Escrevendo um livro

09 mai
2011

Sim, sei que ando muito ausente do meu querido blog Administre-se. A razão é nobre: estou escrevendo um livro, o que tem consumido boa parte do meu tempo livre.

A boa nova é que os capítulos estão adiantados, e devo voltar a postar com mais frequência em breve.

Para quem acompanha este blog, peço compreensão pela ausência. Para quem chegou aqui agora, peço que dê uma olhada nos posts anteriores – e comentem! Tenho acompanhado os comentários de perto.

Um abraço e sucesso a todos!

Leandro Vieira – @leandrovieira_

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Novas tecnologias, velhas manias

01 dez
2010
01 de Dezembro de 2010. Há pouco mais de um ano, escrevi um artigo empolgadíssimo com o Kindle, o leitor eletrônico de livros da Amazon que tinha acabado de receber.

É interessante reler aquelas linhas para relembrar o meu entusiasmo com o pequeno e-reader capaz de armazenar milhares de livros. O único problema é que parei de utilizar o Kindle poucos meses depois. O motivo? Nem sei explicar direito. Acho que passei a encarar o Kindle como mais um aparelho eletrônico que perde a graça depois que o efeito gracioso da novidade se expira. E, a bem da verdade, nunca consegui deixar os livros tradicionais de lado. É como se o livro de papel fosse o de verdade e o eletrônico um genérico barato.

Não vou negar que a expectativa pela chegada do iPad também contribuiu para esquecer o Kindle no fundo da gaveta. É a velha mania dos early adopters, estamos sempre em busca do próximo lançamento.

Entretanto, meus amigos, pensando bem, a verdade é que sou apenas aquele tiozinho deslumbrado com novas tecnologias, mas que não perde suas velhas manias. Não chego a ser daqueles que lambe os dedos para passar uma página, porém, confesso, tenho tanta saudade de minha máquina de escrever – dura, pesada, barulhenta – que sinto um aperto no coração sempre que penso nela.

Ainda prefiro a minha máquina de escrever.
Espero que Jobs, Gates, Dell e seus descendentes continuem nos brindando com suas invenções maravilhosas. Mas que tenham a bondade de perdoar esse humilde balzaquiano, membro da geração limbo, aquela do final dos anos 70, que não sabe se é x, y, ou Coca-Cola. Perdoem-me, porque, ao final do dia, sempre deixarei os chinelos no pé da cama, apertarei o botão OFF de seus benditos gadgets e abrirei as páginas de um bom e velho livro. É só desse jeito que eu viajo de verdade.

@leandrovieira_

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Olá. Quero lhe fazer uma proposta indecente…

13 out
2010

Todo santo dia – eu disse t-o-d-o s-a-n-t-o d-i-a – recebemos alguma proposta de parceria no Administradores. Empreendedores e diretores de marketing muito sabidos entram em contato querendo divulgar seus produtos e serviços em troca de um benefício “irrecusável”. Vamos a alguns exemplos mais comuns:

- “Olá! Estamos fazendo um evento e queremos divulgar no seu site. Em troca, seus usuários contarão com um desconto de 5% no valor da inscrição”.

- “Olá! Queremos propor uma troca de banners. Vocês divulgam nosso banner em seu site, e vice-versa”.

O que me motivou a escrever esse artigo, foi a última proposta que recebemos. O sujeito escreveu um livro, e quer divulgar através de uma estratégia baseada nos conceitos de marketing de um guru americano de autoajuda chamado Joe Vitale. A coisa funciona mais ou menos assim: você recebe um e-mail falando do produto, que vem com um brinde x, e se você comprar AGORA receberá um pacote de bônus cujo valor é de 10 x o valor do livro que você está comprando. Você já deve ter visto esse tipo de oferta por aí, isso é mais velho do que andar pra trás.

E aí, quer ser meu parceiro?

Bom, o autor desse livro propôs que nós fizéssemos a divulgação dessa oferta para a nossa base de mais de 200 mil cadastrados no Administradores. O que receberíamos em troca? Além de nosso logotipo constar como apoiador dessa brilhante ação, ganharíamos a experiência de haver colocado essa estratégia inovadora em prática – e depois ele nos ensinaria como fazer algo parecido.

Gostaram?

Confesso que tenho calafrios quando abro um e-mail com a palavra “parceria” na linha de assunto. Sempre declinamos esse tipo de propostas, mas muitas vezes a pessoa do outro lado se irrita. Parece que a Lei de Gérson nunca sairá de moda no Brasil.

