É preciso sonhar

Sonhos, sonhos e mais sonhos – uma hora viram pesadelos. Certo? Corretíssimo, senhor. Fiz inglês por cinco anos. Yes dude, I do speak, write and read. Li livros e mais livros, posso recitar Vinícius de Moraes e Neruda como quem canta um sertanejo desses que grudam na cabeça. Falo espanhol também. No puedo acreditar que és brasileño, me dizem os argentinos com aquele espanhol que sempre soa portuñol. Oras, a essas horas você que lê deve pensar: esse menino se acha a última bolacha do pacote,  o último gole de coca-cola do deserto do Atacama (o mais seco, diga-se de passagem) ou é simplesmente um metido-que-pensa-ser-incrível. Nada disso. Não li metade dos livros que queria no último ano, sempre acho que meu inglês pode melhorar (amigos mais próximos, vocês estão proibidos de comentar. Sei que vocês sempre dizem que sou fluente, mas não sinto isso), meu espanhol parece fraco ainda (argentinos, também proibidos de comentar). Não, não e não! Isso não diz nada. Ainda tenho sonhos e mais sonhos. Não importa quem é você, como é e o que tem, existem os sonhos, esses pedacinhos de vida que ainda queremos viver.

Eu não devia ter lido Kafka, muito menos Orwell. Por que diabos fui ler Machado de Assis? Quem foi que me apresentou o Guimarães Rosa? Chico Buarque, eu insisto: por que você apareceu na minha frente? Tom Jobim, suma. Saiam todos, vocês só intensificam essa vontade louca de ser alguém. Calma, calma, calma! Não se esqueça que O Mundo é um Moinho e “vai triturar teus sonhos tão mesquinhos, vai reduzir as ilusões à pó”, não é Cartola? Não e não, senhor. Aqui existem sonhos grandes (e não mesquinhos) e não vi nenhuma ilusão passar por aqui (tudo por essas bandas de cá dá para colocar em prática).

Ando falando muito de sonhos, desejos, vontades, medos, angústias e coisa e tal (dá uma olhada nos últimos posts). É…estou fechando um ciclo: faculdade, estágio, pagar meia em eventos sociais, a pré(não muito grande)-responsabilidade de ainda não ser adulto por completo…Calma, calma e mais calma, você não tem que decidir nada agora, dá para ir sambando pela vida, deixando o barco ir pelo rio e ir vivendo. Apareceu uma oportunidade, você gostou? Agarra. Não fica lá no futuro não, fica aqui, sonha e vai vivendo, senão a vida vira uma ilusão da “vida inteira que podia ter sido e que não foi”, não é mesmo Bandeira? É preciso sonhar (e sonhar alto, não é mesmo Natascha Dias?).

Por falar em Natascha…tínhamos 15 anos, sentados na mesa de jantar da sala, ela vira e comenta: Lucas, na vida é preciso sonhar alto, caso contrário nada será realizado e outra, é melhor sonhar alto e realizar o mínimo que sonhar baixo e nunca realizar. É…preciso sonhar!

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Você está fazendo a sua parte?

Em uma conversa, dia desses, descobri que em um processo seletivo para trainee de uma grande empresa brasileira, quase 50% dos inscritos não passaram da prova de inglês, em 2010. Sim, é isso mesmo que você leu. Enquanto alguns fazem curso de inglês apenas para ganhar um certificado (que de nada servirá na hora de ter que falar inglês) alguns resolveram estudar – e olha que eu dei aula de inglês por três anos na minha vida e sei que essa realidade é muito verdadeira.

Enquanto alguns têm um emprego, outros têm uma carreira. Simples e sutil diferença de palavras, mas com significados bem profundos. (#ficaadica)

Você é estagiário, se veste como estagiário, age como estagiário e pretende o quê? Ser estagiário para sempre, né? Sabe, cá entre nós, você realmente terá gastrite porque lidar com todas as cobranças da vida adulta não é fácil mesmo. Mas, eu juro que uma hora você perceberá que é uma fase de transição, que precisamos mesmo levar uns tapas na cara (de forma metafórica por favor) para enteder essa nova vida que está por vir, a chamada vida adulta.

A pergunta do título é simples: você está fazendo a sua parte? Porque, só aqui entre a gente (afinal o papo aqui é entre amigos), se você estiver esperando que dinheiro caia da árvore e que emprego apareça atrás da porta da esperança você não passa de um sonhador. Não que sonhar não seja bom, mas chega uma hora que você precisa colocar a mão na massa.

A decisão é sua, a vida é sua e blá blá blá (você já cansou de escutar isso), mas…você está fazendo a sua parte? Porque, chega mais pertinho para eu falar no ouvido, frequentar as aulas de inglês não fará você falar inglês, tá bom?

P.S. 1(de extrema importância): o exemplo do curso de inglês foi apenas um exemplo, isso serve para todas as áreas de sua vida. Como eu li no Twitter hoje mesmo: Essa galera que fica chorando, querendo que chegue logo às 18h? Pede demissão e vai viver de fotossíntese.

P.S. 2 (importante também, é claro): como tem sido de costume, ao final de cada post, coloco uma música. A de hoje tem ligação direta com o título:

Imagem de Amostra do You Tube

“Tô fazendo a minha parte, um dia eu chego lá.”

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Nada será como antes

De repente, me pego deitado na cama pensando sobre como será o amanhã, o depois de amanhã… O que será da minha vida? O trabalho, as decisões, os destinos….Só sei que nada será como antes! Passa o dia, passam pessoas, passa a hora, passa um turbilhão em poucos anos que nos transforma de crianças que passavam as tardes em um sofá assistindo a programas de televisão em adultos que precisam decidir o que será de nossas vidas.

Ao entrarmos na faculdade, saimos do ninho de nossos pais. Passamos a ser do mundo, temos experiências (seja lá quais forem elas) diferentes, passamos a viver mais livres. Agora é o momento de sair da casca de ovo. Ela é fina, frágil e precisa ser quebrada da forma certa, caso contrário a gema explode e tudo dará errado. Sair não é fácil, obviamente. Dói! Dá uma vontade de chorar, um nó na garganta. Que caminho seguir, afinal? São tantos que ficamos mais perdidos que cegos em tiroteio, que cachorro em dia de mudança, que chave em bolsa de mulher (modo de preparo: junte todas essas formas de estar perdido, coloque no liquidificador, bata por quatro anos, no mínimo, despeje em algum recipiente qualquer e deixe a gororoba se virar para crescer e ficar bem assada).

O que fazer diante de tudo o isso? Sentar e chorar não vai adiantar, afinal a vida está ai, batendo feito água de riacho em seu bumbum e não vai dar tempo de sentar na beira do rio para chorar (corre que a enchente está transbordando sua garganta de choro, mas não há tempo. Droga!). Outra opção seria pedir ajuda dos universitários, mas eu acho meio arriscado. Que tal chamar alguém mais velho para conversar? Pode ser, mas cá entre nós esse momento é seu, são suas essas decisões e não dos seus pais. Ouvir os amigos pode ser uma boa, até porque estamos no mesmo momento, mas que fique bem claro que eles não poderão resolver nada por você. Agora é você por você e pronto.

Você já está com o pé na estrada, agora é só começar a caminhar.

Imagem de Amostra do You Tube

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