Você sabe liderar?

Liderança, palavrinha-chave da vez. Apesar de ser algo tão antigo quanto a própria história da humanidade, a busca por pessoas com perfil de líder nunca esteve tão em alta como nos dias atuais.

Você sabe liderar? Foi essa a pergunta que fizemos para a turma que visita o Portal Administradores. Uma coisa é alguém olhar para você e avaliar se você tem pinta de líder ou não. Outra, totalmente diferente, é você mesmo ser capaz de se auto-avaliar e responder com sinceridade a questão.

Ficamos impressionados com os resultados. Mais de 2000 participantes. Exatamente a metade se considera um líder. 39% disseram se considerar líderes "às vezes" e apenas 11% assumiram não levar jeito pra coisa.

Hummm, não sei não… Será que temos tantos líderes assim?

A matéria completa sobre a enquete pode ser vista aqui.

E você, como avalia a sua capacidade de liderar?

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Tiete do Porter

Ano passado, tive meu dia de tiete. Fiquei cara a cara com Michael Porter, o maior pensador mundial sobre estratégia. Não só isso: participei também de uma coletiva de imprensa com o sujeito. Lembra daquelas mulheres que desmaiavam quando viam os Beatles, Elvis e outros astros? Encontrar o Porter, para um administrador, é quase a mesma coisa.

Estratégia Competitiva, o livro de debut de Porter, esteve em minha cabeceira durante toda a faculdade. O primeiro capítulo dessa obra apresenta o famoso artigo Como as forças competitivas moldam a estratégia – simplesmente, o artigo mais citado pela imprensa e pela academia. É nesse paper que Michael Porter apresenta o seu "modelo das cinco forças".

Metido que sou, tentei colocá-lo em saia justa: Mr. Porter, na década de 80, o senhor estabeleceu um paradigma nos estudos de estratégia. Boa parte do que se produziu na área, a partir de então, ou tenta contestar o seu modelo das cinco forças ou o utiliza como suporte teórico. O senhor considera que esse paradigma já foi quebrado?

"O modelo das cinco forças é atemporal", respondeu o professor. "No último ano, fiz um trabalho mais dedicado a essa questão e escrevi
um novo artigo… Conversei com muitas empresas, ouvi muitas críticas,
mas, na essência, acredito que este modelo das cinco forças é
atemporal. As tendências, as tecnologias, os produtos mudam, mas são
essas cinco forças que impulsionam a concorrência
", concluiu.

De fato, qualquer formulação estratégica deve passar pela análise das cinco forças: rivalidade entre os concorrentes, ameaça de produtos substitutos, ameaça de novos entrantes, poder de barganha dos consumidores e poder de barganha dos fornecedores. Se você quer ser um administrador, empreendedor ou um gestor bem sucedido, deve conhecer e saber usar esse modelo.

Quer saber mais? Recomendo a leitura do artigo Michael Porter, o estrategista da academia, de Andrei Lima.

Abaixo, eu, pagando de tiete:

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Respondendo aos leitores

Advertência: esse post é uma resposta aos comentários dos leitores ao post anterior,  “Caçadores de concursos e crescimento econômico”, cuja leitura é recomendada.

Eu sabia que iria gerar polêmica. Eu sabia que iria levar pedrada. Mas alguém tem que fazer o trabalho sujo. Agradeço, de antemão, a todos que comentaram o artigo O Ônus da Cultura do Funcionalismo Público, até mesmo ao Koisé, que disse que eu parecia o Kaká. Meus amigos, apenas gerando discussões e debates, somos capazes de avançar. Aviso que irei me estender um pouco…

A minha preocupação central é justamente com a corrida em todo o Brasil por vagas no setor público cujo trabalho em nada acrescenta ao crescimento econômico do país. Quando falo de crescimento econômico, isso não desmerece a importância do serviço público ou dos funcionários públicos. Todos cumprem o seu papel na operacionalização da máquina estatal, sem a qual não viveríamos. Em nenhum momento digo que o setor público é inútil ou "inerte" (como esbravejou o Eduardo)…

No ano passado, a revista Veja publicou uma matéria de capa com a seguinte chamada: 5 milhões de brasileiros irão prestar concurso público em 2007. Número de vagas? 100 mil. É muita gente para pouca vaga, e o estado tem um limite. Não é preciso criar modelos matemáticos para prever o que irá acontecer com essa turma nos próximos 10 ou 20 anos…

Para gerar crescimento econômico, é preciso investir em ciência e tecnologia, inovação e desenvolvimento de novos negócios. Esse é um postulado econômico puro e simples. Entretanto, grande parte de nossos maiores talentos, pessoas capacitadas, sente-se muito mais atraída pelo eldorado chamado serviço público, devido, principalmente, aos atrativos citados no início do artigo – (…)salário vitalício, benefícios garantidos pelo Estado, estabilidade, carga horária conveniente(…). Essas pessoas, por exemplo, poderiam contribuir para a melhoria das condições do setor privado – que é quem leva o Brasil nas costas -, seja estudando a fundo a problemática das empresas, seja colocando em prática a sua visão de excelência, servindo de exemplo e referência para outras empresas e outros profissionais.