Quando a internet começou por aqui, a moda era a troca de links e banners entre os sites. Como os sites tinham uma audiência parecida – ou seja, quase nada – a estratégia até que tinha alguma lógica. Quem visitasse um site, acabaria tomando conhecimento do site do vizinho.

Hoje em dia, a coisa mudou drasticamente. Atualmente, a web é uma forma de mídia consolidada – e a que mais cresce, a propósito. As permutas ainda são comuns, mas apenas entre os veículos equivalentes em termos de audiência e número de usuários cadastrados. A Rede Globo anunciaria a sua empresa sem cobrar nada? Acredito que não. Algumas regrinhas básicas antes de propor parcerias por aí:

- Se você tiver objetivos de vender algum produto ou serviço pela web, tenha em mente que é necessário investir em publicidade.

- Se você encontrar algum site que faz anúncios de graça, esteja ciente que o seu retorno deverá ser proporcional ao valor investido, ou seja: zero.

- Se você realmente quer alavancar o seu negócio com base em parcerias, lembre-se de propor algo que reamente valha a pena para a outra parte. 5% de desconto para os associados? pfffffff!

Em suma, é a velha lição que você deve ter escutado de seus pais ou de seus avós: um negócio deve ser bom para ambos os lados. Essa é a filosofia mais simples e, ao mesmo tempo, mais profunda do mundo dos negócios.

Proposta indecente? Tolerância zero.

Você já recebeu uma proposta de parceria semelhante? Comente suas experiências mais abaixo.

@leandrovieira_

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E se você ganhasse na Mega-Sena?

22 set
2010

Quando a bendita Mega-Sena acumula, passa a ser o assunto da semana. Há pouco tempo, estava pagando algo em torno de 90 milhões de reais para quem acertasse as 6 dezenas do sorteio. Quem nunca se pegou imaginando como seria a sua vida caso a deusa da boa sorte lhe contemplasse com uma bolada dessas?

Aqui no escritório, o pessoal fez a sua fezinha. E também travamos uma acalorada discussão sobre o assunto. Relembramos os famosos casos da mídia dos infortúnios daqueles que ganharam o prêmio e tiveram suas vidas desmanteladas por traições, discórdias e, até mesmo, total falta de inteligência financeira para gerir suas grandes fortunas.

Fiquei de fora do sorteio. Não que eu não quisesse ganhar um dinheiro inesperado. Não sou avesso a sorteios ou coisas do gênero. Por exemplo, mesmo sabendo que títulos de capitalização são um péssimo investimento, tenho alguns em meu portifólio. Deve ser legal receber uma boladinha fora de hora, um prêmio que não mudaria nossa vida drasticamente, mas ajudaria em algum projeto como comprar um apartamento ou realizar um curso de MBA. Agora, uma fortuna de 90 milhões de reais da noite pro dia me assusta.

Que sorte! Agora minha vida irá mudar para melhor!

Acredito que, quando as conquistas acontecem passo a passo, elas se revestem de um tom especial e singular. Gosto de olhar pra trás e lembrar das grandes alegrias em virtude do que hoje seriam pequenos feitos. Não que conquistar alguma coisa empreste algum sentido à vida, mas dá um certo sabor às nossas vitórias. De certa forma, as recompensas pelos nossos esforços nos estimulam a dar um passo à frente, mesmo que isso seja um mecanismo imaginário ou um truque de nossas mentes.

Tenho a impressão que ganhar 90 milhões de reais de uma hora pra outra tiraria alguma parte – ou a totalidade – desse encanto. O que você iria preferir: ter 90 milhões de reais na conta por conta de um mero golpe de sorte ou ter essa mesma quantia como fruto de seu trabalho e empenho sistemáticos? Como diria o Mahatma Gandhi, a satisfação está no esforço, e não apenas na realização final.

Vamos fazer um exercício? O que você faria se você ganhasse esse prêmio na Mega-Sena? Você iria trabalhar normalmente no dia seguinte, no mesmo emprego (caso seja empregado), ou no mesmo negócio (caso seja patrão)? Você contaria para os seus amigos e parentes ou tentaria guardar segredo entre os mais íntimos? Continuaria morando na mesma cidade, na mesma casa? Seguiria seus planos anteriores à bolada, baseados no seu antigo padrão de vida? Comente mais abaixo – e que a força esteja com você.

@leandrovieira_

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Procuram-se líderes desesperadamente!

