A cervejaria Ambev, cujo escritório central fica em São Paulo, este ano vai investir pesado no treinamento de seus funcionários. Serão colocados 20 milhões de reais na capacitação do pessoal, dos funcionários das fábricas ao presidente – 25% a mais do que o valor investido em 2009. Lá, qualificação é um assunto levado a sério. Um dos pontos que a cervejaria vai “estressar” esse ano nos cursos de qualificação da liderança e da equipe de engenharia é o treinamento da competência analítica. Isso por que a Ambev quer melhorar o percentual de acerto nos projetos que realiza. Lá, a cultura é de tomar risco e os funcionários são incentivados a ousar. Mas diante de um cenário de negócios mais complexo, competitivo (a Ambev detém 70% do mercado, mas está sempre de olho nos concorrentes e no crescimento das cervejarias regionais) e acelerado, a empresa quer melhorar suas análises “Go”, “No Go”, na hora de definir em que projetos vai colocar suas fichas.
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Lá fora, o executivo brasileiro Carlos Brito, que comandou a AmBev por aqui e agora está a frente da A-B Inbev, grupo mundial com sede na Bélgica e do qual a cervejaria brasileira faz parte, enfrenta a resistência de sindicatos de funcionários e da comunidade local em Leuve, na Bélgica (sede do grupo), e em St. Louis, no Missouri (EUA), sede da Anheuser-Busch (incorporada à Inbev em 2008), por conta de cortes de pessoal que vem promovendo em suas fábricas. Os administradores da A-B Inbev começam a imprimir na Anheuser Bush o método de controle de custo e busca de margem que consagrou a gestão da cervejaria e permitiu a expansão global do grupo. Num momento em que a taxa de desemprego médio na Europa (zona do Euro) e nos Estados Unidos é de 10%, as demissões estão motivando piquetes na frente das fábricas e críticas de todos os lados, principalmente dos sindicatos que lá fora ainda são muito atuantes. No Twitter, por exemplo, há diversos posts criticando a postura de Brito, por conta das demissões. O caso é interessante pois mostra a que tipos de desafios estão expostos os brasileiros que estão à frente de corporações globais.
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Voltando a AmBev, nos próximos meses, a cervejaria começa seus fóruns globais e regionais de discussão com as lideranças. O objetivo é “consensuar” as metas para o ano e as formas pelas quais elas serão atingidas. Todos os anos, um tema é escolhido para pautar a conduta dos líderes frente aos desafios de gestão de pessoas na cervejaria. Esse ano, o tema deve ser paixão. Um sinal de que mesmo a AmBev, obcecada pela eficiência operacional e pelo desempenho financeiro, entendeu que as pessoas trabalham por algo maior do que recompensa em dinheiro (os bônus lá são a altura dos desafios). No caso, tesão pelo que fazem. É isso que as mantém motivadas ao longo do tempo, independentemente do cenário externo.

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