Os medos e as angústias

Não é a primeira e não será a última vez que você lerá sobre angústias e medos por aqui (aliás, escrevi um texto em março que falo justamente sobre as angústias, se quiser ler é só clicar aqui). Desde ontem, quando postei o texto sobre o Ciclo (desncessário) de sofrimento, fiquei pensando seriamente sobre o assunto. Por que, afinal, nós – os novatos – sofremos tanto? A resposta, além de tudo o que disse no post anterior, se resume na palavra medo.

A única certeza que temos é que o futuro é incerto. Clichê isso que você acabou de ler? Sim. Clichê puro. Mas parece que nós jovens nos apegamos a essa incerteza (que absolutamente ninguém tem poder sobre) e entramos no maluco ciclo de sofrimento. “Será que serei contratado?”, “será que meu chefe gostou do que eu fiz?”, “será que sigo nessa área ou naquela?”, “será que…?”, “será que…?”, “será?”

O que será do futuro, ninguém sabe – e isso realmente dá angustia. Essa sensação de não saber absolutamente nada do que vai acontecer gera uma forte sensação de insegurança. “Abro a porta ou não?”. Fica sempre a dúvida: devo aceitar a proposta de ficar no estágio caso seja convidado ou devo tentar algo diferente? Não sabemos para onde ir e nem o que fazer.

Nunca sabemos se devemos investir nosso tempo em determinada atividade e guardar o suor para outras ou se devemos apostar em tudo, agora no começo. “Termino a faculdade e engato uma Pós ou espero um tempo?” Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Parece que tudo se resume a dúvidas. Dúvidas que resultam em medo, que acendem angústia e que nos fazem entrar no tal ciclo do sofrimento. Como acabar com isso? Simples: entrar no barco (que é a vida) e deixar o rio correr. Ouvir um pouco a intuição, deixar o coração bater e seguir o que o aquela voz que vem lá de dentro sussurra.

A gente tenta ser racional, mas a vida muitas vezes segue por caminhos tão inesperados… No mesmo almoço do Dia das Mães que conversávamos sobre o tal sofrimento, ouvi de meus pais e tios (que já passaram dos 55 anos e estão naquele momento de refletir tudo o que passou e tentar ajustar os problemas para viver o resto da vida mais felizes) que o que tiver que acontecer, acontecerá. Mais um clichê? Sim, mais um. Talvez esteja na hora de começarmos a ouvir os clichês que nossos pais tanto falam (“eu não te disse para fazer assim que seria melhor, Lucas?”) e dar mais ouvidos ao que realmente queremos. Está na hora de pararmos de querer vestir as fantasias dos personagens que gostariamos de ser e aceitar os personagem que somos: a pura essência de nós mesmos.

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Somos humanos ou apenas dançamos?

Quem não fica nervoso quando tem uma porta aberta? Entrar ou não entrar? O que será depois daquele “portal”? Uma grande amiga minha estagiava em uma empresa sólida e com nome no mercado. Depois de cinco meses lá, surgiu uma oportunidade: ir para uma empresa menor, com um salário maior, mais perto de sua casa (a outra ficava longe e ela saia muito tarde, o que era perigoso). Esses fatores não pesaram tanto quanto às tarefas que ela iria exercer. Além de atuar em uma área que sempre sonhou, no novo estágio ela deixaria de executar apenas tarefas técnicas e burocráticas para, enfim, colocar a mão na massa e trabalhar com o que a fez prestar o vestibular e entrar na faculdade que sonhava.

Estava pensando sobre a história dela enquanto dirigia e, por acaso, começou a tocar Human, do The Killers. Comecei a prestar atenção e vi que tinha muito a ver com a situação. Escutem (vejam o clipe) a seguir (quem quiser ler a letra enquanto isso, clique aqui):

Imagem de Amostra do You Tube

Are we human or are we dancers?“. Você já se perguntou se é um humano, com sentimentos, sonhos, ambições, desejos e muitas outras coisas ou é apenas alguém que dança conforme a música? Minha amiga, por exemplo, mesmo estando nervosa, com medo de trocar a estabilidade por uma empresa menor,  percebeu que a porta estava aberta e  deveria ouvir sua intuição, enfrentar a vida e deixar de ser apenas uma profissional que se contenta com um cargo e com um salário. Ela não abandonou seu sonho.

Em certas horas da vida é preciso dizer adeus à zona de conforto, se auto-desejar boa sorte, ouvir seu coração e ir em frente. E, como diz na música, “quando vir uma porta aberta, feche os olhos, limpe o coração“. Deixar um sonho por medo ou por achar que tudo está dando errado é afirmar que aquilo não era um sonho, era apenas uma vontade que não tem nada a ver com o coração.

Termino esse post com outra música do The Killers. Dessa vez Joy Ride, uma música que gosto muito. Atente-se à parte que diz que “quando suas esperanças perdem a vontade de ir, aproveite a viagem“. E não deixe de ouvir, no final da música, o trecho: “todas as suas esperanças e sonhos, tudo o que você precisa saber“.Se quiser ver a letra, clique aqui. De resto, basta apertar o play do vídeo, ouvir a música e não desistir do sonho que fez você entrar na faculdade ou ter a profissão que tem hoje.

Imagem de Amostra do You Tube

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“Estar aqui é inacreditável”

Passar 859 dias caminhando pelo Rio Amazonas a pé parece algo impossível? Não foi para Ed Stafford, que completou essa façanha ontem, às 9 da manhã na Praia do Crispim, em Marapanim, PA. “Isso prova que você pode fazer qualquer coisa, mesmo que as pessoas digam que você não pode”, disse o inglês ao jornal Estadão.

É muito contagiante ver que, mesmo com os vários problemas que passou – além de anacondas e jacarés,  índios capturaram o inglês e seu amigo e só os soltaram após membros da tribo serem contratados como guia – Stafford não desistiu de sua meta: ser o primeiro a percorrer o rio a pé. Com a nossa carreira  deve ser assim também: devemos ter uma meta e ter em mente que até a alcançarmos serão diversos os percalços e muitos os momentos em que a vontade será parar tudo, chamar socorro e fugir da rota. Mas só aqueles que conseguem passar por todas as anacondas e jacarés conseguirão cumprir a meta. Basta ler o que Stanfford escrever em seu blog, quando chegou no Atlântico:

Sentimentos? Quase impossível de descrever. Eu me preparei pra me decepcionar, mas eu estava quase em lágrimas olhando para as ondas mornas quebrando no mar com o Cho do meu lado. Um dia que eu nunca vou esquecer pelo resto de minha vida. Nunca ninguém vai tirar isto da gente.”

No vídeo a seguir você pode ver o último dia da caminhada de Stafford e sua chega ao Oceano Atlântico.

P.S.: Não deixem de ler a matéria no Estadão. Para ler, clique aqui

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