Banqueiro de investimento? Ó, coitado
2009
Uma das principais notícias dos jornais de hoje (7/5) diz respeito ao “teste de estresse” pelo qual os grandes bancos americanos, 19 ao todo se não me engano, estão passando. Trata-se de uma avaliação rigorosa dos auditores e técnicos do Fed, o banco central americano, para saber qual é a real situação das instituições financeiras daquele país depois da injeção de recursos do governo Obama. Toda as vezes que vejo notícias como essa, lembro de um comentário do meu pai que diz ler jornais e mais jornais e nunca entender, de fato, como o mundo chegou a esse ponto.
Confesso que toda vez que tento explicar, também acabo me questionando. Hoje, em uma troca de emails com o executivo Fernando Lanzer, recebi dele uma explicação curiosa. Segundo Fernando, ao contrário do que quase todo mundo diz, a crise não foi causada somente pelos banqueiros de investimento. Fernando conhece esse universo. Ele fez carreira em bancos durante 25 anos. Foi diretor de RH do Banco Real e do Banco Iochpe. Atualmente trabalha na consultoria de gestão LCO Partners, na Holanda.
Fernando diz que a origem da questão está nas operações com derivativos. Mas os derivativos não são uma invenção mirabolante dos profissionais de banco de investimento. E sim de CFOs, os executivos de finanças de grandes corporações. Os profissionais de banco de investimento só deram maior utilidade à invenção e, em algum momento, perderam controle da coisa toda – em prol de gordos bônus diga-se de passagem. No final, as operações financeiras, baseadas em modelos matemáticos que só os banqueiros entendem, mais pareciam com as antigas pirâmides financeiras. Não tardou, a coisa toda esfacelou.
As lições, segundo Fernando:
1) Banqueiros de outras áreas (consumer and commercial banking) estão dando risada. Alguns desses profissionais advogavam que mais valia conhecer o cliente ou companhia do que decidir baseado em modelos matemáticos. Comentário meu: é bem verdade que sempre houve uma ciumeira dentro dos bancos em relação ao pessoal da área de investimento – mais bem remunerados, ternos mais bem cortados e mais valorizados, antes da crise. No final, todos saíram perdendo.
2) Desenvolva sempre suas “soft skills”. Saber traçar cenários e fazer modelos estatísticos e matemáticos é importante, mas “um gestor é só um gerente sem sua rede de contatos. Competências como intuição e saber conectar informações de várias fontes é crucial para ser um executivo eficiente”, diz Fernando.
3) Aproveite a experiência. A boa formação sempre nos tira das maiores dificuldades (permite a recolocação no mercado de trabalho mais rápido, por exemplo), mas tudo começa com ter humildade para reconhecer o erro. Muitos banqueiros se achavam mestres do universo, “eles deveriam ter tido mais os pés no chão”, diz Fernando.

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