Uma geração controle remoto

Não faz muito tempo, em um almoço de domingo, a Dona Márcia, minha mãe, contou como era, no tempo que ela tinha seus 18 anos, fazer uma ligação de Lavras, Minas Gerais (cidade onde sua avó morava e minha mãe passava às férias) para São Paulo. Lavras fica a 240 km de distância de Belo Horizonte, a capital mineira, e a 380 km de São Paulo, cidade onde minha mãe sempre morou.

Tudo começava com uma ligação para a telefonista. Depois disso, era chegada a hora de esperar, esperar, esperar… Isso poderia durar um dia inteiro. Muito diferente de mim, que nasci em 1988 e me lembro vagamente do tempo em que telefone, no Brasil, era um bem tão valioso que sustentava famílias, que viviam dos aluguéis deles. Quando eu tinha 10 anos, o setor de telefonia passou por uma privatização e, desde então, tivemos um salto gigante. Para se ter uma ideia, em agosto desse ano, batemos a marca de 220 milhões de celulares, o que significa que a cada 100 brasileiros, 113,08 têm um número de celular.

ICQ, MSN…

Talvez um dos sons que mais representem a Geração Y seja o famoso barulhinho do ICQ. Aquele famoso ah ou (não sei ao certo como escrever, mas você pode ouvir aqui) foi a trilha sonora de muitas noites, junto com o barulho dos duros teclados que eram pressionados freneticamente. Diferente da minha mãe, cresci com mensagens instantâneas. Ao dizer “Olá, tudo bem? :D “, recebia um “Tudo e com você? ;) “, rapidamente – não demorava nem 20 segundos, caso a outra pessoa estivesse em frente ao computador. Se eu tinha algum problema em casa, era muito simples: ligava no celular (dê uma olhada no tamanho que era) do meu pai e resolvia na hora. Já minha mãe, se quisesse falar com o pai dela, quando estava em Lavras, esperava, esperava, esperava…

Uma simples mudança na forma de se relacionar, que na verdade mudou tudo. Hoje, somos uma geração que precisa que o ah ou seja frequente. Somos imediatistas, queremos respostas no instante em que perguntamos, assim como um programa de mensagens instantâneas. E não tem jeito: crescemos assim. Não há tempo para esperar (na verdade a geração Y ainda não teve tempo de pensar sobre isso, temos muitas coisas para fazer: entrar no Facebook, no Twitter, checar as várias contas de e-mail…). Mas, calma, tenha paciência!

É TUDO PARA ONTEM!

A Dona Márcia, em Lavras, não tinha muito o que fazer: ela podia ir à praça, conversar com os primos, frequentar algumas festas, acompanhar sua avó à igreja e ler alguns livros e revistas. Já eu, atualmente, tenho tantas coisas para fazer que não consigo elencar ao certo o que realizar primeiro. E o pior: tudo o que faço (no sentido de produção) sinto que preciso da aprovação social e de um feedback (uma palavra que apavora chefes por aí). Mas não nos culpem, por favor.

No tempo do colégio, lembro que todo mês, eu fazia provas ou trabalhos. Ao chegar em casa, dizia a nota aos meus pais. “Mãe, tirei 8,5 na prova de matemática.” A Dona Márcia respondia: “acho que você  pode melhorar essa nota. Estuda mais para a próxima.” Isso não mudou muito, afinal meus pais também foram ao colégio e tinham e esse retorno (positivo ou negativo) de seus pais. O que mudou foi que, na minha época, eu tinha muito mais atividades: inglês, vôlei, natação… Ou seja: eram muitas notas, muitos feedbacks e muita aprovação social.

