A dura vida do gerente

27 jul
2010

As queixas por excesso de trabalho vêm se multiplicando nas empresas – ainda que o discurso padrão seja: “sim, trabalho bastante, mas tenho flexibilidade para administrar meu tempo”. Na prática, quer dizer que o sujeito deixa a empresa depois de dez horas de expediente e ainda dedica mais três horas em casa para dar conta dos emails não respondidos, preparar relatórios para a chefias ou deixar um PowerPoint pronto para a próxima reunião de trabalho. Esse é o resumo do cenário nas quase dez empresas que visitei (todas elas corporações com mais de 200 funcionários e faturamento na casa dos milhões ou bilhões de reais) para o Guia Exame-VOCÊ S/A das Melhores Empresas Para Você Trabalhar, publicado em setembro. A mesma situação é relatada pelos outros 14 jornalistas que compõe a equipe do Guia. Juntos, visitamos 225 empresas em todo Brasil. Desse total, são escolhidas, com base em critérios objetivos, definidos pela Redação em conjunto com a FIA, escola de administração ligada à Universidade de São Paulo, as 150 companhias que são consideradas boas para trabalhar.

 Um efeito decorrente do excesso de trabalho é que algumas grandes empresas estão assistindo a uma fuga de gerentes. São eles que mais sentem a pressão do tempo. São demandados diariamente por resultados no curto prazo, pela comunicação eficiente com a equipe, são responsáveis pela retenção dos talentos que integram suas equipes, tem de motivar o time e pensar a estratégia de sua área para o próximo ciclo de negócios. Sem descuidar da própria carreira e, claro, tem também o trabalho do dia-a-dia. Diante de um mercado aquecido, os gerentes têm optado por empresas menores (com estruturas burocráticas também menores) e mais ágeis. Ou então start-ups (empresas em inicio de operação): o trabalho é talvez maior, mas o retorno pessoal e financeiro é o diferencial apontando por alguns executivos. Há ainda outros partindo para o negócio próprio. De novo, o trabalho é maior mas a satisfação pessoal é maior.

 Há cinco anos, o professor James Wright, da FIA, concluiu um trabalho mostrando que o gerente vinha ganhando mais responsabilidades, fruto das estruturas mais enxutas adotadas principalmente pelas grandes empresas. Essa situação é visível hoje. Outro professor da FIA, Joel Dutra (um dos coordenadores do nosso Guia), reuniu informações recentes que mostram como as empresas estão perdendo seus quadros médios. Os motivos: excesso de atribuições e busca de significado no trabalho – que muitas vezes está num outro emprego.

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9 Respostas para “ A dura vida do gerente ”

    LISANDRO MILANESI diz:

    Com certeza este cenário existe e não só nas grandes empresas, e o pior é que este quadro só tende a piorar pois a concorrência é cada vez maior – apesar do mercado dizer que faltam pessoas qualificadas, as empresas continuaram a cada vez mais manter sob pressão seus cargos de confiança.

    Thiago diz:

    Sou gerente comercial de uma fabrica de calçados de segurança, fábrica com 50 funcionários. Porém em empresas desse porte o gerente comercial tem que atuar em diversas áreas, ajudo na programação da produção, tenho que ficar acompanhando praticamente todos os processos para que tudo de certo para minha equipe de fato poder ter condições de fazer um bom trabalho que no caso é vender. Fazendo uma analogia com o futebol, como gerente de vendas sou atacante porém como a bola não chega redonda no ataque para fazer o gol, tenho que ir até no meio de campo orientar a saída da bola, pegar a bola e fazer o gol ( jundo com a minha equipe ).
    E acaba que com essa demanda toda a minha função principal muitas vezes fica em segundo plano, o tempo que estou fazendo outras atividades seria para traçar novas estratégias de vendas, buscar informações e etc. Pois bem , acho que essa é a realidade de vários gerentes comercias que trabalham em empresas de pequeno médio porte.
    Essa é nossa luta diária, mas amo muito meu trabalho.

    Abraço a todos,

    Tweets that mention A dura vida do gerente « Conversa de Corredor -- Topsy.com diz:

    [...] This post was mentioned on Twitter by Juliana De Mari, Eduardo Senise, Renata Gomes, Cristiane Moraes, Emily Yamada and others. Emily Yamada said: Vida de gerente é fácil? Sei o que é isso… http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2010/07/27/a-dura-vida-do-gerente/ [...]

    @IgoR_Lima diz:

    Realmente. Muitos dos gerentes da empresa em que trabalho saem inclusive após as 21:00. Tem que saber administrar não só o negócio, mas o tempo!

    Vicente Andretti Filho diz:

    Já passei por retrações em empresas e o consequente acúmulo nas atribuições como Gerente de Projetos. Sem falar no número de projetos gerenciados, que chegava a 9.
    Dessa forma, não só o acúmulo de atribuições mas também o gerenciamento de um número impossível de projetos ao mesmo tempo vem assolando os Gerentes.
    Aí surge a pergunta: qual o número máximo de projetos que um gerente poderia assumir ao mesmo tempo? Existe algum estudo sobre isso?
    Abraço e parabéns pelo artigo.

    Gildemir diz:

    É verdade.
    Comecei a trabalhar em um setor novo na empresa e estou vivenciando essa experiencia de perto. É bem complicado você está direcionado a um proposito de sua função e do nada receber outro caso para resolver. Fica a pergunta conforme o comentário anterior. Quantas atividades conseguimos fazer ao mesmo tempo sem comprometer a qualidade e o rendimento de nossos resultados?
    Post, excelente!

    Luciano Souza diz:

    A dura vida de Gerente.

    Italo diz:

    Tudo bem, até acredito na situação de saber nortear e diferenciar o que é prioridade na função de um gerente, mas, vocês precisam olhar macro, olhar para a função de cada um dentro da empresa e vai observar que muitos estão sobrecarregados, ora por falta de estrutura ou pessoal qualificado ou divisão correta no ambiente de trabalho e isso parte basicamente dos gestores mais altos e gerencias! Se querem um serviço perfeito e de qualidade precisam investir na qualificação dentro da empresas ao invés de se preocupar apenas com resultados, pensem nisso vale a pena!

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