A nova demografia do Brasil

A edição desta semana da revista Veja traz uma reportagem que mostra as mudanças no perfil demográfico de um segmento da população brasileira, com base em estudos conduzidos pelos pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, o brasileiro está vivendo mais e nas classes A e B a longevidade da população já supera os índices dos países desenvolvidos. Outra reportagem da revista mostra que o nível de consumo nas classes A, B e C está crescendo de forma acelerada.

Essas duas notícias sinalizam o volume de oportunidades que está se abrindo para as empresas no Brasil. A população vive mais e ganhou poder de consumo nos últimos anos. Algumas companhias já se deram conta desse movimento e já estão se posicionando para expandir sua participação no mercado. Um exemplo é a Natura. A empresa deu início no mês passado ao seu ciclo de planejamento estratégico para os próximos 20 anos. Para isso, pretende ouvir especialistas em diversas áreas antes de definir as metas. O primeiro convidado para falar ao comitê executivo (Comex) da Natura foi o ex-diretor da divisão de população das Nações Unidas, o demógrafo Joseph Chamie. Ele falou aos executivos da Natura no dia 10 de fevereiro e na sequencia endereçaria questões dos principais líderes da empresa.

Paralelamente, a Natura está revisitando seus programas de capacitação de líderes dê olho nas oportunidades que estão se abrindo no Brasil. A empresa quer que seus gestores e funcionários em posição de liderança sejam cada vez mais proativos, propositivos (em termos de melhorias de processos e inovação) e colaborativos. É um bom exemplo de empresa que está antenada às mudanças que estão em curso no Brasil e também de como essas mudanças se refletem na forma de fazer a gestão de pessoas.

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Olho de lince sobre os novos líderes

Em posts anteriores, comentei neste Blog o esforço que as empresas vêm promovendo para atrair novos talentos, principalmente por meio de seus programas de trainee. O caso mais emblemático para mim até então era o da AmBev (ver link abaixo para entrevista com o executivo Olivier Paul Marie Lambrecht, publicada neste Blog em 10/8), que quer colocar seus executivos para conversar frequentemente com os coordenadores de cursos das melhores universidades do país. O objetivo da cervejaria é conhecer melhor os alunos mais bem preparados desde os primeiros passos desses jovens na academia – e claro, recrutá-los para trabalhar na companhia.

Esses dias tomei conhecimento de mais dois casos que demonstram a preocupação das empresas em identificar ainda melhor seus trainees e alinhá-los desde cedo aos seus credos corporativos (os valores que cada empresa defende). O primeiro caso é o da Natura, que este ano adotou uma estratégia diferente para o processo seletivo de seus trainees. A empresa escondeu o próprio nome durante o período de inscrições, em busca de candidatos alinhados aos valores da empresa. A empresa criou um hotsite e divulgou vídeos no YouTube sobre o programa, mas foi lacônica no tipo de informação repassada ao candidato. Informou apenas que era uma das principais empresas do setor de cosméticos no Brasil, a remuneração oferecida e o tempo de formado que o candidato deveria apresentar (entre julho de 2005 a dezembro de 2009). De resto, não quis saber de currículo ou experiência nem restringiu a seleção a qualquer área de estudo. “Queremos que nossos próximos líderes sejam atraídos pelos nossos valores”, explica a empresa no site do concurso.

Outro exemplo vem da rede Blue Tree de hotéis. Seu presidente-executivo, Mário Lúcio de Oliveira, conta: “Fiz questão de estar em todas as etapas da escolha dos candidatos ao programa de trainee [a seleção aconteceu em agosto]. Minha intenção era conhecer melhor os universitários, participar ativamente das dinâmicas e, desta maneira, auxiliar a recrutar esses talentos. No processo, pude avaliar de perto a capacidade analítica de cada um, além de qualidades que procuramos, tais como arrojo, conhecimentos gerais, potencial de liderança e equilíbrio emocional”.

Como se vê, há maior preocupação por parte de algumas corporações de aumentar a taxa de acerto na escolha de seus futuros líderes. Esses exemplos provavelmente serão seguidos por outras corporações. Para o candidato aspirante a trainee o maior esforço das empresas age em seu favor: pois o jovem tem a possibilidade de apresentar suas habilidades e aptidões a quem realmente interessa. Em tempo, a AmBev teve recorde de inscrições no seu programa de trainees. Foram 60 133 inscritos — um número 25% maior que o de 2008.

Leia a entrevista com o executivo Olivier Paul Marie Lambrecht:   http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2009/08/10/entrevista-olivier-lambrecht-executivo-de-rh-da-ambev/

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