“Por vontade própria”……
2012
Três fatos coincidentes me chamaram a atenção essa semana. Em um consultório médico, que é um ambiente propício para a proliferação de revistas antigas, me deparei com um exemplar de meses atrás da Vejinha onde o Walcir Carrasco escrevia, “por vontade própria”, sua última crônica para essa revista. Nessa mesma semana entrevistei um candidato e recebi o CV de um outro onde ambos diziam que “por vontade própria” se desligaram de seus antigos empregadores e que estavam disponíveis para receber novas propostas de trabalho.
Depois de me deparar com tantos “por vontade própria”, parei para refletir e reparar o quanto esse termo tem invadido o mundo corporativo. Percebi também que de uns tempos para cá, ninguém mais é demitido.
Nada contra a utilização desse termo desde que o mesmo seja aplicado dentro do contexto do que realmente ocorreu, até porquê, salvo exceções como falha ética ou desvio de conduta, não existe nenhum demérito em ser demitido.
Para cada demissão existe um contexto que tem que ser estudado e entendido antes de se qualificar, ou desqualificar, o profissional. Fusões ou aquisições que criam sobreposição de funções, mudanças estruturais ou estratégicas na empresa que geram uma mudança no job description de uma posição e com isso uma inadequação de perfil do atual colaborador para com esse novo cenário, desalinhamento entre as ambições de carreira do colaborador e as possibilidades da empresa, redução de quadro em função de ganho de produtividade ou evolução tecnológica são alguns de exemplos de situações que podem gerar uma demissão e que não deveriam impactar negativamente o histórico profissional do candidato.
Agora, mesmo que o caso não seja nenhum dos relatados acima e a demissão tenha sido causada por falta de performance, pense várias vezes, e por dois fortes motivos, antes de usar o “por vontade própria”. Primeiro por que uma mentira em um processo seletivo causa uma mancha muito mais negativa em um candidato do que uma demissão e segundo, e mais importante, por que o maior demérito não esta em ter sido demitido e sim em não ter aprendido nada com essa demissão.
Fábio Jorge Celeguim fjorge.celeguim@uol.com.br @fabioceleguimLeia também: http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/14/equipe-cuidados-ao-monta-la/ http://vocesa.abril.com.br/blog/gestao-estrategica/2011/10/02/sonhar-e-preciso/









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