Ansiedade de viver

Essa vida adulta não é fácil. É o carro que quebra e precisamos levar ao conserto, é a prova do professor sacana que nos faz perder todas as reuniões de amigos em um final de semana, é a carta de motorista que precisa ser renovada, a gastrite que não dá brecha. A lista é gigante. Isso é ser adulto. “Seja bem vindo à vida adulta, a partir de agora, você (e somente você) é responsável por tudo o que acontecerá com você.” Essa frase (cheia de “você”) deveria estar escrita no capítulo vinte do livro que deveríamos ganhar ao nascer. Como esse livro não existe, aprendemos na marra. São tapas, socos, bofetadas. O sentimento de vida simples – aquele gostoso aconchego que a despreocupação traz – se torna raro e parece que entra em extinção depois dos 21. Isso é viver.

Tenho exatamente (e estranhamente) 42 livros na minha prateleira esperando para serem lidos, sem contar os 7 que leio nesse momento. Tenho ao menos 5 grandes desejos guardados em meu pensamento para cumprir. São mais de 25 países que quero conhecer até os 25 anos. As listas parecem se amontoar cada vez mais e, em paralelo, a vida cobra cada vez mais um Lucas adulto, sério, responsável. Um Lucas que precisa comprar um apartamento, que precisa ser bem sucedido, que tem dores, porque crescer não é simples nem fácil.

E a única mensagem que nossa mente repete constantemente é: agora é a hora da decisão. It’s now or never.  Amanhã será muito tarde. Lista das coisas que preciso fazer agora: escolher com quem casarei , qual carreira vou seguir, quantos filhos terei, se irei ou não ser bem sucedido, se morarei em outro país, se vou trabalhar em uma empresa ou irei abrir meu próprio negócio. Em resumo: não quero fracassar em nada. Que fique claro que essas decisões todas são urgentes. São para ontem, porque amanhã será tarde, tarde de mais.  ”Ontem os meus problemas pareciam tão distantes e agora parece que eles estão aqui para ficar“, canta Ray Charles.

Vivemos em um tempo em teremos mais de uma carreira durante a vida (vale ler essas matérias) e podemos ter carreiras paralelas, mas não queremos encarar isso, achamos que seremos como nossos pais. Somos uma geração em transição. Nossos pais já provaram um pedaço dessa liberdade, mas não tinham muitos parâmetros e muitas vezes fracassaram – em todos os campos: profissão, relacionamento… “É você que ama o passado e que não vê que o novo sempre vem…“, canta Elis Regina. Nós estamos pela primeira vez com a oportunidade de experimentar tudo isso e não sabemos como degustar. Junto a isso, tem a angústia natural de virar adulto.

O mais importante é arriscar, tentar e seguir o coração. Respirar, saber que é possível, que basta querer e planejar. Você tem sonhos? Então coloque-os no papel, faça eles virarem realidade. De nada adianta guardar tudo na gaveta do criadomudo e esquecer por lá. Um dia seu cartão de crédito será bloqueado porque você esqueceu de pagar a conta de R$ 4 de manutenção, sua carta de motorista irá vencer e seus sonhos irão se transformar em pesadelos.

Por fim, deixo uma música que acho que significa muito dessa fase “virar adulto na marra”:

Imagem de Amostra do You Tube

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Desfoco míope

Meu celular parou, repentinamente, de receber mensagens. Mentira, ele passou a receber, de 40 em 40 minutos, uma mesma mensagem de ligação perdida. Depois de um dia esperando o serviço se normalizar, resolvi ligar para o atendimento da operadora. Após,  pelo menos 2 minutos dentro de um menu incompreensível, fui atendido. Expliquei o que acontecia e recebi a solução: “você está com um problema de rede. Desligue e religue seu celular e em 4 horas estará normalizado.” No dia seguinte, nada mudou. O problema persistia e tinha me despertado algumas vezes durante a madrugada – afinal a cada 40 minutos chegava a tal mensagem de ligação perdida.

Resolvi ligar novamente, precisava resolver o problema. Mais uma maratona em meio a menus complexos. Expliquei a situação, a solução dada e o problema. “É, realmente o problema persiste. Desligue e religue seu celular e, em quatro horas, tudo estará resolvido”, ouvi novamente. Não quis contestar, fiz o que me foi pedido. Resultado: nada mudou.

