Deixando pistas

Como é a sua mesa de trabalho? Super organizada, sem vestígio de papéis e coisas a fazer (no entanto tudo está escondido no fundo da gaveta), uma coleção de objetos e fotografias, post-its colados por todos os lados com anotações, colorida, acromática?

De acordo com o psicólogo Sam Gosling, autor de “Psiu, Dê uma Espiadinha!”, o que encontramos na mesa de trabalho e a sua (des)organização revelam dois lados de quem a ocupa: quem a pessoa é e o que ela considera ideal ser.

Organizado, metódico, ágil, criativo, artístico, conservador, arrojado, ocupado. Todas essas são suposições que podemos fazer sobre alguém apenas observando sua mesa de trabalho. No entanto, os objetos que vemos nem sempre correspondem à realidade. Assim, uma pessoa que não é necessariamente organizada pode colocar em sua mesa porta papéis e outros objetos que refletem sua vontade de ser mais organizado. Mesmo o ato de guardar a bagunça escondida na gaveta pode sinalizar isso. Alguém não muito pontual pode ter um relógio bem grande para sempre estar ciente do horário.

Seus objetos também revelam muito sobre seus valores pessoais: Há fotos suas com sua família? Com seu ídolo? Com seu bicho de estimação? Dirigindo uma Ferrari? Elas ficam viradas para você – o que traz conforto emocional – ou são voltadas para os outros – e funcionam como mostradores do seu universo pessoal?

A manifestação da nossa identidade acontece muitas vezes mesmo quando não estamos presentes. Que pistas você anda deixando?

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Beleza importa?

Dificilmente alguém irá assumir que julga o outro baseando-se na aparência. ”Não se deve julgar um livro pela capa”, diz o provérbio. No entanto, dezenas de pesquisas confirmam que as pessoas que são vistas como mais atraentes conseguem empregos melhores, têm mais chance de serem promovidas, recebem notas maiores, têm maior poder social e, inclusive, têm menos chance de serem condenadas em um tribunal.

Quando questionados se na hora de conseguir um emprego ser atraente era uma vantagem ou desvantagem, a maioria dos gerentes de recrutamento e seleção e executivos de RH entrevistados para uma pesquisa encomendada pela revista Newsweek afirmou que isto é uma vantagem, tanto para mulheres, quanto para homens. E não só para conseguir uma vaga, mas também para avançar na carreira. Para eles, a aparência aparece em terceiro lugar entre as qualidades de um candidato, depois de experiência e autoconfiança, mas antes de formação e senso de humor.

Até que ponto você iria na busca de uma melhor aparência por questões profissionais?

Em uma pesquisa feita pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) com 756 mulheres entre 18 e 64 anos, 13% responderam que considerariam a idéia de submeter-se a uma cirurgia plástica para se sentirem mais confiantes e serem mais competitivas no mercado de trabalho e 3% afirmaram que já se submeteram à cirurgia para aumentarem seu valor percebido no ambiente profissional.

O que você pensa a respeito?

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Será que alguém reparou?

Pesquisas feitas por Thomas Gilovich, do Departamento de Psicologia da Cornell University, demonstram que as pessoas têm a tendência a se focar em excesso em seu comportamento e aparência e superestimam quanto esses são óbvios para os outros. Muitas vezes nos achamos o centro das atenções, quando, na verdade, os outros reparam em nós muito menos do que imaginamos.

Isto vale tanto para situações negativas, como quando cometemos uma gafe ou num dia que não conseguimos acertar o penteado, quanto para situações positivas, como quando sentimos que tivemos uma boa performance em uma reunião. É uma grande ilusão acreditar que todos perceberam aquilo que achamos que perceberam. Da mesma forma, as pessoas não percebem facilmente nossos estados emocionais como nervosismo ou insatisfação. No entanto, acreditamos que sim, comportamento ao qual ele deu o nome de “ilusão de transparência”.

Nossa tendência é sermos muito mais exigentes conosco do que somos com outras pessoas. Por este motivo, acreditamos que seremos julgados com o mesmo grau de exigência – no entanto, não é assim que acontece. Como conseqüência, muitas pessoas acabam se preocupando de forma exagerada com sua imagem. Cuidar da imagem profissional é fundamental, mas sem exageros. Ações sem consistência, com o único objetivo de “parecer bem na fita” tiram toda a espontaneidade – e isto não é bom gerenciamento da imagem.

A dica aqui é “confiar no seu taco”, ter consciência e segurança da reputação que construiu e não se deixar abalar por detalhes pequenos, que como vimos, são meros detalhes, imperceptíveis para os outros.

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Lidando com o imperfeito

Ao ler uma entrevista com a atriz Fernanda Montenegro, comecei a pensar a respeito do que muitas pessoas acreditam ser “uma boa imagem”. Nesta entrevista, ela diz: “O teatro não nos tira do âmbito humano. Mesmo as divas tropeçam em cena, sofrem acesso de tosse, esquecem o texto e temem não dar conta do recado.”

Mais do que procurar a perfeição, cuidar da imagem envolve ter a segurança e o jogo de cintura para saber agir quando as coisas não saem da forma que esperamos. O ponto de partida é sempre procurar fazer as coisas e se apresentar da melhor forma, mas estar preparados para o que pode dar errado também faz parte do pacote. Comecei a me lembrar de situações de trabalho em que fui surpreendida por laptops que não funcionaram, tropeços no palco, cadeiras que “se moveram” nas demonstrações dos modos de sentar e quase me fizeram ir ao chão, pessoas quimicamente alteradas na platéia de palestras, entre outros. Tudo parece ir bem e, de repente, você se encontra em uma posição que pode te deixar sem graça, ou como falamos, te fazem perder o rebolado.

Nesta horas, a habilidade de rir de si mesmo, não levar as coisas tão a sério e, mais importante, saber que, mesmo assim, o controle da situação está nas suas mãos são posturas fundamentais. Acidentes de percurso não são suficientes para prejudicar a imagem de ninguém. Quando a reação é dramática ou intensa, é disso que as pessoas irão lembrar.  Se o profissional se recupera rápido, sorri e consegue demonstrar que são coisas que não abalam sua autoconfiança, em segundos a atenção de todos se volta para aquilo que você tem a dizer.

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