Emprego: Brasil na contramão mundial

08 jan
2010

As taxas de desemprego nos 16 países que integram a zona do Euro e nos Estados Unidos atingem níveis alarmantes para a população desses países, acostumada a índices de desemprego de apenas um digito. Em dezembro, a taxa de desemprego nos Estados Unidos bateu na casa dos 10%. Na Europa, a taxa média também é de 10%. Mas há países onde a situação é bem mais grave. As piores marcas são a da Latvia (país do antigo bloco soviético de 2 milhões de habitantes), na casa dos 22%, e da Espanha, na casa dos 20%.

A Espanha que nos últimos anos vem se firmando com um dos destinos preferidos dos jovens que querem estudar e depois, muitas vezes, trabalhar por alguns anos, tem o pior índice de desemprego considerando os jovens com idade inferior a 25 anos. Nesse segmento (jovens de até 25 anos) a taxa de desemprego é de 43,8%. Muitos brasileiros que estudam nas duas principais escolas de negócios do país – IESE, de Barcelona, e a IE Business School, de Madri – estão revendo seus planos e antecipando o retorno ao Brasil, que vive uma situação inversa à experimentada pelos Estados Unidos e países do bloco do Euro.

No Brasil, as informações da Pesquisa de Emprego e Desemprego mostram que, em novembro, o número de desempregados no conjunto de seis regiões onde o levantamento é realizado (São Paulo, Porto Alegre, Recife, Salvador, Belém e Belo Horizonte) a taxa de desemprego caiu de 13,7%, em outubro, para os atuais 13,2%. Não admira as escolas de negócios brasileiras estarem recebendo número recorde de estrangeiros querendo passar um temporada por aqui. Muitos deles pretendem trabalhar no Brasil após concluir os estudos. É, as coisas estão mudadas mesmo.

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A feminilização do mercado de trabalho

06 jan
2010

A primeira edição do ano da revista britânica The Economist (leia o texto original em inglês) traz reportagem de capa mostrando o crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho mundial. Segundo a reportagem, o crescimento do setor de serviços (em que as mulheres competem em pé de igualdade com os homens) e a diminuição da importância do setor de manufatura/industrial (em que as mulheres competem por um emprego em desvantagem em relação aos homens) são os principais fatores que impulsionaram a ascensão feminina à força de trabalho nas últimas décadas.

Claro, há outros fatores. Na Era do Conhecimento o diferencial competitivo na hora de conseguir um emprego passou a ser a inteligência e o conjunto de competências demonstradas em um currículo ao invés da força bruta e resistência física necessárias para se trabalhar nos sweat shops do inicio do século passado. Como os indices de escolaridade no ensino médio e superior são muito maiores entre as mulheres, elas ganharam a atenção dos empregadores, principalmente daqueles que detém posições que exigem profissionais mais qualificados.

No Brasil, analisando os dados do IBGE, observamos o mesmo crescimento da participação feminina reportado pela The Economist. Entre 1976 e 2002, houve um acréscimo de 25 milhões de mulheres no mercado.  Em 1976, 28 em cada 100 mulheres trabalhavam, adentramos o novo milênio com a metade das mulheres trabalhando ou procurando um emprego – é na região Sul onde se verifica a maior taxa de atividade feminina. Nos Estados Unidos, mostra a reportagem da The Economist, as mulheres já representam 51% da força de trabalho.

Se consideramos os salários pagos para o mesmo cargo e a taxa de emprego por gênero, as mulheres ficam atrás dos homens em ambos os indicadores. Em outras palavras, os homens ainda têm maior empregabilidade e ganham mais. Em algumas carreiras com alta demanda atualmente como engenharia e ciências da computação, as mulheres são minoria – nos Estados Unidos, por exemplo, elas representam 20% dos formandos nessas áreas (o percentual por aqui é certamente menor). A presença feminina nos quadros de liderança, presidência, diretoria e conselho de administração, também é pequena.  Mas as políticas de diversidade que vem sendo promovidas pelas empresas e a ascensão de mais mulheres ao posto de presidente deve mudar esse quadro dentro de pouco tempo. No Brasil, as filiais da Johnson & Johnson (setor de beleza e saúde), Genzyme (farmacêutico) e Standard & Poors (rating) são comandadas por mulheres. Entre as nacionais, a Amanco (automotivo)  e o laboratório Sabin (farmacêutico) também têm na presidência mulheres.

