vários interesses e várias habilidades. Muitas vezes falta tempo aos talentos para se dedicarem a tudo isso com qualidade. Ao focar num objetivo específico, essas pessoas têm de abrir mão de alguns dos outros interesses. Esse é o ponto chave.  As pessoas geralmente preferem deixar as opções abertas, preferem não falar não e não fechar as portas para coisas que também as interessam, preferindo dedicar tempo a várias coisas ao mesmo tempo, mesmo que isso sacrifique a qualidade.
Isso acontece nas carreiras, muitas vezes as pessoas não definem um foco e ficam sem identidade profissional. Acontece também nas equipes, onde os líderes muitas vezes não focam naquelas metas que trariam os maiores resultados, geralmente com dificuldade de abandonar algum ponto que também vêem como importante.
Como sempre gosto de transmitir a equipe, os profissionais serão conhecidos simplesmente pelo que realizarem, não pelo que imaginarem. Então, realizem poucas coisas, mas coisas de alto impacto. E assim como no exemplo da luz solar, muitas vezes é o foco que nos possibilita atingir resultados de alto impacto, nos possibilita realizar algo diferenciado.
Acredito pessoalmente no foco em poucas atividades, mas atividades e tarefas de alto impacto. Seja na gestão de sua carreira seja no seu dia a dia profissional, simplifique, foque naquilo que realmente fará diferença.

Em Columbia, NY e mensagem de boas festas

22 dez
2009

Caros amigos, realizarei até o dia 15 de janeiro um curso sobre empreendedorismo na universidade de Columbia, NY, nos Estados Unidos. Voltarei com mais assuntos para enriquecer o Blog. Deixo a todos uma mensagem de prosperidade e paz para 2010.

Reputação conta, cuidado com a primeira impressão

21 dez
2009

Sou avesso a politicagem corporativa, é o tipo de coisa que me tira do sério. Lembro de um post aqui de abril deste ano neste blog onde contei o caso de Lars Dalgaard, CEO da SucessFactors, que colocou na lista de valores da empresa “respeito aos indivíduos, não aceitamos babacas.” (link para o post).

Deixando de lado qualquer politicagem, a construção de uma imagem positiva na carreira, desde que sincera, é um fator importante para a evolução de cada profissional. Mesmo uma pessoa com um bom trabalho realizado e resultados consistentes como base, nada adianta essa base se as outras pessoas não sabem desse bom trabalho e não relacionam estes resultados ao responsável. A construção de uma reputação positiva verdadeira pode dar acesso a novas oportunidades, novos recursos.

Sobre a construção dessa imagem, fato interessante é que em geral reputações são duradouras, difíceis de serem mudadas. O que nos remete ao fato de que devíamos prestar mais atenção na nossa primeira impressão com as pessoas. Estudiosos mostram que a primeira impressão é realmente difícil de quebrar por três fatores. O primeiro, ao conversar com alguém não damos tanta atenção no final como damos nas primeiras palavras, pois após algum tempo julgamos que sabemos o que a outra pessoa vai dizer. Segundo, depois de uma pessoa formar um impressão da outra, geralmente não presta muito atenção a informações discrepantes com a primeira impressão. E terceiro, muitas vezes as pessoas ouvem outras pessoas e só mais tarde fazem a interpretação mas de uma forma que seja consistente com a impressão original.

Construa sua imagem, sua reputação, mas não se esqueça que o bom trabalho e a verdade são os pilares de tudo.

As marcas também influenciam nos talentos

15 dez
2009

Sendo um curioso sobre o assunto, já assisti algumas palestras e li alguns livros sobre o valor das marcas para as empresas. Alguns leitores da área de marketing me enviaram recentemente comentários e emails sobre o valor que as marcas agregam às empresas.

Sabemos que não existe uma fórmula mágica, mas muitas empresas constroem através de suas marcas ou de algum de seus produtos toda uma áurea especial com um poder de atrair os consumidores. Atrai um público que se dispõe a pagar mais pelo produto por simplesmente achá-lo especial. Criam um diferencial intangível e tornam-se referencia.

Queria falar aqui sobre um fator que as vezes passa despercebido quando se valoriza uma marca de uma empresa ou de um produto. O poder de atração de talentos.

Muitas vezes as pessoas valorizam um produto como consumidor e almejam trabalhar na empresa que o fabrica. Isso acontece as vezes diretamente pela imagem dos produtos no mercado, que remetem a inovação, a diferenciação, etc… ou até pelo conjunto de práticas de gestão daquela empresa que acabam conhecidas pelo público em geral. Essa atração pela forma de gestão  acontece muito com empresas que nãosão de bens de consumo, mas tornam-se conhecidos por suas práticas de gestão tão somente.

Muitas vezes, por exemplo, pessoas empreendedoras buscam empresas que remetem a inovação, a tecnologia. Pessoas antenadas em questões ambientais buscam empresas com imagem atrelada a sustentabilidade, etc..

Acho interessante como os profissionais vislumbram em uma empresa características especiais ligadas ao seu perfil comportamental. Cabe então, ao RH e aos líderes da empresa, conhecer qual a imagem sua empresa está passando ao mercado. É importante saber qual a mensagem que a empresa passa àqueles que almejam trabalhar na mesma. É relevante saber trabalhar esta imagem.

E você, já se identificou com alguma empresa para você trabalhar por alguma característica da empresa ou de um produto?