Empresas inteligentes 1

Dias atrás, enviei algumas perguntas por email ao presidente da Whirlpool para a America Latina, José Drummond Junior. A empresa é uma referência quando se fala em programas de capacitação de liderança e eu queria entender se isso é feito de forma estruturada ou trata-se de mero acaso. Nas respostas, você vai ver como a formação dos líderes lá é levada a sério. Essa prática tem efeito na disseminação da cultura da empresa para os rankings mais baixos, no alinhamento das metas e objetivos e na orientação de todos sobre o caminho futuro da companhia. No Brasil, é comum encontrar empresas que não se preocupam com o assunto (formação do quadro interno), embora adorem reclamar de que falta gente qualificada no mercado. Mais preocupante ainda são as empresas que esquecem seus quadros médios, pois elas não se dão conta de que no fundo estão perdendo toda uma linha que poderia ocupar as posições gerenciais amanhã. Na Whirlpool, isso não é um problema. A empresa é fabricante de eletrodomésticos como geladeiras, purificadores de água, freezers. Em tese, poderia operar quase que integralmente com peões de fábrica. Mas eles entenderam há tempos que gente mais capacitada gera inovação, melhores processos de fabricação e dá mais resultado. Enfim, as respostas do presidente da Whirlpool, José Drummond Junior.

Na Whirlpool, todo gestor precisa formar novos líderes para ser promovido. De que forma esse processo é estruturado?
Todo líder deve desenvolver profissionais melhores do que ele. Nós gostamos de cuidar de gente e desenvolvemos líderes que pensam da mesma forma. Valorizamos nossos profissionais investindo muito no seu desenvolvimento. Acreditamos que a atualização estimula criatividade e inovação. Um dos nossos programas de desenvolvimento é a “Escola de Líderes”. O programa oferece uma carga horária de treinamentos com foco na estratégia de negócio e nas competências da liderança. As premissas desse programa estão alinhadas aos objetivos da empresa, visão de longo prazo e ações de educação coordenadas. Para 2010 e 2011, criamos uma de competências ligadas a Pessoas, Negócios, Excelência, Consumidor e Inovação, para todos os níveis de liderança da companhia. Além disso, na Whirlpool, os gestores são expostos a experiências em diversas áreas. Nada impossibilita que um engenheiro seja gerente de RH, por exemplo, pois os líderes da nossa companhia têm a possibilidade de atuar em diversas áreas da empresa. Isso só enriquece a visão dos gestores.

Como criar um processo efetivo de formação de líderes?
A reciclagem de conhecimento dos nossos líderes é uma das prioridades estratégicas da companhia, pois desenvolver continuamente a liderança garante uma equipe de alta performance, com entrega de resultados extraordinários para a empresa. Outro fator importante é ter um plano sucessório de talentos internos para ocupar posições chave na organização.

Como são identificados os sucessores dos líderes na Whirlpool?
Na Whirlpool a avaliação de executivos para as oportunidades de promoção e movimentação que surgem é realizada de forma colegiada, isto é, por grupos hierárquicos imediatamente superiores ao avaliado. Uma das ferramentas que dá suporte aos líderes para que possam avaliar carreira e sucessão é o Talent Pool. Ela permite ao grupo dos executivos e RH Corporativo analisarem o histórico de performance de cada um, as apostas que fizeram para a carreira e o cruzamento de dados, que validam o potencial de crescimento. A partir dos resultados é possível definir e planejar as promoções, expatriações e alocação em projetos específicos.

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Bate-papo com o Google

Nas últimas semanas me ausentei do Blog por conta dos compromissos aqui na redação. Mas estou retomando o espaço. Divido com vocês abaixo o bate-papo que tive, há alguns dias, com o Diretor de RH do Google para a América Latina. Passei alguns dias no Google para redigir a matéria de capa da edição de maio da VOCÊ S/A, que está nas bancas. Fiquei bastante impressionado, confesso. O Google é uma empresa que tem 12 anos. Se tornou global e é a cara da geração Y embora tenha profissionais tarimbados, com anos de experiência, em todas as suas áreas. A empresa consegue manter políticas de RH consistentes e seu pessoal motivado, mesmo sendo uma empresa de vendas online – ou seja, lá a cobrança por resultado é tão séria quanto na AmBev ou na Coca Cola. A diferença é o jeito de fazer. Segue a entrevista com Deli Matsuo, executivo de RH para a América Latina:

