Manifesto da Vontade

Recebi, desde que o blog está no ar, alguns e-mails, replys no Twitter e comentários com questões sobre gestão de tempo. Assunto muito propício para nós, profissionais iniciantes e com dificuldades de organização. Pensei bastante sobre o assunto e cheguei a uma conclusão. Antes, que fique claro, não sou nenhum especialista no assunto, esse cargo deixo ao Christian Barbosa. Voltando, minha conclusão é que nós, da geração Y, antes de gerirmos o tempo, precisamos gerir vontades. Explico:

Queremos agarrar o mundo, fazer de tudo, ter mil projetos, estar em todos os lugares, enfim, aos 25 anos ter muitas histórias para contar. O resultado é uma lista de tarefas que não são realizadas no prazo e muito menos com qualidade. Ou seja, chegaremos aos 25 com histórias rasas.

Ao menos comigo é assim: a cabeça ferve, tenho bilhões de ideas, vontades e desejos. Na maioria das vezes, fico perdido, sem foco e não faço nada direito. Se continuar assim, em três anos, quando completo 25, estarei com um alto índice de frustração, por não ter conseguido realizar minhas muitas vontades, e contarei todas minhas histórias apenas ao psicanalista.

O que, atualmente, tenho feito para gerenciar todas essas vontades é ordenar prioridades e atividades que, acima de tudo, tragam aprendizado. É preciso gerenciar essa ânsia de ser alguém importante. Só seremos reconhecidos se trabalharmos com qualidade e se entregarmos resultado.

Antes de quereremos ocupar a cadeira do chefe e termos infinitas histórias, vamos parar e listar todos os possíveis projetos que queremos realizar. Feito isso, é hora de elencar os que realmente são passíveis de acontecer e os que são apenas vontades. Essa segunda lista a gente guarda em um envelope lacrado com o título “Abrir somente em 2020”. Com a primeira em mãos, analisamos os prós e contras de cada item. Provavelmente excluiremos alguns. Então, ordenemos, numericamente, por importância. Eu, particularmente, pretendo ficar apenas com quatro ou cinco itens, os outros vão para o envelope “Abrir somente em 2015”. Pronto, aos 25 anos teremos quatro ou cinco ótimas histórias para contar, histórias sólidas e profundas.

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Uma questão de tempo e foco

Assim que entrei na VOCÊ S/A descobri que tinha dois problemas sérios para resolver: dispersar menos e aprender a gerir meu tempo. Não percebi sozinho, é claro. Fui avisado por minha chefe XY e pela chefe recém-mãe em uma dessas reuniões informais, um feedback na hora do café da tarde. A verdade é que perdia meu tempo, muitas vezes, com coisas desnecessárias (como navegando por assuntos não relacionados ao trabalho) e dispersava com uma facilidade incrível.

Para resolver os problemas, decidi tomar algumas providências. Uma das mais importantes foi não entrar em nenhum programa de mensagem instantânea, como o MSN. Só isso já ajudou muito, afinal diminuí brutalmente a quantidade de estímulos que me desfocavam. “Lucas, você já viu esse vídeo?” e lá ia eu ver o mais novo hit do YouTube. Depois, é claro, precisava colocar no Twitter e mostrar para, ao menos, quatro amigos.

Outra decisão que me ajudou foi um fone de ouvido. Esse simples e incrível alto-falante pessoal me permite não ouvir os barulhos externos e assim consigo manter a concentração no que estou fazendo. Só preciso ficar atento, pois às vezes me chamam e não escuto, por isso aviso os colegas próximos para que gesticulem quando quiserem falar comigo.

Mesmo com essas duas decisões, ainda tinha a outra questão a ser resolvida: estava com uma grande quantidade de tarefas que não conseguia entregar no prazo que eu mesmo tinha estipulado para quem as pedia. Uma das soluções é parar, por um dia a cada duas semanas, e organizar tudo o que tenho para fazer. Ordeno por importância e estipulo, a mim, prazos menores do que os negociados. Assim consigo entregar com tranqüilidade.

Acima de tudo, relaxe. Se nós da VOCÊ S/A temos uma home dedicada a um dos assuntos (www.vocecommaistempo.com.br) e as livrarias estão abarrotadas de livros com esses temas, nem você nem eu somos os únicos a ter esses problemas. Ainda não estou perfeito com tudo isso e nem quero ser perfeito, afinal isso é mérito apenas de pessoas inexistentes, mas posso afirmar que já melhorei muito. A chefe XY, que é bem exigente, e chefe-recém mãe, que agora tem uma filha para criar e mesmo assim me dá atenção, já notaram minhas mudanças.

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