Ansiedade de viver
2011
Essa vida adulta não é fácil. É o carro que quebra e precisamos levar ao conserto, é a prova do professor sacana que nos faz perder todas as reuniões de amigos em um final de semana, é a carta de motorista que precisa ser renovada, a gastrite que não dá brecha. A lista é gigante. Isso é ser adulto. “Seja bem vindo à vida adulta, a partir de agora, você (e somente você) é responsável por tudo o que acontecerá com você.” Essa frase (cheia de “você”) deveria estar escrita no capÃtulo vinte do livro que deverÃamos ganhar ao nascer. Como esse livro não existe, aprendemos na marra. São tapas, socos, bofetadas. O sentimento de vida simples – aquele gostoso aconchego que a despreocupação traz – se torna raro e parece que entra em extinção depois dos 21. Isso é viver.
Tenho exatamente (e estranhamente) 42 livros na minha prateleira esperando para serem lidos, sem contar os 7 que leio nesse momento. Tenho ao menos 5 grandes desejos guardados em meu pensamento para cumprir. São mais de 25 paÃses que quero conhecer até os 25 anos. As listas parecem se amontoar cada vez mais e, em paralelo, a vida cobra cada vez mais um Lucas adulto, sério, responsável. Um Lucas que precisa comprar um apartamento, que precisa ser bem sucedido, que tem dores, porque crescer não é simples nem fácil.
E a única mensagem que nossa mente repete constantemente é: agora é a hora da decisão. It’s now or never.  Amanhã será muito tarde. Lista das coisas que preciso fazer agora: escolher com quem casarei , qual carreira vou seguir, quantos filhos terei, se irei ou não ser bem sucedido, se morarei em outro paÃs, se vou trabalhar em uma empresa ou irei abrir meu próprio negócio. Em resumo: não quero fracassar em nada. Que fique claro que essas decisões todas são urgentes. São para ontem, porque amanhã será tarde, tarde de mais.  ”Ontem os meus problemas pareciam tão distantes e agora parece que eles estão aqui para ficar“, canta Ray Charles.
Vivemos em um tempo em teremos mais de uma carreira durante a vida (vale ler essas matérias) e podemos ter carreiras paralelas, mas não queremos encarar isso, achamos que seremos como nossos pais. Somos uma geração em transição. Nossos pais já provaram um pedaço dessa liberdade, mas não tinham muitos parâmetros e muitas vezes fracassaram – em todos os campos: profissão, relacionamento… “É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem…“, canta Elis Regina. Nós estamos pela primeira vez com a oportunidade de experimentar tudo isso e não sabemos como degustar. Junto a isso, tem a angústia natural de virar adulto.
O mais importante é arriscar, tentar e seguir o coração. Respirar, saber que é possÃvel, que basta querer e planejar. Você tem sonhos? Então coloque-os no papel, faça eles virarem realidade. De nada adianta guardar tudo na gaveta do criadomudo e esquecer por lá. Um dia seu cartão de crédito será bloqueado porque você esqueceu de pagar a conta de R$ 4 de manutenção, sua carta de motorista irá vencer e seus sonhos irão se transformar em pesadelos.
Por fim, deixo uma música que acho que significa muito dessa fase “virar adulto na marra”:

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