Tempo de conversas
2010
Vira e mexe, aqui na redação, me perguntam o ano em que nasci. Respondo, sem problemas, que foi em 1988. Não demora muito e então começa a sessão nostalgia. Um vira e diz que, no ano em que eu nascia, ele já fazia isso e aquilo. A outra põe a mão na boca e faz uma cara de “não acredito, eu lembro quando tinha essa idade e fazia tal coisa.” O engraçado é que não foi uma, duas ou três vezes. A sessão nostalgia acontece sempre. Eu, particularmente, gosto, afinal me mostra que ainda tenho tanto chão para caminhar, tanto texto para escrever, tanta fonte para entrevistar e tanto a viver. Mas sinto que muitos deles, que vejo serem realizados na carreira, ficam um pouco mal com a reflexão.
Como a revista está completando 12 anos, rolou mais uma dessas sessões. A Diretora X (que tem ares de Y) começou a perguntar pela redação o que cada um fazia em 1998, quando a VOCÊ S/A foi lançada. Fiz as contas e constatei que estava na terceira série. Nem preciso dizer que quando informei a constatação a sessão nostalgia começou.
Lembrei-me do livro Conversa Sobre o Tempo, que é, literalmente uma conversa entre os escritores Luis Fernando Veríssimo e Zuenir Ventura, mediado pelo jornalista Arthur Dapieve. A conversa, que ganhei de presente de aniversário de um grande amigo, e a sessão nostalgia me fizeram refletir muito sobre o futuro. Não posso negar que penso muito sobre quem serei daqui alguns anos. O futuro dá medo, ao menos para mim. Talvez a palavra não seja medo, e sim angústia ou ansiedade. Assim como os que começam a pensar o que faziam no ano em que eu estava nascendo, eu penso o que serei quando tenho a idade deles.
Quando meu amigo me presenteou havia um cartão e nele, entre aspas, uma citação: “tempo, tempo, tempo, tempo”. Ele provavelmente não saiba, mas é um trecho de uma das minhas músicas favoritas, “Oração ao Tempo”, escrita por Caetano Veloso, que gosto quando é interpretada pela Maria Bethânia, que dispenso comentários. Aqui embaixo vocês conseguem ouvir a música na versa da cantora baiana. Deixo, para que vocês reflitam, as seguintes partes, da canção:
E eu espalhe benefícios
Afinal, o que será dessa vida se não para ajudarmos o mundo e beneficiar a todos que pudermos? Porque trabalhar apenas pelo salário é inútil. O que gosto na sessão nostalgia é sentir que muitos deles não querem que o tempo passe para poder fazer mais, produzir mais, ajudar mais. E assim acredito que seja: se não for para acrescentar, melhor parar e recomeçar.


31 ago, 2010 22:27
Delícia esse texto e essa reflexão, Lucas. Estou 15 anos na sua frente e continuo pensando igualzinho. Se não for para acrescentar, melhor parar e recomeçar. Vale para a carreira e para todas as outras coisas importantes da vida.
31 ago, 2010 22:28
Olá Lucas, bem legal o texto. Tomara que os Y tenham toda essa sensibilidade também.
Um abraço!
31 ago, 2010 22:45
Tempo, nostalgia, ansiedade, gerações, Bethânia…
Com esses elementos, a discussão vai loooonge! =)
E, a propósito, até onde eu sei, em 1998 você estava na 4ª série ;D
hahahaha
Beijos!
31 ago, 2010 22:57
Nasci em 1987 e sinto as mesmas angústicas que qualquer cidadão da geração Y, principalmente pela era de incertezas da qual fazemos partes. Com um mercado tão mutante, fica difícil saber aonde iremos para daqui há 20 anos. A única coisa que podemos fazer é tentar nos prepararmos para que, futuramente, possamos estar bem recolocados e sendo reconhecidos pelo trabalho que realizamos. Agora, imagine, um rapaz de 23 anos, residente no Acre. Pode ter certeza que o complexo de “incertezas” triplicam. Um grande abraço!!
01 set, 2010 0:09
Excelente post! Você fez uma excelente reflexão aqui e não foi só sobre o tempo. Foi sobre o real sentido da vida… Parabéns!
01 set, 2010 7:30
Oi Lucas, é primeira vez que leio um texto seu aqui e queria dizer que gostei muito e que vou continuar acompanhando seus posts.
Eu gosto quando encontro jovens pensantes, ou seja, fico feliz quando “conheço” alguém que pensa no futuro, que gosta de escrever e de falar sobre ideias, que planeja uma carreira e etc.
Parabéns pelo texto e por escrever tão bem.
01 set, 2010 7:53
Belo texto. O tempo é assim mesmo, uma linha tênue entre a saudade e a insegurança.
01 set, 2010 10:24
Não adianta tentarem me convencer o contrário, as pessoas tem medo de mudanças, sim. Você tem 22 anos e escuta isso, acredite, não muda muito nos meus ouvidos, ouço isso até hoje e eu tenho 27. Mas ao contrário, por estar desempregado, eu ouço aquela velha ladainha “Na sua idade eu já estava com meus dois filhos, casado(a) e blábláblá…”.
Os tempos mudaram….antigamente (1600 a 1950) um rapaz de 15 já era considerado adulto que deveria parar de estudar, se casar e ter de 5 a 15 filhos. Hoje uma pessoa com 27 deixa todo mundo de boca aberta ao dizer que é solteira, mora com os pais e está desempregado é ouvir a palavra “BLASFÊMIA!!!”.
O tempo mudou e o mundo também, hoje para sobreviver sozinho e muito bem, no mínimo deve ganhar r$2.000,00 senão terá que trabalhar o triplo.
Sem contar que existem pessoas e Pessoas, ninguém precisa seguir a mesma rotina do tempo, a vida não é medida por minutos e sim, por momentos. Podem ser bons ou ruins, depende de muitos fatos. Não podemos saber o futuro, mas odemos utilizar as informações necessárias para fazer o melhor.
Paz.
01 set, 2010 22:00
Lívia! Tem certeza? hahaha Era a Jacira a professora, então?
02 set, 2010 15:08
[...] Fonte: Estagiário Y [...]
09 set, 2010 17:50
Olá! Primeira vez minha aqui, também!
Ótimo o texto, Lucas! Parabéns! Também nasci em 88, sou um Y na empresa e “Em busca da Felicidade”.
Esses períodos nostálgicos comentados fazem parte do meu cotidiano e como vc, até gosto de ouvir e me projetar no futuro, me vendo dizendo essas coisas prum futuro Y que deve ter nascido por esses dias…
Desejo boas idéias a todos.
Ps.: acabo de me tornar leitor oficial do seu blog.
11 set, 2010 13:37
1998, tia Jacira! Hahaha
Ê, saudaaade!
(sempre me sinto meio esquisita quando me vejo tão nostálgica aos 21)
Beijão!
07 out, 2010 14:02
[...] o texto, achei legal e, por isso, compartilho! “Tempo de conversas” foi escrito pelo Estagiário Y, da Revista Você [...]