Desfoco míope

Meu celular parou, repentinamente, de receber mensagens. Mentira, ele passou a receber, de 40 em 40 minutos, uma mesma mensagem de ligação perdida. Depois de um dia esperando o serviço se normalizar, resolvi ligar para o atendimento da operadora. Após,  pelo menos 2 minutos dentro de um menu incompreensível, fui atendido. Expliquei o que acontecia e recebi a solução: “você está com um problema de rede. Desligue e religue seu celular e em 4 horas estará normalizado.” No dia seguinte, nada mudou. O problema persistia e tinha me despertado algumas vezes durante a madrugada – afinal a cada 40 minutos chegava a tal mensagem de ligação perdida.

Resolvi ligar novamente, precisava resolver o problema. Mais uma maratona em meio a menus complexos. Expliquei a situação, a solução dada e o problema. “É, realmente o problema persiste. Desligue e religue seu celular e, em quatro horas, tudo estará resolvido”, ouvi novamente. Não quis contestar, fiz o que me foi pedido. Resultado: nada mudou.

Liguei, mais uma vez. Blá blá blá do menu, blá blá blá de explicação para o atendente e a solução: “senhor, você provavelmente está com a sua caixa de mensagens lotada e isso faz com que uma mensagem se repita, além de barrar as outras chegarem.” Minha reação, na hora foi: “sério?”.  Agradeci e resolvi apagar todas as mensagens de meu celular. Em resumo: tudo voltou ao normal.

Os dois primeiros atendentes não tinham foco na atividade deles, que é de solucionar problemas. A terceira, no entanto, tinha o foco em ajudar quem ela atendia. Talvez os outros não tivessem conhecimento ou não estavam interessados em sair do pré-programado – “o seus sistema está com problemas”.

Em linhas gerais, quis contar essa história poque foco é algo muito importante na vida. Simples assim. Para muitos (profissionais) o foco está sempre desfocado: é o salário, é a distância do trabalho, é o chefe… E o foco, esse fica míope. Em tudo na vida é preciso e necessário ter foco, do contrário vivemos sem rumo algum. Uma pergunta: qual o seu foco atualmente? É terminar a faculdade, é curtir todas as baladas possíveis, é apenas frequentar o estágio ou é aproveitar ao máximo a faculdade, aproveitar as baladas (é claro), sugar o máximo que puder de seu estágio? Não estou colocando juízo de valor aqui – cada um faz o que quer de sua vida. Mas necessito dizer: para toda ação existe uma resposta.

Post to Twitter Tweet This Post

Onde está a felicidade?

Eu poderia escrever um texto falando sobre a diminuição dos jovens com até 25 anos de idade na pirâmide etária brasileira, como constatou o Censo 2010, que saiu na última semana. Poderia escrever os versos mais tristes, como fez Neruda (não que eu queira me comprar ao grande poeta). Poderia, talvez, comentar a morte do Osama. Ainda teria o casamento real, a beatificação do Papa. Milhares de coisas. Mas quero falar sobre a felicidade.

Não pretendo discutir a o que é a felicidade – seria como tentar entender o que é o amor. São discussões inúteis. Cada um tem um conceito do que é a felicidade. A infelicidade, porém, tem rosto. É aquela típica cara de desanimo, de morosidade, de insatisfação. E de infelizes, o mundo está cheio. Olhe ao seu redor. Viu?

Eu não entendo porque as pessoas continuam em um emprego se estão infelizes ali. Não aguento mais meu chefe, reclama um diariamente. Esse lugar não é para mim, comenta o outro rotineiramente. E de reclamações e comentários, vão vivendo infelizes. No final do mês, faltando 5 dias para o próximo salário cair, a infelicidade aumenta. Oras, eles não estão ali só por conta do salário? Se o dinheiro que recebem só cobre três quartos (3/4) das despesas mensais, não vale a pena, certo?. “Mas o mercado está muito complicado”, justificará o infeliz.

Não há sentindo nisso tudo. Por que as pessoas ainda insistem em ser infelizes? Por que? Por que? Por que? Isso me angustia muito (desculpem a sinceridade). Observo alguns profissionais mais experientes e vejo uma pessoa com menos de 40 anos e já infeliz (não que infelicidade tenha idade para acontecer).

