O carnaval, as Escolas de Samba e as Escolas de Gestão.

Quando decidimos criar ou implementar um Modelo de Gestão, inevitavelmente, recorremos aos mais renomados gurus das mais tradicionais escolas de negócios do mundo. Agora, existem algumas escolas que não são consultadas mas que se forem analisadas sem o preconceito e desconsiderando a forma ilícita como parte dos recursos são captados, podem ensinar muito a respeito de gerenciamento de projetos, motivação de equipe e foco no objetivo, comprometimento com a empresa e com o planejamento futuro, criatividade, inovação, trabalho em equipe e paixão: as Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Tomei a liberdade de capturar o Modelo de Excelência da Gestão adotado pela Fundação Nacional da Qualidade, que é uma das maiores referências no assunto no país, para traçar um paralelo entre os Fundamentos e Critérios  de um Modelo de Gestão e o seu paralelo na organização e produção de um desfile de escola de samba.

Fundamentos / Critérios   Modelo de aplicação em uma Escola de Samba
Planejamento   Uma escola de samba escolhe entre abril e maio o enredo que será apresentado no carnaval do ano seguinte. Esse enredo tem que ser algo novo ou uma revisita a um tema já explorado.
Pensamento Sistêmico   Esse enredo é a linha mestra que vai seguir a escola ao longo do ano. É a partir desse enredo que o samba enredo, as fantasias e as alegorias serão criados. Fugir do enredo é o maior pecado que uma escola de samba pode cometer.
Comprometimento   O enredo pode não ser definido pelo carnavalesco e sim pela direção da escola mas tem que ser aceito e internalizado pelo carnavalesco como se seu fosse.
Estratégia e Planos   Uma escola se prepara o ano todo para o desfile, sendo que alguns marcos ao longo do ano são previamente definidos. Entrega da sinopse do enredo para o início do concurso de samba enredo, concurso de samba enredo, apresentação dos protótipos das fantasias, redação do enredo completo, preparação do livro Abre Alas (livro entregue aos jurados para explicar como o enredo foi apresentado através das fantasias e carros alegóricos) e outros. Sem esses “entregáveis” as demais áreas da escola não podem começar os trabalhos.
Pessoas e Liderança   A maioria esmagadora de quem trabalha para colocar um desfile de escola de samba na avenida não é remunerado. Os diretores de ala, ritmistas, merendeiros, e outros dedicam tempo e esforço pelo puro amor a escola ou ao carnaval.
Sociedade   As escolas de samba, em sua grande maioria, tem projetos sociais com cunho assistencialista e/ou de inclusão social. Vejamos o exemplo da Mangueira onde existe a Mangueira do Amanhã, a Vila Olímpica da Mangueira e projetos específicos nas áreas de Saúde, Educação, Trabalho e Cultura.
Informações e Conhecimento   O enredo de uma escola de samba é produzido, criticado, validado e explicado a todos os trabalhadores, remunerados e não remunerados, que produzem o carnaval de forma a fazer com que todos entendam o que esta sendo produzido e qual parte do enredo esse “produto final” vai retratar ou explicar. Algumas escolas, Beija Flor por exemplo, tem reuniões para discussão e entendimento do Enredo.
Resultados   O produto final é a maior festa popular do mundo e o evento com maior audiência da Globo Internacional.

 Adicionalmente a esses pontos existem duas outras características típicas de um desfile de Escola de Samba que se transportados para uma empresa gerariam um diferencial gigantesco: paixão no que se faz e vontade de construir algo encantador !!!

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

 

Leia também:

 http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2012/02/02/por-vontade-propria/

http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/14/equipe-cuidados-ao-monta-la/

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“Por vontade própria”……

Três fatos coincidentes me chamaram a atenção essa semana. Em um consultório médico, que é um ambiente propício para a proliferação de revistas antigas, me deparei com um exemplar de meses atrás da Vejinha onde o Walcir Carrasco escrevia, “por vontade própria”, sua última crônica para essa revista. Nessa mesma semana entrevistei um candidato e recebi o CV de um outro onde ambos diziam que “por vontade própria” se desligaram de seus antigos empregadores e que estavam disponíveis para receber novas propostas de trabalho.

 Depois de me deparar com tantos “por vontade própria”, parei para refletir e reparar o quanto esse termo tem invadido o mundo corporativo. Percebi também que de uns tempos para cá, ninguém mais é demitido.

 Nada contra a utilização desse termo desde que o mesmo seja aplicado dentro do contexto do que realmente ocorreu, até porquê, salvo exceções como falha ética ou desvio de conduta, não existe nenhum demérito em ser demitido.

Para cada demissão existe um contexto que tem que ser estudado e entendido antes de se qualificar, ou desqualificar, o profissional. Fusões ou aquisições que criam sobreposição de funções, mudanças estruturais ou estratégicas na empresa que geram uma mudança no job description de uma posição e com isso uma inadequação de perfil do atual colaborador para com esse novo cenário, desalinhamento entre as ambições de carreira do colaborador e as possibilidades da empresa, redução de quadro em função de ganho de produtividade ou evolução tecnológica são alguns de exemplos de situações que podem gerar uma demissão e que não deveriam impactar negativamente o histórico profissional do candidato.

Agora, mesmo que o caso não seja nenhum dos relatados acima e a demissão tenha sido causada por falta de performance, pense várias vezes, e por dois fortes motivos, antes de usar o “por vontade própria”. Primeiro por que uma mentira em um processo seletivo causa uma mancha muito mais negativa em um candidato do que uma demissão e segundo, e mais importante, por que o maior demérito não esta em ter sido demitido e sim em não ter aprendido nada com essa demissão.

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

 

Leia também:
http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/14/equipe-cuidados-ao-monta-la/
http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/02/sonhar-e-preciso/

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Desculpem……

Caros amigos e leitores

Desculpem pelo sumiço mas depois de férias forçadas, em virtude de um problema de saúde na família, e férias para repor as energias perdidas nesse incidente, reassumo o compromisso de semanalmente trocarmos idéias e experiências nesse espaço democrático e interativo.

Abraços e amanhã tem post novo no ar.

Fábio Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim 

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