Pleno Emprego e a escassez de talentos

Segundo dados divulgados essa semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) o Brasil apresenta um nível de desemprego inferior a média mundial e a média dos países desenvolvidos. O quadro abaixo mostra a evolução dos índices de desemprego nesses mercados antes e depois da crise de 2008.

  2007 (antes da crise) 2010 (pós-crise)
Brasil 8,2% 5,7%
Mundo 5,6% 6,2%
Países Desenvolvidos 5,8% 8,8%

Fonte: OIT (www.oit.org.br) e Portal Exame (www.exame.abril.com.br)

Ao cenário sintetizado pelo quadro temos ainda que acrescentar o enorme crescimento do número de profissionais lançados no mercado de trabalho pelas universidades, em grande parte pela já famosa entrada das classes C e D em um mercado até então fechado. Dessa maneira fico tranqüilo em afirmar, junto com vários analistas, que o Brasil caminha a passos largos para o Pleno Emprego.

Agora nos resta uma dúvida: Como o Pleno Emprego afetará nossas empresas e nossa rotina ?

De acordo com os economistas Pleno Emprego é o momento no qual todos os trabalhadores que aceitem receber o que é denominado como salário de equilíbrio estarão empregados. Dentro desse contexto cabe uma dúvida: o que acontecerá com os mais talentosos, que por sinal já são escassos no mercado ? Inflacionarão o mercado fazendo subir o salário de equilíbrio ou ficarão fora do mercado por achar que o salário de equilíbrio não remunera seu trabalho ?

Como talento é um ativo escasso no mercado não acredito que a segunda alternativa seja viável, portanto podemos começar a nos preparar para duas coisas. Possível pressão por aumento de salário, e por conseqüência pressão inflacionária, e maiores dificuldades para a retenção da equipe.

Quem pode ajudar no realinhamento dessa equação é o Ministério da Educação e do Trabalho através de práticas consistentes e recorrentes de melhora no nível de formação da mão de obra. Se o número de talentos aumentar consideravelmente, a equação se reverte.

Outro ponto importante a ressaltar é que com o nível de desemprego nos países desenvolvidos crescendo e com a baixa capacidade de reversão do quadro no curto prazo, vide o que esta acontecendo com a Espanha e Estados Unidos, o Brasil passa a ser um mercado interessante para a volta de expatriados e para a captação de talentos, por empresas brasileiras, nesses mercados.

Dentro desse contexto cabe aguardarmos e acompanharmos as próximas ações do Ministério da Educação, do Trabalho e da reação do Banco Central na sua luta frenética, e justificada, pelo controle da inflação.

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

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Se o colaborador se surpreender com a demissão, nós, gestores, erramos !!!

O processo de demissão é sempre um dos mais difíceis e doloridos para qualquer gestor, independente de sua experiência, tempo de carreira ou prática para o processo. Ter que dizer a um colaborador que, por alguma razão, ele não atende mais a expectativa da empresa e que por isso vai ter que ser desligado pode gerar noites de sono mal dormidas, desconfortos físicos e perturbação emocional.

Acho que existe uma única coisa que minimiza esse cenário e o peso desse momento: ter a certeza que fez a coisa certa, e principalmente, da maneira certa. Além de todos os pontos que sempre lemos quando buscamos referências sobre o assunto acho que existe uma regra básica para a qual o gestor deve se atentar: se o colaborador se surpreender com a demissão, o erro é seu !!!

Com isso quero dizer que existe uma grande lição de casa a ser feita pelo gestor antes da demissão e que se for bem executada pode recuperar um investimento que esta prestes a ser perdido (lembre-se que a demissão de um colaborador tem uma série de custos diretos e indiretos envolvidos) ou pode ajudar o demitido a entender melhor os pontos onde precisa evoluir para suas novas posições no mercado de trabalho.

 Acredito e defendo que, além das rotineiras sessões de feedback, o gestor deve ter uma conversa franca com o colaborador que esta prestes a ser demitido. Essa conversa deve ser clara, objetiva e deve gerar um plano de ação com atribuições ou mudança de postura e prazos para serem cumpridos. Ao final desse prazo o gestor deve fazer um balanço, em conjunto com o colaborador, e mensurar se os objetivos foram alcançados. Caso não tenham sido alcançados sugiro alongar o prazo deixando claro que se nesse novo prazo os objetivos não forem alcançados o desligamento será inevitável. Dessa maneira a demissão passa a ser tratada como uma conseqüência natural de um plano de tentativa de reposicionamento que, construído e implementado em conjunto, não foi vitorioso. Isso tende a chocar menos o colaborador e a equipe.

Concordam com isso ?

Fábio Jorge Celeguim
fjorge.celeguim@uol.com.br
@fabioceleguim

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