Ninguém precisa viver sorrindo – isso seria falso. O ser humano precisa de momentos de tristeza e de felicidade. Eles são complementares. Aprendemos muito nos momentos na falta de felicidade. Mas temos de ser plenamente felizes. E para isso, precisamos ser serenos. Serenidade, por sua vez, só se encontra com a verdade. Quando escrevo verdade, falo de coerência de valores e ações. Você está cumprindo com os seus sonhos?

Onde estão aqueles valores que fizeram os infelizes entrarem na faculdade e estudar por, pelo menos, 4 anos? O tal “sistema” roubou ou será que preferiram ser covardes? Às vezes penso: dia após dia, parece que vou perdendo esse fogo. Mas sei que se ele morrer serei mais um infeliz reclamão. Por isso, sigo o samba (parafraseado): não deixe o sonho morrer, não deixe o sonho acabar, a vida é feita de sonhos, de sonhos pra gente sonhar.

Post to Twitter Tweet This Post

Começou e terminou

Lembro até hoje do primeiro beijo. Eu estava em um ônibus voltando de um parque de diversões e, quando vi, já estava aos beijos. A primeira vez é sempre inesquecível.

Mas tem sempre o antes do começo. Antes do primeiro beijo teve um telefonema, uma carta, alguns olhares. Antes do primeiro dia por aqui teve inscrição no programa de estagiário, prova de inglês, português, lógica, dinâmica de grupo, entrevista e enfim uma ligação que dizia “Lucas, você quer trabalhar conosco?”. Só para constar: se eu me inscrevi na parte do site que dizia “Trabalhe Conosco”, é óbvio que quero.

O PRIMEIRO DIA

Subi no elevador com as mãos suando. Quando a porta abriu, depois de longos dezoito andares, estava o meu atual chefe e, do lado dele, uma moça. Ele disse, depois de me cumprimentar e apresentá-la, que quem iria conversar comigo era ela. Antes de irmos para a sala de reunião, fui apresentado para toda a redação. Aperto de mão e beijos em vinte e duas pessoas. Quanta gente nova, quanta coisa nova. Meu Deus, e agora?

Não deu tempo para nada. Fui para a sala bater um papo com a que hoje chamo de Chefe XY. Depois disso já foram algumas matérias e muitas coisas feitas. E agora me deram esse blog.

Vamos falar uma realidade: são seis horas e mais um pouquinho no estágio, cinco na faculdade, três entre almoço, jantar, café da manhã, lanchinhos, banho e banheiro, duas ou três no trânsito, uma para ler textos para a faculdade, mais uma para ler o Twitter, ver o Facebook, dar uma olhada no Orkut e cinco para dormir. Pronto, acabou o dia.

Mas estagiário que se preze é apaixonado pelo que faz. Se não for, reflita pelos próximos dias se essa é, realmente, a profissão que você quer seguir pelos próximos vários anos. É claro que existem aquelas pessoas que estão no estágio errado, e isso acontece com frequência. Também reflita, porque está na hora de procurar outro. O importante é saber que estagiar é sinônimo de “aprender na prática”, não tirar cópias, buscar café ou ouvir Chefe X gritando ao seu ouvido. Fuja disso, a não ser que tenha um ótimo, mas muito bom mesmo, motivo.

Às vezes, dá uma vontade de jogar tudo isso para o ar: a oportunidade, os medos, as dificuldades, a prática, os livros que a faculdade pede para antes de ontem, as resenhas para duas semanas atrás, e tudo o que parece que não conseguimos fazer como queríamos. E quem disse que estagiário não gosta disso tudo?

Estágio é uma fase que passa rápido. Quando você olhar, já está dançando a valsa da formatura, jogando para o alto aquele chapéu bem feinho, abraçando aqueles colegas que você nunca se deu bem e, no dia seguinte, você é um profissional, uma pessoa com diploma e com uma gastrite. Mas tudo isso pode valer a pena se você souber aproveitar cada segundo dessa fase. Enfim, bem vindo ao Estagiário Y. Aqui o papo é de estagiário para estagiário.

Post to Twitter Tweet This Post