Nem açúcar, nem afeto. Queremos amor

Hoje, a caminho da redação da VOCÊ S/A, ouvia Chico Buarque quando, de repente, um verso fez muito sentindo: “com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto. Pra você parar em casa”.  Em outra palavras: não adianta a empresa dar um salário alto (açúcar) e vários benefícios (afeto), muito menos dar o doce predileto (a liberdade que tanto nós Ys queremos), precisamos amar aquilo que fazemos e onde estamos. Nas entrelinhas da música, o eu feminino, que é quem canta, deixa claro que está sendo traída mas que mesmo assim abre seus braços pra o marido. Com nossos empregos também é assim. Não adianta a empresa querer nos agradar, iremos sair e encontrar um outro lugar, um novo amor. Ou amamos o emprego ou não.

Se não estivermos apaixonados, pode ter comida, casa, roupa lavada e até doces gostosos, nada disso irá nos prender em lugar algum. Precisamos sentir que, ao entrar pela porta do trabalho, o ar esteja leve. É preciso amor, senão “trairemos” o nosso trabalho.

Mas Ys, precisamos tomar cuidado para não voltar depois “feito criança, pra chorar” o perdão da empresa.  Eles só irão te abrir os braços se realmente sentirem que podem confiar em você. É como em um relacionamento. Se o laço de confiança acaba, não adianta voltar o namoro. Depois de poucos meses o relacionamento termina de novo.

Para quem não conhece a música Com Açúcar, Com Afeto deixo a versão de Fernanda Takai em seu disco dedicado à Nara Leão, para quem o Chico Buarque escreveu a música.

Imagem de Amostra do You Tube

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Uma geração comprometida

Se você acha que liberdade é a palavra que rege a vida de um profissional Y, talvez esteja na hora de mudar seus conceitos. Há uma semana, fiz uma pesquisa informal no Twitter para saber algumas características da Geração Y. A última pergunta era: “Qual palavra te define como profissional?“. A tal liberdade aparece apenas em duas respostas – lembrando que 455 pessoas responderam à pesquisa. Entre as palavras mais citadas estão Competente, Criativo, Curioso, Dedicado e Determinado. Porém, a palavra que mais apareceu foi Comprometido.

Já é bem conhecida essa característica da Geração Y de vestir a camisa. Mas para que ela seja vestida é preciso paixão. Somos românticos, precisamos ser conquistados, precisamos entender a importância de determinada tarefa. Somos a geração dos pormenores, dos detalhes, dos encontros casuais que no fundo são reuniões melhores do que aquelas de 2 horas em que nada se fala, apenas há gladiação de quem argumenta melhor e impressiona o chefe.

O que muitos gestores (e RHs) ainda não entenderam é que queremos sim ganhar dinheiro e receber feedback, mas queremos um ambiente de trabalho mais humano. Um ambiente que não nos reconheça apenas como um número. Somos de uma era da exclusividade, ou seja, queremos atenção. Não é passar a mão na cabeça. Não é chefe-pai/ chefe-mãe. É chefe que entende que ali existe um ser humano, com medos, defeitos e tudo o que essa espécie tem. Entendido isso, um grande passo no “encantamento” de um Y foi dado.

Acho que a pesquisa deixa uma dica aos gestores de profissionais Ys: seus funcionários são comprometidos. Se você não concorda, acredito que está na hora de repensar a forma como está delegando as tarefas e como está a sua atuação como profissional. Isso porque, segundo a mesma pesquisa, 32% das pessoas afirmam que não conseguem desempenhar uma tarefa quando não entendem o processo e para 54% um bom líder é aquele que dá exemplos com suas próprias atitudes.

No próximo texto dou outros resultados. Mas, já adianto um: a Geração Y é contraditória – explico no próximo post.

P.S.: Queria agradecer, desde já, a todos os que responderam, retwitaram e me ajudaram.

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