Leia duas reportagens recentes da VOCÊ S/A sobre o tema:

1) Entrevista Katty Kay, autora de Womenomics.

2) Cinco executivas falam sobre os desafios da ascensão feminina nas empresas.

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Boas novas

04 jan
2010

Uma reportagem publicada hoje no jornal O Estado de S. Paulo (link abaixo) traz dados interessantes e animadores sobre a evolução do mercado de trabalho nos últimos dois anos. Aos fatos:

  • Aumentou o número de empregadores no Brasil de 3,3 milhões, em 2007, para 4,1 milhões em 2008. Claro, a maior parte desse contingente é formada por ambulantes e comerciantes de rua que foram beneficiados pela Lei do Microempreendedor Individual em vigor desde junho, como explica a reportagem. No entanto, uma parcela significativa desses 4 milhões de empregadores é formada também por profissionais qualificados que optaram por montar o próprio negócio ao invés de seguir carreira corporativa em uma grande empresa. A VOCÊ S/A publicou em dezembro um especial, que está nas bancas, mostrando a história de gente que com uma boa ideia na cabeça, alguns trocados no bolso e um planejamento cuidadoso transformou 1 000 reais em muitos milhões de reais (link abaixo).
  • Pela primeira vez o número de empreendedores brasileiros por vocação superou o número de gente que abre o próprio negócio por necessidade. Esse movimento é fruto da estabilidade econômica, maior oferta de crédito e do aumento no número de consumidores e do poder de compra per capita. Os empreendedores por vocação tendem a investir em serviços especializados e empresas que geram demanda por profissionais qualificados. Em pouco tempo, mantidas as premissas acima, esses novos empregadores estarão gerando mais e mais empregos. E melhor: empregos que não estão somente concentrados nas grandes metrópoles do Sudeste, ainda os maiores centros empregadores do país.
  • Por último, a taxa de mortalidade dos novos negócios abertos no Brasil caiu. Há 10 anos, a cada 100 empresas que abriam 40 quebravam. Hoje, o índice de mortalidade é de 27 para cada 100.

Mudando de assunto, mas ainda falando de Brasil, este ano é ano de Censo. Uma análise preliminar feita pelo próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo recenseamento, dá uma ideia do que vem por aí: o brasileiro atualmente possui mais bens do que há dez anos (quando foi feito o último Censo), mais gente trabalha sob o regime CLT, as pessoas estão vivendo mais e o número de alfabetizados também aumentou. Ainda assim, precisamos melhorar – e muito! Um exemplo: em um estudo global para medir a capacidade de formação de profissionais em diversos países, o Brasil aparece na 25ª posição, atrás de Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e dos vizinhos Argentina e México. A pesquisa é da consultoria Heidrick & Struggles.

 

Leia reportagem em O Estado de S. Paulo: :  http://www.estadao.com.br/noticias/economia,cresce-formalizacao-do-trabalho-no-brasil-diz-estudo,490223,0.htm

 

Leia cinco histórias, publicados pela VOCÊ S/A, de quem abriu as portas de sua empresa com 20 000, 60 000, 100 000, 200 000 e 500 000 reais: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/seja-seu-patrao-517929.shtml

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Falta gente qualificada, qual é a sua opinião?

17 dez
2009

Há algumas semanas, o governo federal divulgou os dados relativos ao PIB para o terceiro trimestre de 2009. Os números foram aquém da expectativa do mercado, ficandop abaixo do esperado. Isso fez muitos economistas e analistas baixarem o grau de otimismo com relação a 2010. Ainda assim, fala-se que no ano que vem o país deve crescer em torno de 5% ano. Nesse número estão depositadas às previsões de empresários brasileiros e estrangeiros, líderes da industria local e investidores brasileiros e internacionais. De olho nessa estimativa, muitas empresas voltam a se dizer preocupadas com a falta de gente qualificada no mercado de trabalho brasileiro. 