09 ago
2010

É o fim. Dia desses, recebi um e-mail sobre uma vaga aberta em uma grande empresa nacional para o pomposo cargo de “Líder do Almoxarifado”. Desde os mais remotos tempos, a humanidade deposita na figura do líder a solução para os seus anseios, cultivamos uma falsa sensação de conforto e segurança porque temos um líder a nos guiar. Nas organizações, repete-se o mesmo comportamento: precisamos de líderes, líderes, líderes! Sem líderes não chegaremos a lugar algum. Contrata-se líderes! Procura-se líderes desesperadamente!

Recentemente, o pessoal do Think Global bateu um papo comigo sobre o caso do Administradores.com.br. Uma das perguntas era justamente sobre quais seriam as tendências mais significativas na formação de um bom administrador. Sei que muitos amigos e colegas professores diriam, sem relutância, que a principal tendência se apoia na necessidade de desenvolvermos líderes. Sugeri na resposta: imagine um departamento com 30 líderes. Seria um ambiente realmente insuportável e, certamente, essa organização hipotética caminharia em várias direções, sem chegar a lugar algum.

A bronca, meus amigos, é que os recrutadores estão tão obcecados atrás de líderes que até o sujeito do almoxarifado tem que ser um exemplo de liderança – e se for um líder-servidor inspirado por monges beneditinos, melhor ainda! Isso tem criado um enorme senso de urgência entre os profissionais. Todo mundo quer ser líder, o moisés organizacional capaz de abrir o mar vermelho dos mercados.

Muito cacique para pouco índio...
Muito cacique para pouco índio…

Não vou entrar no mérito da velha discussão “líder nasce ou se torna líder?”. Liderança se aprende? Lógico! Tudo se aprende. Futebol se aprende, violão se aprende, cantar se aprende. A grande questão é: você tem alguma inclinação para alguma dessas atividades? Em caso afirmativo, vá em frente. Se você tem um ponto forte, o mais inteligente a fazer é investir em cima dele como um louco. Você, com certeza, será um dos melhores. Agora, sinceramente, se você identificar que não tem o menor talento para uma determinada atividade, reflita: realmente vale a pena concentrar todos os seus esforços para tentar diminuir um ponto fraco?

Como falei na entrevista do Think Global, existem excelentes profissionais que não têm a menor vocação para liderar alguém. Existem aqueles que, sequer, sabem trabalhar em equipe, e que preferem trabalhar no seu canto, asilados em seu universo particular, exatamente naquele lugar do espaço de onde conseguem extrair os resultados mais fantásticos. O gestor míope que só consegue enxergar importância nos líderes corre o risco de deixar escapar talentos brilhantes e singulares.

Minha dica aos gestores? Procurem talentos desesperadamente. Vão à caça de pessoas que possam, de verdade, fazer a diferença em suas organizações – sejam elas líderes, ou não.

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Como torturar pessoas usando o PowerPoint

08 jul
2010

Jogos Mortais

Criado para facilitar a vida de milhões de pessoas necessitadas de um suporte para as suas apresentações acadêmicas, comerciais e corporativas, o PowerPoint acabou se tornando um verdadeiro instrumento de tortura.

Fãs de Bill Gates, tenham calma! Eu explico.

O problema, como sempre, não é a ferramenta, mas o uso que se faz dela. A maior parte das pessoas utiliza o PowerPoint como uma bengala em suas apresentações. As razões podem ser diversas: insegurança, medo, despreparo, vontade de surpreender a plateia com os “efeitos especiais”, deslumbre com o programa, e por aí vai. A bronca é que, sem o bendito PowerPoint, adiós apresentação.

O modo mais comum de tortura é rechear os slides com texto. O apresentador, com medo de não lembrar o que veio falar, entope os slides com um milhão de frases. Para completar, ignora o público à sua frente e lê o que está escrito no telão. Pobre plateia.

clip

Utilizar o clipart do Windows é um dos clichês. Sempre em busca do caminho mais fácil, o torturador não pensa duas vezes antes de inserir aquelas imagens batidas em sua apresentação.

