Pleno Emprego e a escassez de talentos
2011
Segundo dados divulgados essa semana pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) o Brasil apresenta um nÃvel de desemprego inferior a média mundial e a média dos paÃses desenvolvidos. O quadro abaixo mostra a evolução dos Ãndices de desemprego nesses mercados antes e depois da crise de 2008.
|  | 2007 (antes da crise) | 2010 (pós-crise) |
| Brasil | 8,2% | 5,7% |
| Mundo | 5,6% | 6,2% |
| PaÃses Desenvolvidos | 5,8% | 8,8% |
Fonte: OIT (www.oit.org.br) e Portal Exame (www.exame.abril.com.br)
Ao cenário sintetizado pelo quadro temos ainda que acrescentar o enorme crescimento do número de profissionais lançados no mercado de trabalho pelas universidades, em grande parte pela já famosa entrada das classes C e D em um mercado até então fechado. Dessa maneira fico tranqüilo em afirmar, junto com vários analistas, que o Brasil caminha a passos largos para o Pleno Emprego.
Agora nos resta uma dúvida: Como o Pleno Emprego afetará nossas empresas e nossa rotina ?
De acordo com os economistas Pleno Emprego é o momento no qual todos os trabalhadores que aceitem receber o que é denominado como salário de equilÃbrio estarão empregados. Dentro desse contexto cabe uma dúvida: o que acontecerá com os mais talentosos, que por sinal já são escassos no mercado ? Inflacionarão o mercado fazendo subir o salário de equilÃbrio ou ficarão fora do mercado por achar que o salário de equilÃbrio não remunera seu trabalho ?
Como talento é um ativo escasso no mercado não acredito que a segunda alternativa seja viável, portanto podemos começar a nos preparar para duas coisas. PossÃvel pressão por aumento de salário, e por conseqüência pressão inflacionária, e maiores dificuldades para a retenção da equipe.
Quem pode ajudar no realinhamento dessa equação é o Ministério da Educação e do Trabalho através de práticas consistentes e recorrentes de melhora no nÃvel de formação da mão de obra. Se o número de talentos aumentar consideravelmente, a equação se reverte.
Outro ponto importante a ressaltar é que com o nÃvel de desemprego nos paÃses desenvolvidos crescendo e com a baixa capacidade de reversão do quadro no curto prazo, vide o que esta acontecendo com a Espanha e Estados Unidos, o Brasil passa a ser um mercado interessante para a volta de expatriados e para a captação de talentos, por empresas brasileiras, nesses mercados.
Dentro desse contexto cabe aguardarmos e acompanharmos as próximas ações do Ministério da Educação, do Trabalho e da reação do Banco Central na sua luta frenética, e justificada, pelo controle da inflação.
Fábio Jorge Celeguim fjorge.celeguim@uol.com.br @fabioceleguim
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