Eu gostaria de saber de  você leitor qual é a sua opinião sobre esse tema. Tenhos duas perguntas:

1) Você acretida que o profissional bem qualificado (boa formação técnica ou acadêmica e com experiência profissional relevante)  tem emprego garantido no Brasil?

2) Você avalia que os salários pagos para cargos de alto nível de qualificação são compatíveis com as exigência feitas pelas empresas?

Gostaria de saber a sua resposta para elas. Responda nos comentários, por favor.

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Os Y voltam à pauta em 2010

16 dez
2009

A geração Y, dos jovens nascidos a partir de 1980, tem ocupado boa parte do noticiário relacionado aos temas de liderança e gestão. Ainda é cedo para dizer se o espaço dedicado a eles na imprensa e no mercado editorial será maior em relação às gerações que os antecederam. À exceção, claro, fica por conta dos babyboomers, os nascidos nos anos que se seguiram a Segunda Grande Guerra Mundial. A literatura que trata sobre o impacto dos babyboomers no mercado de trabalho (e na cultura de forma geral) é bastante extensa.
A geração Y traz uma gama de novas competências e um jeito novo de encarar a vida dentro das empresas. Com a maior exposição dos Y, no entanto, vieram também as críticas. Muitos dos executivos de RHs com quem conversamos têm calafrios quando essa expressão, geração Y, é mencionada durante um bate-papo. Muitos dos RHs são críticos ferrenhos do comportamento da nova geração de profissionais e dizem que se trata de pessoas mimados, que cresceram num ambiente econômico mais estável e previsível (portanto, não sabem lidar com períodos de contingência), num ambiente familiar cheio e regalias e poucos “nãos”. Quando esses jovens chegam às empresas, dizem muitos executivos mais experientes, eles têm dificuldade em lidar com (e até de entender) a complexidade de interesses que fazem parte do universo executivo. Claro, há outras fontes de rusgas entre esses dois públicos (para ficarmos apenas nos RHs). Uma delas que estressa os profissionais de recursos humanos é o senso de tempo. Os jovens do pós 1980 também foram criados no ambiente virtual da internet, onde as coisas se resolvem em segundos (pelo menos agora com o advento da banda larga).
Eles são o que se chama de nativos digitais. Para eles o senso de tempo é diferente. Um problema posto a mesa deve ser resolvido o quanto antes e sem grandes reviravoltas – uma qualidade necessária nos tempos atuais. Para os mais velhos que estão acostumados a seguir toda a liturgia da hierarquia corporativa (que cá para nós, empresas que ainda operam dessa forma estão fadadas ao insucesso) isso soa como uma afronta.

Nos últimos dias me pedarei com duas fontes diferentes, uma presidente de empresa no Brasil e um headhunter americano que acaba de abrir escritório em São Paulo, cujas falas tratam dos Y e externam percepções similares sobre eles. Achei as opiniões curiosas pois sintetizam o pensando de muitos profissionais mais seniores. Vamos a elas.
1) Marise Barroso, presidente da Amanco, do setor de autopeças (sua fala foi publicada na edição de dezembro da VOCÊ S/A): . “O que sinto falta nos jovens é humildade para aprender. Hoje, a geração mais nova está muito acelerada, querendo alcançar posições altas de forma rápida, sem dar tempo para ter experiências. É claro que os jovens devem ter ambição, mas isso pode ser feito de forma menos veloz, buscando mais profundidade no aprendizado”     
2) David Nosal, caça talentos com 20 anos de profissão e passagens pela Korn/Ferry e Heidrick Struggles (veja entrevista completa com ele na edição de janeiro): “O que muitos jovens não parecem ter é a capacidade de ouvir e entender verdadeiramente o que está acontecendo ao seu redor. Alguns gostam tanto de falar que acabam não ouvindo os comentários e as questões que estão sendo feitas sobre aquele projeto. Chegam com uma ideia praticamente pronta e não abrem para discussão.”
Em 2010, os Y vão continuar na pauta das discussões sobre liderança e gestão. Isso por que eles estão assumindo cada vez mais postos de comando e impondo novos desafios ao atual establishment. Por outro lado, há uma pressão saudável sobre os jovens para que revejam alguns de seus (pré) conceitos.