Liguei, mais uma vez. Blá blá blá do menu, blá blá blá de explicação para o atendente e a solução: “senhor, você provavelmente está com a sua caixa de mensagens lotada e isso faz com que uma mensagem se repita, além de barrar as outras chegarem.” Minha reação, na hora foi: “sério?”.  Agradeci e resolvi apagar todas as mensagens de meu celular. Em resumo: tudo voltou ao normal.

Os dois primeiros atendentes não tinham foco na atividade deles, que é de solucionar problemas. A terceira, no entanto, tinha o foco em ajudar quem ela atendia. Talvez os outros não tivessem conhecimento ou não estavam interessados em sair do pré-programado – “o seus sistema está com problemas”.

Em linhas gerais, quis contar essa história poque foco é algo muito importante na vida. Simples assim. Para muitos (profissionais) o foco está sempre desfocado: é o salário, é a distância do trabalho, é o chefe… E o foco, esse fica míope. Em tudo na vida é preciso e necessário ter foco, do contrário vivemos sem rumo algum. Uma pergunta: qual o seu foco atualmente? É terminar a faculdade, é curtir todas as baladas possíveis, é apenas frequentar o estágio ou é aproveitar ao máximo a faculdade, aproveitar as baladas (é claro), sugar o máximo que puder de seu estágio? Não estou colocando juízo de valor aqui – cada um faz o que quer de sua vida. Mas necessito dizer: para toda ação existe uma resposta.

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Os medos e as angústias

Não é a primeira e não será a última vez que você lerá sobre angústias e medos por aqui (aliás, escrevi um texto em março que falo justamente sobre as angústias, se quiser ler é só clicar aqui). Desde ontem, quando postei o texto sobre o Ciclo (desncessário) de sofrimento, fiquei pensando seriamente sobre o assunto. Por que, afinal, nós – os novatos – sofremos tanto? A resposta, além de tudo o que disse no post anterior, se resume na palavra medo.

A única certeza que temos é que o futuro é incerto. Clichê isso que você acabou de ler? Sim. Clichê puro. Mas parece que nós jovens nos apegamos a essa incerteza (que absolutamente ninguém tem poder sobre) e entramos no maluco ciclo de sofrimento. “Será que serei contratado?”, “será que meu chefe gostou do que eu fiz?”, “será que sigo nessa área ou naquela?”, “será que…?”, “será que…?”, “será?”

O que será do futuro, ninguém sabe – e isso realmente dá angustia. Essa sensação de não saber absolutamente nada do que vai acontecer gera uma forte sensação de insegurança. “Abro a porta ou não?”. Fica sempre a dúvida: devo aceitar a proposta de ficar no estágio caso seja convidado ou devo tentar algo diferente? Não sabemos para onde ir e nem o que fazer.

Nunca sabemos se devemos investir nosso tempo em determinada atividade e guardar o suor para outras ou se devemos apostar em tudo, agora no começo. “Termino a faculdade e engato uma Pós ou espero um tempo?” Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas. Parece que tudo se resume a dúvidas. Dúvidas que resultam em medo, que acendem angústia e que nos fazem entrar no tal ciclo do sofrimento. Como acabar com isso? Simples: entrar no barco (que é a vida) e deixar o rio correr. Ouvir um pouco a intuição, deixar o coração bater e seguir o que o aquela voz que vem lá de dentro sussurra.

A gente tenta ser racional, mas a vida muitas vezes segue por caminhos tão inesperados… No mesmo almoço do Dia das Mães que conversávamos sobre o tal sofrimento, ouvi de meus pais e tios (que já passaram dos 55 anos e estão naquele momento de refletir tudo o que passou e tentar ajustar os problemas para viver o resto da vida mais felizes) que o que tiver que acontecer, acontecerá. Mais um clichê? Sim, mais um. Talvez esteja na hora de começarmos a ouvir os clichês que nossos pais tanto falam (“eu não te disse para fazer assim que seria melhor, Lucas?”) e dar mais ouvidos ao que realmente queremos. Está na hora de pararmos de querer vestir as fantasias dos personagens que gostariamos de ser e aceitar os personagem que somos: a pura essência de nós mesmos.

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