Mais tecnologia, mais trabalho

O gráfico abaixo é curioso. Mostra a evolução do trabalho no tempo nos Estados Unidos – pode-se dizer que o mesmo fenômeno também acontece aqui no Brasil: enquanto o trabalho agrícola (farmer e farm laborer do gráfico) reduz no tempo, aumenta a carga de trabalho de quem dá expediente no ambiente corporativo (manager, operative e sales)

Há diversas leituras para o gráfico. Minha perspectiva? O mesmo motivo explica os dois eventos (redução da carga horária para os agricultores e aumento de trabalho no mundo corporativo): a inserção de tecnologia. No mundo agrícola, a tecnologia permite hoje que um trabalhador produza mais com menos esforço e em menos tempo. Essa economia de tempo não se traduz diretamente em mais trabalho, pois as safras dependem de fatores externos como clima e estações do ano propícias para o plantio de cada cultura . No mundo corporativo, a inserção da tecnologia também fez aumentar a produtividade, só que a economia de tempo por atividade não significou descanso para o empregado! A tecnologia no mundo empresarial integrou mercados, acelerou a troca de informações e aumentou o raio de abrangência das empresas. Isso tudo aconteceu ao mesmo tempo em que as corporações promoviam cortes de pessoal. O resultado está no gráfico: trabalhamos muito mais do que no passado.

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Home office 2

Ainda sobre o tema home office, conversando ontem com o diretor de Assuntos Corporativos da John Deere para América do Sul, Alfredo Miguel Neto, tive a informação de que a fabricante de máquinas agrícolas, que no Brasil tem fábrica em Porto Alegre e escritório em São Paulo, conseguiu um parecer jurídico que dá respaldo legal à empresa para ampliar o seu número de trabalhadores remotos. Mais profissionais da John Deere no Brasil podem trabalhar de casa. E a empresa tem a tranquilidade de que se, eventualmente, for acionada judicialmente, ela está resguardada. Por enquanto, diz Alfredo Miguel sobre o caso da John Deere, o parecer só libera funcionários do nível de supervisor para cima. Ainda assim, é um grande avanço já que um dos maiores obstáculos para a disseminação do trabalho remoto no Brasil é a CLT, que não regulamenta a prática. E isso faz com que as empresas temam aumentar seus passivos trabalhistas por conta de processos na Justiça.  Há um Projeto de Lei da Câmara, de número 102/07, que tem por objetivo disciplinar o trabalho remoto no Brasil. Mas a depender da velocidade dos nossos congressistas deve demorar para a lei constar na CLT.  Pior para os profissionais, pior para as empresas.

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