Do poder do voto

No próximo domingo, vamos às urnas depositar, ou melhor, teclar nossos votos. Nos últimos dias, as discussões tornaram-se inevitáveis. Sinto que os jovens estão mais entusiasmados que as gerações anteriores. Talvez porque os mais velhos convivem com a desilusão do passado, talvez porque foram educados com o lema “política não se discute”, talvez por já terem visto tanta coisa e acharem que o voto não muda nada.

Nós não. Os jovens estamos entusiasmados. Discutimos política, discutimos propostas, somos politizados. É revoltante ouvir a já famigerada frase: essa juventude é muito despolitizada. Quem inventou isso? Se você realmente acredita nisso, pare agora de ler este texto.

Faço parte de uma geração que acredita na mudança com as próprias mãos. Pensamos as corporações e instituições como agentes que podem e devem ajudar a mudar o país. Sabemos que é essencial colocar a mão na massa. Se para alguns fazer trabalho voluntário é fazer caridade, para a geração da qual faço parte é bem diferente. Ser voluntário é saber que podemos contribuir com aqueles que não puderem ter acesso ao que tivemos. Não queremos ser o país do futuro. Queremos ser o país do presente, definitivamente.

Me entusiasma ver isso ao meu redor. Grande parte dos meus amigos faz trabalho voluntário, pensa que a profissão que escolheram pode ajudar a construir um país melhor. Isso é ser despolitizado? Não é porque não saímos às ruas, não pintamos as cara e nem ficamos gritando algum lema vazio que não somos politizados. Somos talvez mais politizados do que todas as gerações anteriores. Pensamos-nos como parte do processo.

O mundo mudou, a política mudou, o cenário mudou. Alguns atores não mudaram, alguns processos também não. Mas os passos estão sendo dados. Dessa vez, em outras ruas: na internet. Por falar nela, acredito que as urnas sentiram seu efeito pela primeira vez. Agora é esperar o domingo e ver os resultados. Vote consciente, vote em quem você acredita.

Em tempo: é engraçado ver como as características da geração Y podem ser sentidas até mesmo na política. Percebi, em algumas conversas com amigos Ys, que o líder político ideal, para eles, é aquele que eles sentem orgulho, que eles veem ter uma trajetória de vida louvável e um discurso sincero. Achei interessante.

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Uma geração humilde…

Há um bom tempo falo que um dos grandes problemas da Geração Y se chama processos. Temos uma dificuldade imensa em entendê-los. A questão está diretamente ligada ao encantamento. Para executarmos as tarefas de forma eficiente, precisamos estar de acordo com tudo e saber para que tudo aquilo servirá. Cá entre nós, não entendo pessoas que fazem coisas sem saber o porquê ou para quê aquilo vai servir. Na pesquisa que fiz para usar na apresentação do CRIO, em Belo Horizonte, há duas semanas, essa questão ficou muito evidente. Entre as mais de 400 respostas, 32% afirmaram que o que mais atrapalha ao desempenhar uma tarefa é, justamente, não entender o processo. Essa foi a resposta que ocupou o primeiríssimo lugar entre as alternativas. Em segundo lugar, com 26% das respostas, ficou a alternativa “não concordar com a tarefa”. Em outras palavras: a tarefa não estar de acordo com os valores pessoais.

O engraçado de tudo foi ver que, nada mais nada menos, do que 94% disseram entender de processos. Temos um problema aqui. Se tanta gente entende sobre processos, quer dizer que os profissionais da Geração Y são perfeitos? Não, apenas esqueceram a humildade em casa. A verdade – me desculpem divulgar isso – é que achamos entender sobre quase tudo. Nos falta, no fundo, auto-sinceridade. Temos tanto a aprender ainda, mas achamos, muitas vezes, que somos experts em milhares de assuntos. Não, você não é um especialista em Redes Sociais só por usar o Twitter freneticamente ou é um especialista em Excel porque consegue fazer 7 fórmulas incríveis. Desculpe a sinceridade: esse é o mínimo que você precisa ter, atualmente, para conseguir um bom emprego.

