Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado…

Assim que entramos na faculdade, a primeira coisa que fazem é raspar os cabelos dos meninos e melecar os das meninas. Durante a adolescência é o cabelo uma das primeiras evidências da tribo que participamos. Eu tive alguns cortes, entre eles uma época hippie. Quando chegamos ao ambiente de trabalho, muitas vezes, esquecemos que, assim como a roupa, o cabelo faz parte do auto-cartão de visitas. Quem percebe, normalmente, são os chefes, que não sabem como falar isso de forma agradável ou respeitosa.

Já ouvi três histórias de estagiários que tiveram problemas com as cabeleiras. A primeira delas, a de uma garota que trabalha em uma grande instituição financeira nacional. Seu cabelo é crespo e sua chefe uma não referência de liderança. Certo dia, a estagiária chegou para trabalhar e tal chefe lhe sugeriu, de forma sutil, que usasse chapinha para alisar o cabelo. Que fique claro: a garota, que conheci pessoalmente, tinha um cabelo bonito e bem cuidado. Como uma verdadeira Y, a garota nada fez. Continuou usando as madeixas como bem queria.

Um grande amigo meu também trabalha em uma gigante instituição financeira e teve problemas capilares. Seu cabelo é normal, nada de extravagante, apenas um topete estilo moicano, bem moderado e diria que, um tanto, conservador. Seu chefe chegou e disse: “estagiário, aqui o cabelo tem que ficar de lado.” Ele, um legítimo Y, virou para o superior e alertou: “gosto do meu cabelo assim. Se quiser me demita, mas saiba que irá demorar muito para conseguir colocar alguém no meu lugar com as minhas capacidades.” Meu amigo ainda estagia lá e agora recebeu o convite para ser contratado.

A terceira história é de um seguidor do Twitter que me escreveu por Direct Message. “Um dos grandes reclamou do meu cabelo! Por que mesmos o geniais ainda se prendem a esse tipo de coisa?”, afirmou o estagiário. Pela sua foto, o garoto tem um cabelo normal, nada de excêntrico ou esquisito.

A questão é que a aparência ainda conta muito. O cabelo, a roupa, o sapato, a aparência em geral são extremamente importantes para a visão que as pessoas têm de você. Às vezes nos esquecemos que, diferentemente do ambiente da universidade, onde quase tudo é permitido, no ambiente corporativo, extravagâncias são vistas como risco. A dica é se olhar no espelho e ver se o cabelo está de acordo com o que o mercado pede. Caso seu chefe continue a reclamar, faça como os outros estagiários Y: ignore. Mas se você enxergar um cabelo que seria perfeito para sair à noite, mas não para ficar sentado por seis horas trabalhando, está na hora de ligar para o cabeleireiro e marcar um corte comportado.

*O título foi baseado na música Cabelo, de Arnaldo Antunes e Jorge Ben Jor , interpretada por Gal Costa.

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Começou e terminou

Lembro até hoje do primeiro beijo. Eu estava em um ônibus voltando de um parque de diversões e, quando vi, já estava aos beijos. A primeira vez é sempre inesquecível.

Mas tem sempre o antes do começo. Antes do primeiro beijo teve um telefonema, uma carta, alguns olhares. Antes do primeiro dia por aqui teve inscrição no programa de estagiário, prova de inglês, português, lógica, dinâmica de grupo, entrevista e enfim uma ligação que dizia “Lucas, você quer trabalhar conosco?”. Só para constar: se eu me inscrevi na parte do site que dizia “Trabalhe Conosco”, é óbvio que quero.

O PRIMEIRO DIA

Subi no elevador com as mãos suando. Quando a porta abriu, depois de longos dezoito andares, estava o meu atual chefe e, do lado dele, uma moça. Ele disse, depois de me cumprimentar e apresentá-la, que quem iria conversar comigo era ela. Antes de irmos para a sala de reunião, fui apresentado para toda a redação. Aperto de mão e beijos em vinte e duas pessoas. Quanta gente nova, quanta coisa nova. Meu Deus, e agora?

Não deu tempo para nada. Fui para a sala bater um papo com a que hoje chamo de Chefe XY. Depois disso já foram algumas matérias e muitas coisas feitas. E agora me deram esse blog.

Vamos falar uma realidade: são seis horas e mais um pouquinho no estágio, cinco na faculdade, três entre almoço, jantar, café da manhã, lanchinhos, banho e banheiro, duas ou três no trânsito, uma para ler textos para a faculdade, mais uma para ler o Twitter, ver o Facebook, dar uma olhada no Orkut e cinco para dormir. Pronto, acabou o dia.

Mas estagiário que se preze é apaixonado pelo que faz. Se não for, reflita pelos próximos dias se essa é, realmente, a profissão que você quer seguir pelos próximos vários anos. É claro que existem aquelas pessoas que estão no estágio errado, e isso acontece com frequência. Também reflita, porque está na hora de procurar outro. O importante é saber que estagiar é sinônimo de “aprender na prática”, não tirar cópias, buscar café ou ouvir Chefe X gritando ao seu ouvido. Fuja disso, a não ser que tenha um ótimo, mas muito bom mesmo, motivo.

Às vezes, dá uma vontade de jogar tudo isso para o ar: a oportunidade, os medos, as dificuldades, a prática, os livros que a faculdade pede para antes de ontem, as resenhas para duas semanas atrás, e tudo o que parece que não conseguimos fazer como queríamos. E quem disse que estagiário não gosta disso tudo?

Estágio é uma fase que passa rápido. Quando você olhar, já está dançando a valsa da formatura, jogando para o alto aquele chapéu bem feinho, abraçando aqueles colegas que você nunca se deu bem e, no dia seguinte, você é um profissional, uma pessoa com diploma e com uma gastrite. Mas tudo isso pode valer a pena se você souber aproveitar cada segundo dessa fase. Enfim, bem vindo ao Estagiário Y. Aqui o papo é de estagiário para estagiário.

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