Menos três no Google
2011
O executivo Alexandre Hohagen trocou o Google pelo Facebook. A notícia está em todos os sites e blogs que acompanham o mundo dos negócios. Ele assume o cargo de vice-presidente de vendas para a América Latina na empresa comandada por Mark Zuckerberg. Hohagen foi gerente geral do Google Brasil. Liderou o crescimento do gigante de busca no país e teve de lidar com as polêmicas na Justiça decorrentes da expansão da rede social Orkut no Brasil (episódio que ele contornou com moderada maestria).
Um detalhe curioso: se você digitar no Google “Orkut; Justiça” terá como resultado da busca meia dúzia de noticias de jornais inexpressivos relacionando as duas palavras. Faça a mesma consulta utilizando outro serviço de busca online e você verá que as polêmicas decorrentes do crescimento do Orkut foram bem mais sérias do que a pesquisa usando o Google permite concluir.
Enfim, voltando a noticia do dia. Hohagen se tornou VP do Google para a América Latina, em 2008, e o comando do Google Brasil ficou a cargo do executivo Alex Dias, de perfil comercial mais agressivo e trato nem sempre afável. No Google, sempre foi notória a preferência dos funcionários pelo estilo Hohagen de gestão. Alex Dias deixou a diretoria-geral da subsidiária brasileira do Google em agosto de 2010 para assumir a cadeira de presidente do grupo Anhanguera, a maior rede privada de ensino superior do país, com 290 000 alunos e receita de 1,3 bilhão de reais.
Em seis meses, o Google perdeu dois de seus principais executivos no país. Isso em um momento em que a empresa precisa recrutar profissionais para dar sequencia ao seu plano de expansão no Brasil. Estive nos escritório do Google no ano passado – em Belo Horizonte e São Paulo. Na época eles precisavam recrutar 100 profissionais. E não estavam conseguindo. Parte do problema se deve ao rigoroso processo de seleção da empresa. Que faz com que o Google tenha de ouvir 100 candidatos para fechar uma vaga. Quem estava conduzindo o processo de recrutamento até meados de 2010 era o executivo Deli Matsuo, principal homem de RH na América Latina.
Deli foi para o Japão no segundo semestre do ano passado para resolver um tremendo abacaxi. O executivo de RH para a Ásia não estava dando os resultados que a matriz esperava. Esse executivo foi repatriado para a Índia e Deli foi chamado para evitar a fuga de cérebros do Google na Ásia e evitar que o Google perdesse a liderança no mercado japonês (maior mercado na Ásia, em termos financeiros) para o Yahoo. A situação está parcialmente sob controle. Assim como no Brasil o Google precisa recrutar mais jovens no Japão.
O fato é que somado aos dois presidentes que se foram, o principal executivo de RH do Google está fora. Um baita problema. Interinamente, o Google nomeou um executivo para tocar a operação no país. É acompanhar os próximos passos para ver que rumo essa história toma. O fato é que as coisas já estiveram melhor no Google Brasil.

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