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Pessoas, ideias e tendências

14 dez
2009

Confesso que deixei o blog de lado esses dias, foi mal. A correria e os sucessivos fechamentos (de especiais e edições regulares) têm consumido uma boa parte do meu tempo. Nos últimos dias, apesar do corre corre, conversei com pessoas interessantes e queria dividir alguns insights:

1) Kees Kruythoff. O holandês e presidente da Unilever no Brasil, de 41 anos, é capa da edição de dezembro da VOCÊ S/A. Kees chegou ao Brasil para assumir a direção da gigante de bens e consumo em outubro de 2007, vindo da África do Sul, onde presidia a subsidiária da multinacional anglo holandesa. O que me impressionou ao conversar com ele e conhecê-lo um pouco melhor foi a naturalidade com que ele trata de assuntos de negócios e até de sua vida particular. Sem mencionar o bom humor. Certamente, a postura dele contrasta com a maioria dos executivos com quem já conversei. É muito mais comum conversar com profissionais que se tornaram robôs, de pensamento e fala pasteurizada. Isso acontece porque muitos profissionais vão se moldando de tal forma à instituição à medida que progridem na carreira, que num determinado ponto só repetem chavões e falas institucionais. Tornam-se burocratas corporativos. O executivo chefe da Unilever soube preservar sua própria personalidade à medida que cresceu profissionalmente. No mais, ele é um sujeito de cabeça arejada e que está de orelhas e cabeça aberta para o novo. Um cara que vale a pena ficar de olho.

2) Conheci na semana passada outro profissional que só conhecia da tela da TV, Walter Longo, vice-presidente de Estratégia e Inovação da Young & Rubicam Brasil, agencia de publicidade. Talvez você se lembre dele como braço direito de Roberto Justus no Programa Aprendiz. Walter é profissional de primeiro calibre e também uma mente aberta. Para você ter uma ideia do que quero dizer sobre profissional de mente aberta, consulte o site da consultoria que ele criou recentemente, a Nexial (http://www.nexial.com.br). Se você se interessa por marketing e estratégia vai achar curioso o trabalho da Nexial. Walter é um crítico contundente da mentalidade quadrada, míope e de curto prazo que ganhou espaço nas empresas. Os líderes mais jovens padecem, diz ele, de falta de cultura geral. Profissional de gosto eclético, ele se interessa por diversos assuntos. Entre eles, o sistema imunológico humano e neurociências. Ele entende dos temas a ponto de dar palestra no exterior sobre esses assuntos. Também vale a pena segui-lo (ele está no Twitter).

3) Emílio Odebrecht. Esse não encontrei pessoalmente, mas li seu artigo publicado na Folha de S.Paulo ontem, página A2. O tema: expatriação. Segundo Emilio, as empresas brasileiras vão retomar seus projetos internacionais e com isso aumentar o volume de profissionais brasileiros enviados ao exterior. Uma tendência sobre a qual comentamos em reportagens recentes na VOCÊ S/A. A expatriação tem prós e contras. Saiba quais são eles lendo http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/como-voltar-ao-mercado-trabalho-brasil-expatriacao-518492.shtml

Enfim, mantenha a cabeça arejada. Não tem coisa mais chata do que falar com dinossauro de terno.