Outra estratégia torturante é o uso de bullet-time, aquele efeito irritante que faz as frases deslizarem na tela. A cada tópico lido pelo palestrante, uma nova frase faz sua entrada triunfante da esquerda para a direita (ou de baixo para cima, ou rodopiando, ou piscando…). Os mais empolgados ainda utilizam o pacote de sons do aplicativo:

  • “as vendas do primeiro semestre de 2010 superaram em 6% as do mesmo período do ano passado”. POW! (barulho de disparo de revólver);
  • “Em contrapartida, fomos obrigados a reduzir nossa margem de lucro em 3,29%” SCRINNNCHHHH! (carro freando);
  • “Dessa forma, para a nossa empresa decolar, minha proposta é de expandirmos nossa atuação para o estado vizinho” PLAC! PLAC! PLAC! (som de aplausos. Do programa, é claro.).

Fale a verdade: você já viu esse filme antes, não viu?

imagem

Estamos buscando alguém versado na arte da tortura. Você sabe usar PowerPoint?

Sons, imagens, vídeos e outros recursos multimídia, podem enriquecer – e muito – uma apresentação. Mas o seu uso deve ser, apenas, para apoiar a mensagem do apresentador – e nunca para o apresentador se apoiar em seu uso.

Não quero bancar o sabichão. Eu mesmo já fui um exímio torturador com o PowerPoint. Minhas apresentações seguiam o mesmo roteiro que acabei de descrever. Fui melhorando com o tempo; à medida que me sentia mais seguro para passar minha mensagem, comecei a abrir mão do copy+past de texto nos slides, e passei a utilizar uma abordagem muito mais clean, muito mais simples e harmoniosa.

Ao mesmo tempo em que pode servir como um terrível instrumento de tortura, o PowerPoint pode ser a ferramenta ideal para ajudá-lo a fazer uma apresentação fantástica e memorável.

Observe como Seth Godin, Chris Anderson, Steve Jobs e outros mestres jedis na arte de encantar plateias utilizam slidewares como o PowerPoint, Keynote ou similares. Cada um tem seu estilo e personalidade na hora de contar histórias. O que suas apresentações têm em comum é, justamente, a utilização de slides simples, pouquíssimo texto, imagens marcantes e design de impacto.

Em se tratando de apresentações, menos é mais. Acredite.

E você, já torturou alguém ou foi torturado por PowerPoint? Comente suas experiências mais abaixo! Até a próxima!

@leandrovieira_

Dica de leitura:

Apresentação Zen, de Garr Reynolds. Sem dúvidas, o melhor livro sobre a arte de fazer apresentações que já tive o prazer de ler.

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Vamos mudar o mundo?

10 jun
2010

Aposto o que você quiser. Em algum tempo da sua vida você já teve o desejo de mudar o mundo, de transformar a realidade à sua volta e de deixar a sua marca por aqui. Acertei? Lá pelas tantas, alguém tentou convencê-lo de que essa é uma tarefa impossível e que você não pode mudar o mundo. E aí você se deu conta de que a Terra gira independente da sua presença, que você é só mais um nesse balaio de gatos e que deve cuidar da sua própria vida antes de querer cuidar da dos demais. Acertei de novo?

Don Quijote de la Mancha

Y será este, mundo mejor, porque yo, sin rendirme jamás, busqué, en mi sueño imposible, poder una estrella alcanzar. (El Hombre de la Mancha)

Pois é. Dizem por aí que não podemos mudar o mundo. Em contrapartida, nunca se falou tanto em como o mundo vem mudando em um ritmo tão veloz. Gestão da Mudança virou, inclusive, uma disciplina exclusiva dentro da Administração (até este colunista deu a sua contribuição na organização de um livro, reunindo a visão de acadêmicos brasileiros e portugueses sobre o assunto). O grande paradoxo dos tempos atuais é que, ao mesmo tempo em que querem convencê-lo de que você não pode mudar o mundo, exigem que você seja um profissional flexível e adaptável a – pasmem! – mudanças.

Ora, as coisas mudam porque as pessoas mudam. Alguém dá um passo à frente e os outros vêm depois. Somos todos agentes de mudança, tenhamos consciência ou não. O legal é que quando nos damos conta disso, nosso papel se torna muito mais relevante – e os impactos das nossas ações muito mais significativos. Da próxima vez que alguém lhe disser que você não pode mudar o mundo, não dê ouvidos. O mundo está sempre mudando, e eu, você e todos nós afetamos e somos afetados por essa contínua mudança.

Querer mudar o mundo é um desejo saudável e totalmente necessário. Quer saber mais? As melhores empresas, como o Google, procuram identificar justamente essa característica em seus processos de seleção. Eles desejam atrair gente que quer fazer a diferença – e é assim que, de fato, eles fazem a diferença.