Esse é o ponto central de meu artigo, que desenvolve a seguinte linha de raciocínio:

A instabilidade econômica e escassez de empregos ocasionam o desinteresse por empreender e a buscar empregos na iniciativa privada. Ao mesmo tempo, elevam o interesse de muitos por vagas no setor público, em virtude das "vantagens" citadas anteriormente. Um número incontável de pessoas com preparo e talento passa a se dedicar – e com uma certa obsessão – a passar em algum concurso. Logicamente, o setor público não pode absorver todo esse contingente de pessoas. Logicamente, alguns passam, mas a imensa maioria permanece se preparando continuamente, na espera de algum dia ser aprovado. Enquanto se preparam para os concursos, não desenvolvem habilidades e competências essenciais na iniciativa privada. Os conhecimentos que adquirem nessa jornada são rasos. Sabe mais quem sabe um pouco de tudo para poder fazer a prova, e saber um pouco de tudo é o mesmo que nada: não provoca avanços na ciência, tampouco estimula a inovação e tampouco fomenta novos negócios. Tais conhecimentos, arrisco-me a dizer, também não são úteis para promover melhorias significativas no próprio setor público. Por quê? Porque o sistema burocrático tem auto-defesas muito fortes.

Se enxergarmos a sociedade através do prisma da burocracia , iremos encontrar um grande sistema de dominação. A maior parte dos Estados contemporâneos se caracteriza por uma ordem política “nitidamente burocrática”, embora seja importante fazer a ressalva das diferenças que podem existir de base moral, legal e material de sua autoridade. Um importante pensador da Administração, Fernando Carlos Prestes Motta (já falecido), compartilhava a visão de Claude Lefort de que “a burocracia é um grupo que tende a fazer prevalecer um certo modo de organização, que se desenvolve em condições determinadas, que se amplia devido a um certo estado da economia e da técnica, mas que somente é o que é em sua essência, em virtude de uma atividade social”. Ressalta-se, nesse conceito, a questão da atividade social fazendo menção à intenção dos burocratas de se constituírem em um grupo à parte, de um sistema de poder coletivo definido a partir de sua oposição à ausência de poder dos dominados. Cita-se também a sua intenção de se organizarem em um “sistema de mando e subordinação que estabelece diferenças materiais e de prestígio entre os membros do grupo”. Para Motta, o fenômeno burocrático caracteriza-se por um conservadorismo expresso especialmente na manutenção e expansão de uma situação de privilégio.

A essência desse fenômeno é a mesma em qualquer dos sistemas políticos das classificações usualmente feitas. No lugar de representar uma ponte entre os interesses particulares e os coletivos, a burocracia serve a seus próprios interesses – “uma corporação que se defende em oposição às demais corporações”. A esse respeito, o seguinte trecho da obra de Motta merece destaque: “Enganam-se os que julgam a competência da burocracia pela satisfação dos interesses da sociedade civil. Nesse sentido, a burocracia é sempre incompetente, já que como círculo fechado vive para si própria. A competência da burocracia precisa ser vista na sua capacidade de manutenção e expansão enquanto sistema de poder”.

Mais uma vez – e já me encaminho para o final -, o setor público é indispensável em toda e qualquer sociedade. Uma das características dos países desenvolvidos é justamente o perfeito funcionamento das suas instituições, elemento fundamental para que os atores sociais se desenvolvam e contribuam para o desenvolvimento de seu país (questão central também do pensamento de Douglas C. North, Nobel de Economia). Porém, como coloquei já no fim do artigo, o Estado brasileiro não faz sua parte. Pelo contrário, joga contra. Nesse sentido, estamos em um mato sem cachorro.

O estado por si só não se sustenta. É preciso uma economia de mercado dinâmica para sustentar as atividades do estado, de forma que o estado possa desempenhar o seu papel de forma excelente, devolvendo à sociedade em forma de serviços essenciais aquilo que a sociedade lhe proveu na forma de tributos. Entretanto, falta dinamismo ao setor privado brasileiro. E eis aqui algo que me tira o sono de noite. Nosso setor privado realmente não é eficiente, o empreendedorismo brasileiro, no geral (e essa é uma generalização necessária), é muito rudimentar, surgindo muito mais por necessidade do que pela identificação de oportunidades. Não há diálogo entre academia e mercado. E, ao invés de termos pessoas debruçadas sobre os problemas enfrentados por nossas organizações, pesquisando, inovando ou empreendendo, temos um  êxodo cada vez maior dos nossos talentos em busca do setor público.

A questão não é se o setor público brasileiro é eficiente ou ineficiente. A questão é que o nosso setor privado precisa de pessoas capacitadas, talentosas e inteligentes, mas grande parte de nosso contingente pessoal com essas características sente-se muito mais atraída por cargos públicos. Do ponto de vista individual, todos aqueles que almejam vagas no setor público estão mais do que certos. Lógico: por que eu deveria me esforçar para atuar em
um campo cheio de riscos, sem segurança e sem estabilidade, quando posso trabalhar para o estado, sem me preocupar pelo resto da vida?
Porém, o ônus do ponto de vista coletivo é muito alto, pelas razões expostas nesse post e no referido artigo.

Bom, escrevi mais do que no próprio artigo, mas sinto-me imensamente honrado em poder debater com pessoas inteligentes como todos vocês. Até a próxima!

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