Empreendedorismo: O caminho da web

A internet é o caminho mais viável (e com o futuro mais garantido) para quem dispõe de uma ideia de negócio na cabeça, poucos recursos financeiros e muita vontade de ser seu próprio chefe. Essa percepção ficou bem clara para mim depois de ter voltado da entrevista com os fundadores do Buscapé, o site de comparação de preços fundado em 1999 por quatro estudantes universitários (veja link para entrevista abaixo). Seus fundadores são jovens que apostaram numa ideia e desembolsaram 300 reais para colocá-la de pé. Dez anos se passaram e depois de muito esforço, eles construíram um baita negócio que tornou a vida do consumidor mais fácil, na medida em que permite às pessoas, facilmente, comparar preços e fazer a melhor opção de compra. No final de setembro, o Buscapé foi comprado (91% da empresa) por 600 milhões de reais pelo grupo sul-africano Naspers. Seus fundadores, no entanto, continuam tocando o negócio a todo vapor.

Desde então, tenho pesquisado outras empresas que tem o mesmo perfil do Buscapé. E outro dia me deparei com a história da NetShoes, uma loja virtual especializada na venda de artigos esportivos. A NetShoes foi fundada em 2000 com um investimento inicial de 70 mil reais. Atualmente, a empresa fatura 98 milhões de reais (2008). Seus sócios também são jovens que viram na web a possibilidade de prosperar sendo dono do próprio negócio. Desde a sua fundação, há nove anos, o NetShoes vem aperfeiçoando sua interface com o cliente, visando a facilitar a vida de quem compra. O índice de devolução de produtos é de apenas 4%. Por trás dessa operação há uma série de profissionais que tomam conta para quem tudo rode perfeitamente. No NetShoes, uma área crítica é a de análise de risco e de crédito, fundamental para garantir que as compras tenham baixo índice de inadimplência. A exemplo do Buscapé, que foi comprado por uma grande investidor estrangeiro, têm muito peixe gringo graúdo de olho no trabalho feito por Márcio Kumruian, de 36 anos, (sócio e diretor de operações) e seus colegas do NetShoes.

Histórias como as do Buscapé e a do NetShoes tendem a se repetir com uma frequência cada vez maior no Brasil. Os motivo para isso estão no início do post: a internet é o caminho mais viável (e com o futuro mais garantido) para quem dispõe de uma ideia de negócio na cabeça e poucos recursos financeiros. Acredite, hoje em dia talvez seja mais fácil arranjar financiadores para um projeto de empresa virtual do que para uma empresa nos moldes pré-web. 

Leia entrevista com os fundadores do Buscapé, na VOCÊ S/A de novembro: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/carrinho-cheiro-511682.shtml

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As novas formas de trabalho

O número de candidatos inscritos nos programas de trainee de grandes empresas me impressiona. AmBev recebeu 60 mil inscrições. Nestlé idem. Natura recebeu menos inscritos, cerca de 15 mil – mas isso porque sequer divulgou o nome da empresa no inicio do processo seletivo (para entender melhor essa história leia o post “Olho de lince sobre os novos líderes). Os melhores alunos que saem das universidades brasileiras ainda olham essas grandes vitrines corporativas como a grande chance de dar início às suas carreiras. Desnecessário dizer que a seleção é um massacre: o número de etapas nesses processos cresce ano após ano e fica cada vez mais difícil saber o que define quem entra e quem fica de fora. Claro, nós que diariamente ouvimos executivos, de RH e de outras áreas do negócio, temos acesso a uma infinidade de explicações sobre quem é o candidato ideal – leia no post “Quem tem maior empregabilidade?” a opinião dos RHs.

Quem participa da seleção, no entanto, não tem essa clareza. E não é para menos, as empresas são reticentes em comunicar seus critérios ao candidato a uma vaga de emprego. Basta comparar as respostas dos executivos (que estão no post que acabei de mencionar acima) com o que está escrito no site das mesmas empresas. Isso vale para a maioria das companhias no Brasil. Mas vou retomar meu ponto inicial: o jovem ainda mira as grandes empresas na hora de iniciar a carreira. Ok, ok, tem mais gente nova empreendendo, mas em números absolutos eles são ainda insignificantes dentro da massa de formandos que chega ao mercado de trabalho todos os dias.

Meu ponto é que os jovens deveriam também estar mirando outras modalidades de empresas e formas de fazer carreira. Primeiro porque a carreira em grandes corporações tem longevidade cada vez menor. Hoje, a idade limite nas empresas no Brasil é de 55 anos – quem fica além disso é um ponto fora da curva. E a idade média dos profissionais é de 40 anos.

Os dados são extraídos pelo professor André Fischer, a partir da análise do banco de dados do CAGED, do Ministério do Trabalho. No mundo, a participação das grandes empresas no bolo total de riquezas gerados pelos países têm caído. Um exemplo: nos Estados Unidos, as grandes corporações respondiam por 36% do PIB (soma de riquezas geradas pela economia americana) em 1974. Em 1998, as grandes corporações respondiam por 17%. O mesmo se dá, em diferente escala óbvio, em outros países. Como efeito, as empresas cortam mais gente, terceirizam seus processos e serviços secundários e enxugam custos e mais custos. Resumindo, o trainee se mata para encarar um processo duro de seleção, é bombardeado com informações do quão importante ele é para formar o “pipeline de liderança” e, em alguns casos, descobre anos depois que é um profissional descartável – pelos motivos que comentei acima.

A alternativa? Estão se desenhando novas formas de trabalho, que já são reais e tem muita gente que já ganha a vida a partir delas. Vender o capital intelectual nunca foi tão fácil e a demanda por ele nunca foi tão grande (leia a reportagem O novo lugar de trabalho, na edição 136, de outubro, da VOCÊ S/A). Há também o caminho do empreendedorismo, cada vez mais uma opção dos jovens da geração Y. E ainda há oportunidade nas pequenas e médias empresas - são elas as molas propulsoras da economia brasileira. E a boa notícia aqui é que elas estão modernizando sua gestão e ficam cada vez mais profissionais. Fique ligado, pois o mundo do trabalho está mudando numa velocidade absurda. Quem bate na mesma estaca rala mais e colhe menos frutos.

Link para os textos citados neste Post

Olho de lince sobre os novos líderes: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2009/09/17/olho-de-lupa-nos-novos-lideres/

Quem tem maior empregabilidade: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2009/09/02/quem-tem-maior-empregabilidade/

O novo lugar de trabalho: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/the-hub-escritorio-novo-lugar-trabalho-504690.shtml

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