Como é o processo de seleção do Google?
Mais de 50% dos contratados são referência de profissionais do Google. A outra metade das vagas que são preenchidas vem de gente que consulta a internet, olha as vagas que estão abertas e encaminha o currículo online. Para ambos os candidatos, avaliamos caso a caso dentro de um processo seletivo muito criterioso. (Você fica sabendo dos detalhes do processo de seleção e recrutamento na edição da VOCÊ S/A que está nas bancas)
 
O processo é super estruturado e garante que vocês escolham o candidato que mais se adéqua ao perfil da empresa. Mas ele é um processo moroso, não?
Essa é uma preocupação, sim. A gente tenta fazer com que essas etapas aconteçam de forma rápida, mas os critérios têm de ser seguidos a risca. O Google tem uma preocupação muito grande com a contratação. Para nós esse é um assunto estratégico. A razão pela qual os membros do board da companhia entram na decisão de contratar ou não é para garantir que esse seja um tema sempre na pauta das decisões estratégicas. Nós sempre decidimos por não fechar uma vaga se não achamos a pessoa mais bem qualificada para fazer aquela função no nível que nós queremos. Muitas vezes o negócio sofre pelo fato do RH não conseguir contratar na velocidade que a empresa exige. Mas a gente acredita que é mais importante crescer bem do que crescer a qualquer custo.

Qual é a taxa de erro na contratação de vocês?
Diria que estamos falando de um percentual abaixo de 1%.

E quanto ao turn over (rotatividade de funcionários)?
Ele é baixo se considerarmos pessoas que trocam o Google por outra empresa. Ele não é tão baixo se considerarmos as pessoas que saem da empresa para fazer mestrado e MBA fora do país. Muita gente sai para fazer cursos no exterior apesar de oferecemos bolsas de estudo. Ainda assim, esse turn over é abaixo do turno over médio da indústria de tecnologia. Temos programas estruturados de recontratação para buscar esses profissionais de volta quando eles se formam.

Qual é a distribuição dos funcionários segundo o grau de formação?
No escritório de São Paulo, 25% têm apenas o diploma universitário, com título de mestrado e MBA são outros 55% e os 20% restantes tem doutorado.

Como é que vocês minimizam as críticas internas (carreira, remuneração, treinamento)?
Várias coisas ajudam a modular essas questões. Todos aqui são profissionais de alta performance, que se destacaram no ambiente acadêmico ou profissional. Quando entram aqui esses profissionais sabem que são muito bons, mas rapidamente eles percebem que há colegas que são mais hábeis, mais qualificados, naquela função. Eu por exemplo conheço bastante de planilha eletrônica. Mas há no Google pessoas que sabem muito mais do que eu. Conheço gente aqui que sabe programar para fazer as planilhas, que é outro nível. Então você aprende a modular a sua alto-percepção em relação ao grupo que te cerca. O segundo modulador de expectativa das pessoas é o trabalho que fazemos com cada um para prover perspectivas e oportunidades reais de crescimento. No Google você faz aquilo que você quer com a sua carreira. Se você quer seguir carreira internacional, o que não faltam são oportunidades para você seguir carreira internacional. Não faltam chances para a pessoa se engajar num curso de pós-graduação ou MBA. Nós fomentamos isso. Temos programas de patrocínio à educação para todos os funcionários.

Como é que vocês lidam a insatisfação com relação ao salário, por exemplo?
Acontece no Google. São poucas queixas, porém. O que fazemos é ter soluções para as diversas formas de relação que o profissional estabelece coma empresa. Nós temos o que chamamos de alavancas. A relação do profissional com a companhia se dá por meio das alavancas. Uma alavanca é carreira. A outra é remuneração. A outra é liberdade e flexibilidade. Uma outra é benefícios. Outra ainda, poder de influência. O que fizemos foi criar um programa de gestão de pessoas que cubra a maior parte ou a totalidade dessas alavancas.
 
Qual seu maior desafio?
Tenho dois grandes desafios. O primeiro é contratar gente. O segundo grande desafio é garantir que as pessoas que estão e vão entrar nessa companhia continuem apaixonados pelo que fazem. Parece fácil, mas não é. Requer muita disciplina entre o que você fala e o que você faz.  Requer que os valores que você prega sejam vividos diariamente.

Na edição de Maio da VOCÊ S/A você fica sabendo em detalhes como é o dia a dia no Google, como é o processo de seleção, confere uma entrevista com o presidente Alex Dias e tem os detalhes de quem são os 100 profissionais que eles querem contratar desesperadamente. Confira na VOCÊ S/A de Maio.

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