Chefes tóxicos

A reportagem de capa deste mês, que trata sobre chefes tóxicos e por que as empresas ainda toleram esses gestores (antiéticos e incompetentes), tem sido bastante comentada pelos leitores de VOCÊ S/A. “Gostaria que os meus chefes lessem esta matéria e mudassem suas atitudes”, escreveu-nos hoje cedo um leitor de Paranaguá, no Paraná. A verdade é que muitas vezes a empresa tolera um mau gestor simplesmente porque a empresa em si, sua cultura corporativa, é horrível. Essa organização está interessada apenas nos resultados financeiros – e isso já é meio caminho para dizer que a empresa é muito ruim, pois ela sequer considera a sustentabilidade do negócio no longo prazo. Quando isso acontece, o bom gestor é naturalmente “expelido” e ficam somente os chefes tóxicos. Aí a melhor alternativa para o funcionário incomodado é mesmo buscar outro emprego numa empresa que fomente boas práticas de gestão de pessoas entre seus líderes.  

 

Quer ver um relato real de um líder que descobriu que sua empresa estimulava hábitos prejudiciais aos funcionários e decidiu deixar a companhia? Quem escreve é um ex- gerente regional de uma companhia que tem escritório em Recife. “Há 4 anos fui desligado de uma empresa porque não aceitei desenvolver processos seletivos meramente legitimadores de indicações políticas. Ou seja: como gerente regional (lotado em Recife e respondendo por toda a região Nordeste) eu abria o processo seletivo, recebia currículos e indicações e antes mesmo de fechar o processo o “talento” já estava “selecionado”. Fui demitido porque na visão corporativa eu não fui maduro o suficiente para administrar uma situação que deveria ser absorvida como pertinente às minhas atribuições. Meu estilo gerencial até hoje não admite injustiças, pois são elas que debilitam o trabalho em equipe, provocam a desintegração social do grupo e cria uma atmosfera de desmotivação no ambiente. Que talentos permanecerão em uma empresa onde a gestão é superficial, indecisa e não considera a meritocracia como instrumento de desenvolvimento dos profissionais?”

 

Hoje, o profissional é líder da área comercial da Camed, empresa de seguros em Recife que conta com 781 funcionários. “Na atual empresa a liberdade de ação do gestor é respeitada. O foco é no resultado (sempre), sem perder de vista a relevância e indispensabilidade dos colaboradores. A meritocracia prevalece. O clima é altamente vibrante”, diz. Esse é um exemplo que ilustra o que eu dizia no inicio desse post: em empresas ruins há maior incidência de chefes tóxicos. Quem não se encaixa no perfil de gestor tóxico acaba deixando a companhia.

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