Particularmente, quando tive a ideia de lançar o Administradores.com.br, vislumbrei a possibilidade de contribuir para o avanço da área de Administração em nosso país. Dez anos depois, essa ideia inicial se transformou em um veículo de difusão e troca de conhecimentos que atinge mais de 2 milhões de pessoas por mês.

Sempre tive total consciência de que as redes sociais, os grupos de discussão e os sites especializados geram possibilidades imensas e concretas de crescimento. Cada vez que alguém se debruça sobre uma discussão e exercita sua capacidade de argumentar e expor opiniões, cresce um pouquinho. É algo que nos aproxima do que o filósofo tunisianio Pierre Lévy cunhou de “coletivo inteligente”. Essa atividade foi – e continua sendo – fundamental na minha formação profissional, pessoal e intelectual de maneira geral. Participar de grupos de discussão, fóruns do Orkut e escrever artigos, por exemplo, são formas diferentes de se construir conhecimento – algo que a simples frequência às aulas tradicionais não alcança, e não chega nem perto. Se conseguirmos estimular isso de alguma forma, estaremos contribuindo para a formação de pessoas melhores, pessoas que serão melhores em suas organizações e organizações que serão melhores em nosso mundo.

Pode até parecer um discurso idealista, utópico, uma luta contra os moinhos, mas é a forma que encontrei de atirar as estrelas de volta ao mar – e de trazer mais pessoas para essa caminhada.

E você, o que tem feito para mudar o mundo?

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Desventuras de um early adopter

28 abr
2010

Comprar produtos logo que são lançados pode dar prejuízo, mas é tão bom…

Sou constantemente zoado em minha família por fazer as “piores compras”. Por não conseguir conter a curiosidade, tenho a mania de comprar os produtos assim que são lançados.

Sabe quando teve o boom das TVs de plasma em 2006, ano da última copa? Pois é. Paguei 9 mil reais na minha. Alguns meses depois os preços despencaram, e os meus irmãos me chamavam carinhosamente de otário toda vez que me viam, virou quase um apelido. Algum tempo depois, com o mesmo dinheiro já era possível comprar duas TVs iguais à minha.

Logo que a Apple lançou o iPod Touch em 2007, não hesitei em comprá-lo. O único detalhe é que o iPhone, lançado no resto do mundo alguns meses depois, fazia tudo o que o Touch faz, mas com a singela diferença de servir também como telefone celular. Meti o pé na jaca de novo.

No ano passado, no primeiro dia em que o Kindle foi lançado para o resto do mundo, lá estava eu novamente, cego para os valores e possíveis consequências de comprar um produto recém lançado. Novamente, pouco tempo depois o preço do gadget da Amazon caiu e, para a minha irritação, eles liberaram para compra internacional o Kindle DX, com tela maior e com mais recursos. Bastardos!

Em termos teóricos, no Ciclo de Vida da Adoção de Tecnologia, enquadro-me na categoria de “Early Adopter”, ou adepto inicial, representado no famoso gráfico em forma de sino abaixo:

 

Fonte: Moore, Geofrrey A. Inside the Tornado.

Geoffrey Moore, consultor americano que ficou famoso após a publicação de Crossing the Chasm (Atravessando o Abismo), explica que esse modelo da década de 50 postula que, quando um mercado confronta-se com a possibilidade de mudança de paradigmas – como a transição das máquinas de escrever para os processadores de textos -, os consumidores se separam ao longo de um eixo de aversão ao risco, iniciando com os inovadores (innovators), imunes ao risco,  terminando com os retardatários (leggards), totalmente avessos ao risco. Entre esses dois extremos, surgem outras três comunidades, identificadas como adeptos iniciais (early adopters), maioria inicial (early majority) e maioria tardia (late majority). Segundo o modelo, a mudança á adotada sempre da esquerda para a direita.

Moore identificou algumas características peculiares de cada grupo, e os rebatizou da seguinte forma:

1. Inovadores = Entusiastas pela tecnologia - São aqueles caras realmente comprometidos com a nova tecnologia, e que têm prazer em dominar as suas complexidades. Você já deve tê-los visto na TV passando a noite na rua, na fila de alguma loja, para serem os primeiros a comprar o último lançamento da Apple. Essas pessoas são extremamente importantes. Se algum determinado produto não cair no gosto dessa turma, as chances de conquistar os demais grupos serão muito pequenas (um exemplo claro é o do Zune, MP3 player da Microsoft criado para concorrer com o IPod).

