Será que vai demorar?
2009
Uma das minhas lembranças do ginásio foi quando alguns alunos descobriram os pen-friends. Este era um serviço organizado por uma empresa que conectava pessoas com interesses comuns ao redor do mundo que começavam a se corresponder – por carta, vale dizer. Lembro bem da espera pelo correio trazer a carta que revelaria a identidade de quem seria meu pen-friend. Esperar pelo correio era uma coisa normal – a velocidade de comunicação entre as pessoas era outra. Muitos anos depois, muitas tecnologias depois, hoje nos encontramos em uma época de mensagens instantâneas. No universo profissional, os e-mails tornaram-se a forma de comunicação padrão. É uma forma de comunicação assíncrona, como as cartas, mas há nela uma expectativa de respostas rápidas.
Esperar não nos agrada (como muito bem escreveu Rosely Sayão em seu blog) – nos dias de hoje tudo acontece muito rapidamente, temos pressa. Nesta nossa pressa, nesta nossa impaciência, julgamos – e somos julgados – pela nossa velocidade – de comunicação, de resposta, de tomada de decisão, de retorno.
Cada um tem um padrão de velocidade de resposta mais ou menos estabelecido para cada pessoa com quem normalmente se corresponde – e esta pessoa já tem uma idéia de quanto tempo irá levar para receber um retorno seu, baseado na velocidade em que você respondeu nas vezes anteriores.
De forma planejada – ou não – gerenciamos nossa imagem quanto à acessibilidade e receptividade. Você pode parecer mais ou menos acessível, ágil e responsivo dependendo da rapidez de resposta aos emails recebidos.
Aqui aplica-se uma regra de “O que eu não vejo, eu suponho…” Assim, quando você não repete o padrão que estabeleceu, fica à mercê da justificativa que outro dá (para si mesmo) sobre a sua não-resposta. Desta forma, boas reputações ajudam e as más, bem… Seu cargo ou tipo de trabalho que realiza pode afetar o julgamento: você está sentado a frente de um computador o dia todo ou está fora o dia todo? Porém, com a adoção dos smartphones por mais e mais pessoas, responder logo torna-se uma quase obrigação.
Uma forma de lidar com as expectativas é usar respostas automáticas de ausência ou rapidamente escrever naquele exato momento não pode responder ou não tem a informação solicitada. Mas é fundamental comunicar um prazo de retorno, senão fica aquela sensação do “passa lá em casa”. E assim, se não respondemos no prazo que o outro considera razoável, certamente ele irá procurar outra pessoa que se mostre mais acessível, ágil e responsiva.

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