Emprego: Brasil na contramão mundial

As taxas de desemprego nos 16 países que integram a zona do Euro e nos Estados Unidos atingem níveis alarmantes para a população desses países, acostumada a índices de desemprego de apenas um digito. Em dezembro, a taxa de desemprego nos Estados Unidos bateu na casa dos 10%. Na Europa, a taxa média também é de 10%. Mas há países onde a situação é bem mais grave. As piores marcas são a da Latvia (país do antigo bloco soviético de 2 milhões de habitantes), na casa dos 22%, e da Espanha, na casa dos 20%.

A Espanha que nos últimos anos vem se firmando com um dos destinos preferidos dos jovens que querem estudar e depois, muitas vezes, trabalhar por alguns anos, tem o pior índice de desemprego considerando os jovens com idade inferior a 25 anos. Nesse segmento (jovens de até 25 anos) a taxa de desemprego é de 43,8%. Muitos brasileiros que estudam nas duas principais escolas de negócios do país – IESE, de Barcelona, e a IE Business School, de Madri – estão revendo seus planos e antecipando o retorno ao Brasil, que vive uma situação inversa à experimentada pelos Estados Unidos e países do bloco do Euro.

No Brasil, as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego mostram que, em novembro, o número de desempregados no conjunto de seis regiões onde o levantamento é realizado (São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belém e Belo Horizonte) a taxa de desemprego caiu de 13,7%, em outubro, para os atuais 13,2%. Não admira as escolas de negócios brasileiras estarem recebendo número recorde de estrangeiros querendo passar um temporada por aqui. Muitos deles pretendem trabalhar no Brasil após concluir os estudos. É, as coisas estão mudadas mesmo.

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A feminilização do mercado de trabalho

A primeira edição do ano da revista britânica The Economist (leia o texto original em inglês) traz reportagem de capa mostrando o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho mundial. Segundo a reportagem, o crescimento do setor de serviços (em que as mulheres competem em pé de igualdade com os homens) e a diminuição da importância do setor de manufatura/industrial (em que as mulheres competem por um emprego em desvantagem em relação aos homens) são os principais fatores que impulsionaram a ascensão feminina à força de trabalho nas últimas décadas.

Claro, há outros fatores. Na Era do Conhecimento o diferencial competitivo na hora de conseguir um emprego passou a ser a inteligência e o conjunto de competências demonstradas em um currículo ao invés da força bruta e resistência física necessárias para se trabalhar nos sweat shops do inicio do século passado. Como os indices de escolaridade no ensino médio e superior são muito maiores entre as mulheres, elas ganharam a atenção dos empregadores, principalmente daqueles que detém posições que exigem profissionais mais qualificados.

No Brasil, analisando os dados do IBGE, observamos o mesmo crescimento da participação feminina reportado pela The Economist. Entre 1976 e 2002, houve um acréscimo de 25 milhões de mulheres no mercado.  Em 1976, 28 em cada 100 mulheres trabalhavam, adentramos o novo milênio com a metade das mulheres trabalhando ou procurando um emprego – é na região Sul onde se verifica a maior taxa de atividade feminina. Nos Estados Unidos, mostra a reportagem da The Economist, as mulheres já representam 51% da força de trabalho.

Se consideramos os salários pagos para o mesmo cargo e a taxa de emprego por gênero, as mulheres ficam atrás dos homens em ambos os indicadores. Em outras palavras, os homens ainda têm maior empregabilidade e ganham mais. Em algumas carreiras com alta demanda atualmente como engenharia e ciências da computação, as mulheres são minoria – nos Estados Unidos, por exemplo, elas representam 20% dos formandos nessas áreas (o percentual por aqui é certamente menor). A presença feminina nos quadros de liderança, presidência, diretoria e conselho de administração, também é pequena.  Mas as políticas de diversidade que vem sendo promovidas pelas empresas e a ascensão de mais mulheres ao posto de presidente deve mudar esse quadro dentro de pouco tempo. No Brasil, as filiais da Johnson & Johnson (setor de beleza e saúde), Genzyme (farmacêutico) e Standard & Poors (rating) são comandadas por mulheres. Entre as nacionais, a Amanco (automotivo)  e o laboratório Sabin (farmacêutico) também têm na presidência mulheres.

Leia duas reportagens recentes da VOCÊ S/A sobre o tema:

1) Entrevista Katty Kay, autora de Womenomics.

2) Cinco executivas falam sobre os desafios da ascensão feminina nas empresas.

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Boas novas

Uma reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo (link abaixo) traz dados interessantes e animadores sobre a evolução do mercado de trabalho nos últimos dois anos. Aos fatos:

  • Aumentou o número de empregadores no Brasil de 3,3 milhões, em 2007, para 4,1 milhões em 2008. Claro, a maior parte desse contingente é formada por ambulantes e comerciantes de rua que foram beneficiados pela Lei do Microempreendedor Individual em vigor desde junho, como explica a reportagem. No entanto, uma parcela significativa desses 4 milhões de empregadores é formada também por profissionais qualificados que optaram por montar o próprio negócio ao invés de seguir carreira corporativa em uma grande empresa. A VOCÊ S/A publicou em dezembro um especial, que está nas bancas, mostrando a história de gente que com uma boa ideia na cabeça, alguns trocados no bolso e um planejamento cuidadoso transformou 1 000 reais em muitos milhões de reais (link abaixo).
  • Pela primeira vez o número de empreendedores brasileiros por vocação superou o número de gente que abre o próprio negócio por necessidade. Esse movimento é fruto da estabilidade econômica, maior oferta de crédito e do aumento no número de consumidores e do poder de compra per capita. Os empreendedores por vocação tendem a investir em serviços especializados e empresas que geram demanda por profissionais qualificados. Em pouco tempo, mantidas as premissas acima, esses novos empregadores estarão gerando mais e mais empregos. E melhor: empregos que não estão somente concentrados nas grandes metrópoles do Sudeste, ainda os maiores centros empregadores do país.
  • Por último, a taxa de mortalidade dos novos negócios abertos no Brasil caiu. Há 10 anos, a cada 100 empresas que abriam 40 quebravam. Hoje, o índice de mortalidade é de 27 para cada 100.

Mudando de assunto, mas ainda falando de Brasil, este ano é ano de Censo. Uma análise preliminar feita pelo próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo recenseamento, dá uma ideia do que vem por aí: o brasileiro atualmente possui mais bens do que há dez anos (quando foi feito o último Censo), mais gente trabalha sob o regime CLT, as pessoas estão vivendo mais e o número de alfabetizados também aumentou. Ainda assim, precisamos melhorar – e muito! Um exemplo: em um estudo global para medir a capacidade de formação de profissionais em diversos países, o Brasil aparece na 25ª posição, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e dos vizinhos Argentina e México. A pesquisa é da consultoria Heidrick & Struggles.

 

Leia reportagem em O Estado de S. Paulo: :  http://www.estadao.com.br/noticias/economia,cresce-formalizacao-do-trabalho-no-brasil-diz-estudo,490223,0.htm

 

Leia cinco histórias, publicados pela VOCÊ S/A, de quem abriu as portas de sua empresa com 20 000, 60 000, 100 000, 200 000 e 500 000 reais: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/seja-seu-patrao-517929.shtml

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