Comunicação viral

A comunicação nas empresas vai muito mal. A conclusão é de uma pesquisa feita pela consultoria DMRH, a pedido de VOCÊ S/A, com 1 300 profissionais de analistas a diretores. O estudo publicado na edição de maio da VOCÊ S/A, que chega às bancas nos proximos dias, aponta que o grande gargalo para uma comunicação mais eficiente está no nível médio das corporações. Os gerentes não estão sendo capazes de passer a mensagem objetivos de curto prazo, principalmente. O resultado é perda de eficiência, menor produtividade e maior número deconflitos no trabalho. As empresas sabem disso. E há tempos vem tentando remediar a questão – sem sucesso na maioria dos casos, como mostra a pesquisa que ouviu empresas de diversos segmentos da economia. Já se tentou de tudo desde a comunicação convencional via jornais internos e murais até as tvs corporativas – exemplo recente é o da Magazine Luiza, que lançou sua TV corporativa e aproveita seus programas internos para disseminar suas melhores praticas. Se para as empresas esse é um grande problema, para você essa é uma baita oportunidade, pois os profissionais que comunicam melhor tem muito mais chance de ser valorizados.

Veja só, o conceito mais novo para sanar o velho problema da comunicação vem da Inglaterra. Trata de uma metodologia criada pelo psquiatra e consultor Leandro Herrero que usa as redes informais de influência para disseminar metas, estratégia e valores. Ele chama o processo de Viral Change. O primeiro passo é encontrar dentro das empresas os profissionais que tem maior capacidade de influenciar os demais – em outras palavras os melhores comunicadores. “Basta perguntar quem são as pessoas consultadas no dia-a-dia para esclarecer dúvidas técnicas ou do negócio”, disse Herrero por telepone. Na pratica, colocar a proposta em ação implica que os líderes aceitem dividir seu poder com esses profissionais mais influentes. “O papel do líder nesse modelo é de apoiador”, diz Herrero. Encontrados os influentes, é definir os objetivos e medir resultados. As métricas de avaliação são definidas para cada empresa. Parece bobagem, mas o fato é que Herrero tem sido contratado por gigantes como Pfizer. No mês que vem, ele visita o Brasil para dar consultoria sobre o assunto para grandes corporações do setor farmacêutico.

Em tempo, o setor farmacêutico passa por intensa transformação no Brasil e no resto do mundo. Há intenso movimento de consolidação na indústria, maior pressão para desenvolvimento de novas patentes em um período de tempo menor – tradicionalmente as empresas levam dez anos para colocar uma droga no mercado   e tem vinte anos para comercializá-lo, antes da industria de genéricos explorar a formula. Somente este ano estiveram no Brasil uma dúzia ou mais de especialistas e consultores dando suporte a Novartis, Pfizer e Roche para endereçar essas questões. Para as farmacêuticas, a comunicação é só mais um desafio dentre questões bem mais críticas.

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