Para ajudar a aumentar a latente carência de feedback que geração Y sofre, é preciso entender a função um importante e fundamental aparelho: a televisão. Eu passava as tardes em frente a ela. Tinha programas das 13h às 18h. E lá ficava eu jogado em um sofá, minha irmã no outro, trocando de canais com um controle remoto. Pausa dramática: con-tro-le re-mo-to. Vocês têm noção do que o controle remoto fez com nossas cabecinhas? Essa extensão de nossos braços nos permitia trocar de canais assim que apertávamos um botão (isso é mágico). Não era mais preciso levantar do sofá, dar alguns passos e apertar um botão (ou girar) direto no aparelho. Percebeu? Apertei o botão e tive resposta: imediato. Quer mais? Crescemos esquentando o leite do café da manhã em microondas (é uma baita diferença de esquentar no fogão). Se eu for elencar tudo, esse texto ficará gigante e, sinceramente, hoje em dia (infelizmente) não há tempo para textos muito grandes. Até porque, se você é Y e gostou desse texto, na certa, na metade dele, já queria compartilhar com seus amigos no Facebook, divulgar no Twitter…

Agora você entendeu de onde vem toda essa ansiedade da Geração Y, essa necessidade por respostas rápidas? Aliás, já que o assunto é feedback,  adoraria saber o que você achou do texto, afinal, sou Y.

P.S.1: Se você é Y, vale a pena clicar nos links das palavras, você terá ótimas recordações (e perceberá que não é tão mais jovem assim)
P.S.2: Esse post faz parte de uma série de 9, que irão ao ar nas próximas semanas. A ideia é justamente explicar os porquês da geração Y ser como é.
P.S.3: Quer me seguir no Twitter? Simples assim: @estagiarioy

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Agora que o negócio vai pegar fogo: vem aí a geração Z

“Moça, me dá a senha do wi-fi, só um pouquinho”, insistia o Davi. “Não podemos, é uma senha da administração”, explicava a gerente. O Davi tem só 10 anos e já é um havy user. Seu irmão, de 12 anos, é outro caso a parte: aos 12 anos já tem um Tumblr e faz programação de sites. Sim, você leu direitinho: ele faz programação de sites. Conheci os dois em Maceió (cidade linda por sinal) assim que terminei a palestra no Eread (evento incrível que acontece no Nordeste e reúne os estudantes de administração de todos os estados da região).  Fiquei, sinceramente, bem impressionado com o que vi. A desenvoltura que ambos têm com a internet e com os gadgets deixa, qualquer um de nós – com vinte e poucos anos -, no chinelo.

Tanto o Davi como o Theo são exemplos puros da nova geração que vem por aí: a geração Z.  Eles nasceram praticamente onlines. Desde pequenininhos estão acostumados com esse cybermundo. E, melhor que nós Ys, eles sabem migrar muito bem do on para o off line. O Z, que nomeia a geração, vem de zapear. Segundo a Wikipedia (vamos dar um crédito a ela nesse caso, o Michaellis ainda não se atualizou com novos verbetes), “zapear é o ato de mudar rápida e repetidamente de canal de televisão ou frequência de rádio, de forma a encontrar algo interessante para ver ou ouvir. Etiologicamente, o zapear pode também ser demonstração de angústia, desatenção, hiperatividade, tique ou mania.”

Não precisamos ir muito longe para entender que a forma como os Zs pensam tem uma grandíssima influência nesse ato de ficar zanzando por várias mídias. Se uma das característica dos Ys é ter uma visão global e rasa das coisas, mesmo quando fragmentadas, eu apostaria dizer que os Z têm uma visão global e com uma profundidade maior que sua geração anterior. Eles estão sendo criados dentro de um ambiente que os proporciona essa visão macro. Eles unem os fragmentos de forma genial e principalmente de forma natural. E isso é muito óbvio para eles: afinal, eles usam gadgets, computadores, tablets e muitos outros aparelhos eletrônicos. Só que com um detalhe muito importante: todos esses aparelhos são extremamente conectados uns com os outros.

