Supera, você é o que quiser ser

Em um café, com um amigo, conversávamos sobre a vida. Na verdade, reclamávamos sobre alguns pontos e eu enfatizava um que muito me preocupa. Ele, sempre com ótimas frases, virou e disse: “Lucas, você é o que quiser ser“. Isso ficou em minha cabeça.

Nós, não apenas eu e meu amigo, construímos, ao logo de nossa história, uma imagem de nós mesmos, a forma como os outros nos veem. Essa imagem é criada a partir de uma série de pontos. Listo alguns: pequenos comentários que fazemos, como agimos em determinadas situações, a forma como vemos certas questões e assim por diante. O que meu amigo quis dizer foi simplesmente que, se não estamos contentes por alguma coisa, podemos mudar isso. Eu, por exemplo, não gosto de como algumas pessoas agem comigo. Sei que a atitude delas é um reflexo de uma atitude minha. Em vez de reclamar das atitudes alheias, é preciso mudar as próprias.

Esse mesmo amigo, aliás um grande amigo e uma pessoa que admiro muito e tenho como porto seguro, sempre que eu ligo reclamando de algo diz: “Lucas, supera“. Atualmente já é uma brincadeira entre os outros amigos, mas esse “supera” serve para tantas coisas. Sabe aquele desentendimento que você teve com alguém do trabalho? “Supera“. E aquela angústia por não saber se fez certo ou errado ao agir daquela forma? “Supera“. Está triste porque alguém não fez como planejado? “Supera“. Serve para absolutamente tudo.

Se ficarmos remoendo tudo o que acontece não vamos para frente, não nos desenvolvemos. É preciso remoer, aprender e, logo depois, “supera” tudo isso. Se as pessoas não estão respondendo como você deseja, pergunte de outra forma. Se nada acontecer como o previsto, “supera“.

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Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado…

Assim que entramos na faculdade, a primeira coisa que fazem é raspar os cabelos dos meninos e melecar os das meninas. Durante a adolescência é o cabelo uma das primeiras evidências da tribo que participamos. Eu tive alguns cortes, entre eles uma época hippie. Quando chegamos ao ambiente de trabalho, muitas vezes, esquecemos que, assim como a roupa, o cabelo faz parte do auto-cartão de visitas. Quem percebe, normalmente, são os chefes, que não sabem como falar isso de forma agradável ou respeitosa.

Já ouvi três histórias de estagiários que tiveram problemas com as cabeleiras. A primeira delas, a de uma garota que trabalha em uma grande instituição financeira nacional. Seu cabelo é crespo e sua chefe uma não referência de liderança. Certo dia, a estagiária chegou para trabalhar e tal chefe lhe sugeriu, de forma sutil, que usasse chapinha para alisar o cabelo. Que fique claro: a garota, que conheci pessoalmente, tinha um cabelo bonito e bem cuidado. Como uma verdadeira Y, a garota nada fez. Continuou usando as madeixas como bem queria.

Um grande amigo meu também trabalha em uma gigante instituição financeira e teve problemas capilares. Seu cabelo é normal, nada de extravagante, apenas um topete estilo moicano, bem moderado e diria que, um tanto, conservador. Seu chefe chegou e disse: “estagiário, aqui o cabelo tem que ficar de lado.” Ele, um legítimo Y, virou para o superior e alertou: “gosto do meu cabelo assim. Se quiser me demita, mas saiba que irá demorar muito para conseguir colocar alguém no meu lugar com as minhas capacidades.” Meu amigo ainda estagia lá e agora recebeu o convite para ser contratado.

A terceira história é de um seguidor do Twitter que me escreveu por Direct Message. “Um dos grandes reclamou do meu cabelo! Por que mesmos o geniais ainda se prendem a esse tipo de coisa?”, afirmou o estagiário. Pela sua foto, o garoto tem um cabelo normal, nada de excêntrico ou esquisito.

A questão é que a aparência ainda conta muito. O cabelo, a roupa, o sapato, a aparência em geral são extremamente importantes para a visão que as pessoas têm de você. Às vezes nos esquecemos que, diferentemente do ambiente da universidade, onde quase tudo é permitido, no ambiente corporativo, extravagâncias são vistas como risco. A dica é se olhar no espelho e ver se o cabelo está de acordo com o que o mercado pede. Caso seu chefe continue a reclamar, faça como os outros estagiários Y: ignore. Mas se você enxergar um cabelo que seria perfeito para sair à noite, mas não para ficar sentado por seis horas trabalhando, está na hora de ligar para o cabeleireiro e marcar um corte comportado.

*O título foi baseado na música Cabelo, de Arnaldo Antunes e Jorge Ben Jor , interpretada por Gal Costa.

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