2. Adeptos Iniciais = Visionários – Esses são os verdadeiros revolucionários, dispostos a usar a descontinuidade de qualquer inovação para romper com o passado e começar um futuro totalmente novo. Juntamente com os entusiastas pela tecnologia, eles formam o mercado inicial. Enquanto os entusiastas desejam explorar, os visionários desejam aproveitar o novo recurso.

Uma vez que a empresa obteve sucesso na conquista do mercado inicial, formado pelos entusiastas pela tecnologia e pelos visionários, deverá procurar outro tipo de cliente, que deseja apenas o que os outros desejam. São os pragmáticos.

3. Maioria Inicial = Pragmáticos – Agora estamos falando do grosso de todas as compras de infraestrutura tecnológica. Eles não amam a tecnologia, mas entendem a sua necessidade. Entretanto, os pragmáticos procuram adotar inovações somente após comprovarem que elas realmente funcionam, são necessárias e promovem melhorias. Olham com desconfiança para novas marcas e preferem confiar apenas nos líderes de mercado.

4. Maioria Tardia = Conservadores – Sabe aquele tipo de cara pessimista diante da possibilidade de se adotar uma nova tecnologia, que não deseja que nada atrapalhe o seu próprio jeito de fazer as coisas? Os conservadores relutam em investir em novas tecnologias, e só o fazem sob pressão. São muito sensíveis a preços, altamente céticos e muito exigentes. O segredo para fazer negócio com os conservadores é justamente simplificar os sistemas e transformá-los em produtos funcionais.

5. Retardatários = Céticos – Combatem a alta tecnologia, são muito menos clientes potenciais do que críticos onipresentes. Contudo, o objetivo do marketing de alta tecnologia não é vender para eles, mas ao redor deles.

Em conjunto, esses cinco grupos constituem o Ciclo de Vida da Adoção de Tecnologia. Durante a década de 80, as empresas se apoiaram na ideia de desenvolver o mercado trabalhando de um perfil para o outro. Em tese, isso era maravilhoso. O que Moore identificou foi que, na prática, a teoria não funcionava com frequência. A transição dos visionários (early adopters) para os pragmáticos é especialmente complicada, em virtude das diferenças gritantes entre os dois grupos. Ao invés de estarem dispostos lado a lado, como o modelo previa, Moore apontou que existe um abismo (the chasm!) entre eles – e atravessar esse abismo não é tão simples quanto parece.

Perdoe-me o leitor entretido na leitura por não ensinar a cruzar o abismo nesse artigo. A fórmula não é simples, o próprio Moore a vem desenvolvendo e aperfeiçoando desde a década de 90, sendo explorada em vários de seus livros. Por falar em livro, não deixe de procurar em sebos o Dentro do Furacão (Inside the Tornado), se eu não me engano, a única obra de Geoffrey Moore traduzida para o português. É uma edição da Futura de 1996. Pela relevância, merecia ser tratada com mais carinho.

Voltando ao tema principal do artigo, sugerido no título “desventuras de um early adopter”, estou me coçando agora pelo IPad. Por diversas vezes em sites de comércio eletrônico, já cliquei em “colocar no carrinho” o novo hit da Apple. Tomando com base minhas experiências anteriores, uma voz na minha cabeça sussurra: “espere mais um pouco”. É difícil. Muito difícil. Eu sei que o produto vai baixar. Eu sei que eles deverão lançar brevemente uma nova versão aprimorada, com novos e melhores recursos. Mas e daí? Enquanto isso, eu também sei que o IPad existe e eu não o tenho…

E você, em qual das categorias se encaixa? Você é um entusiasta pela tecnologia, um visionário, pragmático, conservador ou cético? Que tal compartilhar suas experiências de consumo, bem ou mal sucedidas, mais abaixo?

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Você é um profissional Jack Bauer?

14 abr
2010

Em apenas um dia, Jack Bauer consegue salvar os Estados Unidos de ataques terroristas – não apenas uma, mas diversas vezes, evita atentados à vida do presidente, identifica traidores, interroga suspeitos, invade embaixadas, foge de prisões, infiltra-se em grupos inimigos e, no fim de 24 horas, consegue dar conta de todos os desafios. Nenhum outro personagem do cinema ou televisão é tão eficaz quanto Jack Bauer.

Peter Drucker foi, sem dúvidas, o pensador que mais bateu na tecla sobre a importância da eficácia. Segundo o pai da administração moderna, eficácia significa fazer as coisas acontecerem. Só isso? Exatamente. Parece simples, mas poucos são os profissionais que realmente têm a capacidade de fazer o que tem que ser feito e entregar resultados satisfatórios. A boa notícia é que a eficácia é um hábito que podemos adquirir como adquirimos qualquer outro hábito, ou seja: a partir daprática.