Me senti um verdadeiro baby boomer quando vi os dois irmãos. E achei isso ótimo! É um tapa na cara, como diz um grande amigo meu. Mosta que ainda temos muito a aprender nesse mundo digiral. Quero ver quando os Zs chegarem nas empresas e estivermos em cargos de gestão. Será que estaremos preparados? Porque, cá entre nós, os Xs são muito legais. Nos receberam e nos aceitaram muito bem – salvo raríssimas exceções. A pergunta que fica é: em pouco tempo seremos gerenciaremos os Zs. E aí, vai encarar?

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Uma geração humilde…

Há um bom tempo falo que um dos grandes problemas da Geração Y se chama processos. Temos uma dificuldade imensa em entendê-los. A questão está diretamente ligada ao encantamento. Para executarmos as tarefas de forma eficiente, precisamos estar de acordo com tudo e saber para que tudo aquilo servirá. Cá entre nós, não entendo pessoas que fazem coisas sem saber o porquê ou para quê aquilo vai servir. Na pesquisa que fiz para usar na apresentação do CRIO, em Belo Horizonte, há duas semanas, essa questão ficou muito evidente. Entre as mais de 400 respostas, 32% afirmaram que o que mais atrapalha ao desempenhar uma tarefa é, justamente, não entender o processo. Essa foi a resposta que ocupou o primeiríssimo lugar entre as alternativas. Em segundo lugar, com 26% das respostas, ficou a alternativa “não concordar com a tarefa”. Em outras palavras: a tarefa não estar de acordo com os valores pessoais.

O engraçado de tudo foi ver que, nada mais nada menos, do que 94% disseram entender de processos. Temos um problema aqui. Se tanta gente entende sobre processos, quer dizer que os profissionais da Geração Y são perfeitos? Não, apenas esqueceram a humildade em casa. A verdade – me desculpem divulgar isso – é que achamos entender sobre quase tudo. Nos falta, no fundo, auto-sinceridade. Temos tanto a aprender ainda, mas achamos, muitas vezes, que somos experts em milhares de assuntos. Não, você não é um especialista em Redes Sociais só por usar o Twitter freneticamente ou é um especialista em Excel porque consegue fazer 7 fórmulas incríveis. Desculpe a sinceridade: esse é o mínimo que você precisa ter, atualmente, para conseguir um bom emprego.

Voltemos à pesquisa. Somos uma geração que acredita no intraempreendedorismo. Dos entrevistados, 53% disseram ter nascido para ser um executivo empreendedor. Queremos montar nossas empresas dentro das outras empresas. Explico melhor: não queremos abrir negócios (isso dá um trabalho danado). Queremos poder crescer, empreender, dar ideias e trazer resultados para empresas. Até porque tudo isso nos traz feedback. E se tivesse que nomear um combustível para a nossa geração esse seria o feedback.

Há um outro dado muito interessante no quesito humildade: 90% acreditam ser multitarefa. Me perdoem, mas terei, novamente que usar da sinceridade. Você consegue ficar com 9 abas abertas em diferente sites em seu navegador, sendo que em uma delas você deixa o Gmail aberto e conversa com alguns amigos, na outra está aberto o Facebook – onde outros amigos aproveitam para fofocar – e ainda tem o Twitter, que você atualiza freneticamente para saber todas as grandes novidades da vida de seus amigos. Não posso me esquecer que você fica o tempo todo com o MSN aberto e conversa com 17 pessoas. Não, isso não é ser multitarefa. Isso se chama “não trabalhar”. É claro que conseguimos manter diversas tarefas paralelamente, mas nada que as gerações anteriores não conseguissem fazer.

Outros resultados:

Para 54% um bom líder é aquele que dá exemplo com as próprias atitudes
Entre os que responderam, 84% já tiveram ou pretendem ter uma experiência no exterior
E 64% ficariam em uma empresa quando vê oportunidade de crescimento

Em tempo: para saber sobre a experiência no evento, clique aqui

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