Voltemos à pesquisa. Somos uma geração que acredita no intraempreendedorismo. Dos entrevistados, 53% disseram ter nascido para ser um executivo empreendedor. Queremos montar nossas empresas dentro das outras empresas. Explico melhor: não queremos abrir negócios (isso dá um trabalho danado). Queremos poder crescer, empreender, dar ideias e trazer resultados para empresas. Até porque tudo isso nos traz feedback. E se tivesse que nomear um combustível para a nossa geração esse seria o feedback.

Há um outro dado muito interessante no quesito humildade: 90% acreditam ser multitarefa. Me perdoem, mas terei, novamente que usar da sinceridade. Você consegue ficar com 9 abas abertas em diferente sites em seu navegador, sendo que em uma delas você deixa o Gmail aberto e conversa com alguns amigos, na outra está aberto o Facebook – onde outros amigos aproveitam para fofocar – e ainda tem o Twitter, que você atualiza freneticamente para saber todas as grandes novidades da vida de seus amigos. Não posso me esquecer que você fica o tempo todo com o MSN aberto e conversa com 17 pessoas. Não, isso não é ser multitarefa. Isso se chama “não trabalhar”. É claro que conseguimos manter diversas tarefas paralelamente, mas nada que as gerações anteriores não conseguissem fazer.

Outros resultados:

Para 54% um bom líder é aquele que dá exemplo com as próprias atitudes
Entre os que responderam, 84% já tiveram ou pretendem ter uma experiência no exterior
E 64% ficariam em uma empresa quando vê oportunidade de crescimento

Em tempo: para saber sobre a experiência no evento, clique aqui

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Um líder também chora…

Estamos fora da Copa do Mundo de 2010. Os único gol brasileiro não foi suficiente para nos levar às semifinais do primeiro mundial em território africano. O líder da seleção, Dunga, já anunciou que deixará de ser o técnico. Porém, todas essas notícias – até mesmo a ridícula notícia de que brasileiros atingiram, com um rojão, o cônsul holandês no Rio de Janeiro – não me chamaram tanto atenção como discurso do primeiro jogador a comentar a derrota em Port Elizabeth. Veja, abaixo, a emocionada conversar entre Júlio César, o goleiro canarinho, e Tino Marcos:

Imagem de Amostra do You Tube

Júlio César foi responsável por admitir o fiasco da seleção à população brasileira. “Estou aqui dando minha cara a tapa, falando pelo grupo [....]”, afirmou o goleiro. Logo no início, Júlio mostrou algo típico de nós brasileiros: a emoção. Sentimento esse que atrapalhou o time, desestabilizou os jogadores. Uma das lições dessa Copa é justamente sobre gerenciar as emoções. Se não soubermos controlar nossos sentimentos, tanto em momentos de euforia como tristeza, não obteremos os resultados desejados.

O goleiro teve uma atitude que admiro muito: foi extremamente sincero. Ele assumiu a derrota, deixou as lágrimas cairem e, mesmo extremamente triste (basta olhar sua feição), teve serenidade de falar aos 190 milhões de brasileiros que assistiam. Um bom líder tem que ter em mente que em momentos problemáticos é preciso ter calma e ser sincero. Na minha opinião, a união desses dois traços faz um líder ter grande sucesso.

E o mais importante de todo o discurso foi seu final, quando Júlio se uniu a nós. “Fica aqui a tristeza de todos”, afirmou o jogador. Um líder nunca está acima de sua equipe ou do grupo que representa. Um bom líder sabe que os louros ou a derrota são resultado de seu trabalho e do de todos. Não ganhamos a Copa de 2010, mas aprendemos muitas lições.

Em tempo: o título foi referência a uma música de Gonzaguinha que gosto muito. Em particular da parte que fala que “Guerreiros são pessoas/ Tão fortes, tão frágeis”.

Imagem de Amostra do You Tube

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