Drucker aponta cinco práticas essenciais para qualquer pessoa se tornar um profissional eficaz. Vamos ver como Jack Bauer lida com cada uma delas?

- Gerenciar o tempo – O tempo é um recurso limitante e totalmente irrecuperável. “Se você não souber gerenciar o seu tempo, não poderá gerenciar coisa alguma“, diria o professor Drucker. Em 24 Horas, o relógio corre literalmente contra Jack Bauer, o que faz da gestão do tempo uma questão de vida ou morte para o agente da CTU.

- Esforçar-se para dar contribuições - O foco na contribuição é a chave da eficácia. Significa transferir a atenção do profissional de sua própria função, de sua especialidade específica, para o desempenho da empresa como um todo. Drucker recomenda que se faça sempre a seguinte reflexão: “que tipo de contribuição posso oferecer que afetará de forma significativa o desempenho e os resultados da empresa em que trabalho?“. Bauer tem uma clara noção do todo. O personagem nunca se esquiva de uma missão importante com a desculpa de que “isso não faz parte do meu trabalho, não sou pago para isso“.

- Tornar produtivos os pontos fortes da organização – Nada se constrói sobre a fraqueza e, para conseguir resultados, devemos usar todas as forças disponíveis – a dos colegas, a dos superiores e a nossa própria. O executivo eficaz não toma decisões sobre pessoal para diminuir fraquezas, e sim para aumentar a força da empresa. Nesse ponto, o personagem de Jack Bauer encarna o verdadeiro gerente eficaz de Drucker. Bauer costuma tomar a frente das operações, faz questão de trabalhar apenas com os seus melhores colegas (e respeita e reconhece as competências de cada um), questiona e influencia a ordem de seus superiores – o que inclui até mesmo o presidente dos Estados Unidos! – e, por fim, tem consciência de seus próprios pontos fortes e os coloca totalmente à serviço da “organização” (no caso, a CTU e os EUA).

- Concentrar seus esforços nas tarefas mais importantes para atingir resultados – Um dos segredos da eficácia reside na concentração dos esforços. Primeiro o mais importante. Devemos saber lidar com a realidade de que sempre há mais coisas a fazer do que tempo disponível para realizá-las. Para sermos eficazes, devemos saber estabelecer prioridades e, também, posterioridades – aquelas tarefas que adiamos ou até mesmo abandonamos. Jack Bauer é um mestre nessa prática. Uma das 24 frases mais ditas em todas as temporadas da série é justamente “I don’t have time for this!” (“não tenho tempo para isso!”). Bauer, inclusive, costuma passar por cima de algumas normas e regras burocráticas que podem travar e comprometer o cumprimento de suas missões (um alerta: não tente fazer isso na sua organização!).

- Tomar decisões eficazes – Drucker observa que a decisão certa exige tanto análise quanto coragem. Cada decisão é um julgamento de risco: é um comprometimento de recursos presentes com um futuro incerto e desconhecido. Se o processo de tomada de decisão for cuidadosamente observado e as medidas necessárias forem tomadas, diminui-se o risco e aumenta-se a chance da decisão ser bem-sucedida. Todas as decisões de Bauer são extremamente difíceis e arriscadas, mas o personagem tem consciência de sua importância e não sucumbe com o peso de seu fardo – e não se exime de tomá-las, mesmo que tenha que arcar com severas consequências posteriormente.

A eficácia dos gerentes é a nossa maior esperança para tornar a sociedade moderna economicamente produtiva e socialmente viável“. Peter Drucker

Jack Bauer

I don't have time for this!

Antes que atirem a primeira pedra, quero deixar claro que devemos guardar as devidas proporções nessa comparação. Jack Bauer é um personagem fictício de uma (viciante) série de televisão. Seus fins sempre justificam seus meios nada ortodoxos. As situações impostas pelos roteiristas sempre colocam Jack entre a cruz e a espada com dilemas morais e éticos complexos do tipo “justifica-se torturar alguém para obter uma informação capaz de salvar milhares de pessoas?“. Gostaria que o leitor, sinceramente, não tomasse esse exemplos para condenar o pobre Jack Bauer e esse seu humilde fã que vos escreve. É importante lembrar que Jack Bauer jamais saiu aplaudido ao final das 24 horas. Pelo contrário, no último episódio seus problemas sempre recomeçam… tic-tac, tic-tac, tic-tac.

