Equipe. Cuidados na estruturação.

O desenvolvimento e crescimento das empresas faz com que muitas delas revejam e ampliem seu quadro de gestores para dar sustentação a esse crescimento. Essa revisão ou ampliação normalmente acontece por promoção de algum colaborador para um cargo de gerência ou pela contratação de algum recurso vindo do mercado. Em qualquer uma das duas situações o novo gestor vai se deparar, logo de cara, com uma das tarefas mais árduas do cargo: montar ou remontar a equipe. Acho que não existe uma regra para o momento de montar uma equipe, mas gostaria de compartilhar com os amigos alguns cuidados que acho que são muito importantes e que devem ser observados.

 1. Claro que é importante que os membros da equipe tenham um bom relacionamento interpessoal, mas não é preciso que eles se tornem “amigos de infância”, que um frequente a casa do outro ou que as famílias se aproximem para que o trabalho flua positivamente. O que precisamos é cultivar um ambiente onde haja respeito e companheirismo.

2. Desenvolva um segundo, ou seja, aquele profissional que na sua ausência responderá pelos aspectos técnicos e comportamentais do seu departamento ou da sua área de atuação.

3. Contrate profissionais que sejam melhores do que você. Não deixe que o medo de perder a posição ou a presunção balizem seu nível intelectual como o teto da equipe. Lembre-se que a medida que você vai crescendo hierarquicamente sua posição passa a exigir mais conhecimento em gestão de pessoas, processos e projetos do que conhecimento técnico.  Essa defasagem precisa ser coberta com profissionais a serem trazidos para a equipe.

4. Pense na pluralidade da equipe, contratando profissionais com diferentes formações, experiências de vida e bagagens culturais. Isso vai criar um ambiente com diferentes maneiras de encarar as atividades do dia a dia, vai “abrir o leque” ampliando as discussões e, por fim, vai trazer novas perspectivas para o mesmo assunto.

5. Cuidado com o talento desagregador, ou seja, aquele profissional que é absurdamente talentoso, mas que não joga o jogo do time ou aquele profissional que “entrega”, mas deixa um rastro de sangue a ser limpo antes da próxima missão.

6. Pense com muito cuidado no momento certo de promover uma mudança na equipe, pois corremos o risco de colocar a peça certa para a engrenagem no momento errado do processo. Isso é um problema típico dos gramados ou das quadras esportivas que tem um paralelo forte no mundo corporativo. Repense em quantos casos você se lembra de um técnico que promoveu, na fase final do campeonato, a entrada de um jogador talentoso ou renomado e que ao invés de elevar o nível do time o que aconteceu foi uma queda de produção ? Será que isso não pode ser o restante do time dizendo: carregamos o piano até agora e ele chega apenas para a festa da vitória ?

Obviamente o formar uma equipe não se limita a esses pontos, mas quem sabe com eles os novos gestores já tenham o ponto de partida para suas reflexões e decisões.

 

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

 

Leia também:

http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/02/sonhar-e-preciso/

http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/05/09/discordar-e-preciso-faz-bem-e-agrega-valor/

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Sonhar é preciso.

Era mais ou menos 11hr00 da última sexta-feira quando um jovem senhor de 60 anos, que já foi menino de rua, fugiu de casa, não estudou e hoje com uma sabedoria invejável preside um grupo de empresas com vendas de aproximadamente 2,5 bilhões de reais, que esta entre as 45 maiores do mundo no seu setor, subiu ao palco para uma apresentação para uma platéia de mais de 300 clientes e colaboradores. Diferente de todas as outras oportunidades que tive de vê-lo falando, nesse dia, esse jovem senhor parecia nervoso e tenso ao apresentar uma nova divisão de negócios onde seu grupo passaria a atuar. Pensei muito a respeito desse nervosismo já que isso não fazia sentido. Ele é um experiente e excelente apresentador, o projeto havia sido muito bem estudado, o business plan para em pé, ele, e sua equipe, tem um grande conhecimento nesse segmento e os profissionais que foram trazidos para conduzir essa nova divisão são reconhecidos pelo mercado como muito qualificados para a função. De qualquer maneira o evento continuou e com o tempo essa nova divisão de negócios foi sendo apresentada ao público.  Ao final da apresentação nosso jovem senhor retoma o microfone e faz suas colocações finais.

 Nesse momento olho a minha volta e percebo que os olhos mareados do apresentador contaminaram a platéia e os que não secavam as lágrimas pareciam atônitos. E isso tem um motivo que depois de uma certa confusão ficou claro para mim. Não era nervosismo que afligia o jovem senhor e sim uma forte emoção que contagiou a plateia, pois aqueles 300 felizardos perceberam que estavam tendo a oportunidade de acompanhar um momento único. Um momento onde um grande homem que, mesmo já tendo conquistado quase tudo que podia e já tendo alcançado o respeito do mercado, estava se dando o direito de aos 60 anos começar de novo e conseguindo depois de muita luta realizar um sonho.

 Sai da sala com a certeza que sonhar é preciso e de que tenho a obrigação de, cada vez mais, sonhar com fé e trabalhar com ética para quem sabe um dia viver uma manhã como a desse jovem senhor.

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

 

 Leia também:

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http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2010/10/12/35/

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