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O que seu filho vai ser quando crescer?

23 mar
2010

Crianças mal acabam de nascer e seus pais já estão preocupados com o seu futuro profissional. Todas essas inquietações que passamos a ter quando adultos são transferidas automaticamente para os rebentos: precisam aprender vários idiomas, precisam ser líderes (essa é boa!), precisam saber ganhar dinheiro, precisam saber falar em público, precisam ser atletas…

Os estímulos discretos (e, muitas vezes, inconscientes) que a nossa geração recebeu quando criança são substituídos por cursos direcionados a desenvolver competências específicas na garotada de hoje. Pela manhã, aula no colégio; à tarde inglês, natação, algum tipo de reforço escolar, mandarim e mais alguma atividade se houver uma brechinha de tempo; à noite – sem descanso, preguiçoso! -, preparar as atividades da escola para o dia seguinte. É a educação espartana dos tempos modernos.

This is Sparta!

Ninguém sabe se isso dará certo mais na frente. Trata-se de uma paranóia recente, e nenhuma das cobaias chegou ainda à idade adulta. O que se pode comprovar, até o momento, é que os resultados não são muito positivos: mau humor, crianças competitivas e pouco sociáveis, infância reduzida e o surgimento de  uma espécie de mini-adultos estressados e ansiosos.

Sem tempo para brincar, abstrair e divagar, essas crianças não chegam a descobrir seus verdadeiros talentos. E, de tanto se ocupar com diversas atividades, acabam não se tornando bons em nenhuma delas. Outra consequência nefasta desse tipo de criação, e que pode comprometer a formação do “futuro líder”, é justamente a ausência de um dos elementos fundamentais para o sucesso em qualquer profissão: a criatividade.

E, de fato, a produção de ideias é o motor que move o mundo. O sociólogo italiano Domenico de Masi, autor do conhecido livro O Ócio Criativo, é totalmente contrário à nossa cultura ocidental centrada na idolatria do trabalho, do mercado e da competitividade. O autor defende um contraponto necessário à essa cultura, privilegiando uma educação baseada na criatividade: “Educar um jovem para a criatividade significa ajudá-lo a individualizar a sua vocação autêntica, ensinar-lhe como escolher os parceiros certos, como encontrar ou formar um contexto gerador de criatividade, como colocar a mente à vontade, como alimentá-la de liberdade e como estimulá-la, até que, em colaboração com as mentes dos seus colegas, dê à luz a ideia certa. Significa, acima de tudo, educá-los para não temer o fluir incessante das inovações“, afirma De Masi.

Outro dia, pesquisando a futura escola dos nossos filhos, eu e minha esposa nos deparamos com alguns absurdos educacionais inconcebíveis. Uma das escolas estampava o slogan “Nós preparamos seu filho para o vestibular“. Vestibular? Como assim? Sim, nessa escola, a preocupação com o vestibular começa cedo, assim que termina a alfabetização. Outro colégio estabelecia um ranking dos alunos de acordo com as suas notas. Imaginem como se sentem o primeiro e o último dessa classificação: enquanto um se acha “o cara”, o outro se sente o último dos mortais… Essas escolas poderiam mudar o seu slogan para algo do tipo: “Nós formamos os idiotas do futuro“.

Como pai de primeira viagem (e embarcando na segunda!), também nutro certas preocupações com o futuro dos pimpolhos. Sei que devemos estimular nossos filhos a se desenvolverem plenamente para que, ao chegarem na idade adulta, tenham um determinado número de competências que os permita enfrentar as agruras da vida com segurança. Por outro lado, sou totalmente contrário à imposição de uma rotina estressante de atividades e, o pior,  tolher o direito de nossos filhos de aproveitar a sua própria infância – certamente, a melhor fase da vida, e também a mais curta.

Há alguns anos, muito antes de sonhar em ser pai, fiquei bastante encantado com uma passagem de um dos livros de Howard Gardner, o criador da Teoria das Inteligências Múltiplas, mais do que adequada para finalizar essa breve reflexão:

Quero que meus filhos entendam o mundo, mas não apenas porque o mundo é fascinante e a mente humana curiosa. Quero que eles compreendam o mundo para fazer dele um lugar melhor.”

E o seu filho, o que vai ser quando crescer?

Leitura recomendada:

Dicas de um pai que nunca foi, de Rodolfo Araújo.

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