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Empreendedorismo: O caminho da web

19 nov
2009

A internet é o caminho mais viável (e com o futuro mais garantido) para quem dispõe de uma ideia de negócio na cabeça, poucos recursos financeiros e muita vontade de ser seu próprio chefe. Essa percepção ficou bem clara para mim depois de ter voltado da entrevista com os fundadores do Buscapé, o site de comparação de preços fundado em 1999 por quatro estudantes universitários (veja link para entrevista abaixo). Seus fundadores são jovens que apostaram numa ideia e desembolsaram 300 reais para colocá-la de pé. Dez anos se passaram e depois de muito esforço, eles construíram um baita negócio que tornou a vida do consumidor mais fácil, na medida em que permite às pessoas, facilmente, comparar preços e fazer a melhor opção de compra. No final de setembro, o Buscapé foi comprado (91% da empresa) por 600 milhões de reais pelo grupo sul-africano Naspers. Seus fundadores, no entanto, continuam tocando o negócio a todo vapor.

Desde então, tenho pesquisado outras empresas que tem o mesmo perfil do Buscapé. E outro dia me deparei com a história da NetShoes, uma loja virtual especializada na venda de artigos esportivos. A NetShoes foi fundada em 2000 com um investimento inicial de 70 mil reais. Atualmente, a empresa fatura 98 milhões de reais (2008). Seus sócios também são jovens que viram na web a possibilidade de prosperar sendo dono do próprio negócio. Desde a sua fundação, há nove anos, o NetShoes vem aperfeiçoando sua interface com o cliente, visando a facilitar a vida de quem compra. O índice de devolução de produtos é de apenas 4%. Por trás dessa operação há uma série de profissionais que tomam conta para quem tudo rode perfeitamente. No NetShoes, uma área crítica é a de análise de risco e de crédito, fundamental para garantir que as compras tenham baixo índice de inadimplência. A exemplo do Buscapé, que foi comprado por uma grande investidor estrangeiro, têm muito peixe gringo graúdo de olho no trabalho feito por Márcio Kumruian, de 36 anos, (sócio e diretor de operações) e seus colegas do NetShoes.

Histórias como as do Buscapé e a do NetShoes tendem a se repetir com uma frequência cada vez maior no Brasil. Os motivo para isso estão no início do post: a internet é o caminho mais viável (e com o futuro mais garantido) para quem dispõe de uma ideia de negócio na cabeça e poucos recursos financeiros. Acredite, hoje em dia talvez seja mais fácil arranjar financiadores para um projeto de empresa virtual do que para uma empresa nos moldes pré-web. 

Leia entrevista com os fundadores do Buscapé, na VOCÊ S/A de novembro: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/carrinho-cheiro-511682.shtml

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O novo livro de Malcolm Gladwell

11 nov
2009

O jornalista e escritor Malcolm Gladwell, naturalizado canadense, nascido na Inglaterra em 1963, e atualmente residente em Nova York, nos Estados Unidos, acaba de lançar seu mais novo livro cujo título em inglês é What The Dog Saw. Trata-se de uma coletânea de seus melhores textos publicados na revista New Yorker. Malcolm já lançou três livros que se tornaram best sellers: O ponto de desequilíbrio (2000), Blink – a decisão num piscar de olhos (2005) e Fora de série (2008).

Todos atingiram as primeiras posições nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos e em outros países em que foram lançados. Seus livros foram traduzidos para 25 países e venderam 4,5 milhões de cópias e fizeram de seu autor um guru global – além de milionário, claro. Malcolm já esteve no Brasil cerca de três ou quatro vezes, todas elas para fazer palestras a executivos em grandes fóruns empresariais. Estima-se que o cachê dele fique na casa dos 50 mil dólares por palestra.

O livro novo tem menos de chance de fazer sucesso em relação aos outros. Isso porque nas publicações anteriores Malcolm se propôs a oferecer uma tese para temas da atualidade que deixam as pessoas inquietas, intrigadas – o uso da intuição como instrumento de decisão em detrimento do raciocínio lógico, por que algumas pessoas se dão bem na vida e outras não etc. O novo livro serve mais ao propósito de conhecer o autor e aprender um pouco mais sobre como ele tece suas teorias a partir de eventos aparentemente desconexos.

Abaixo, uma lista de alguns dos artigos (em inglês) que estão no novo livro de Malcolm Gladwell com os respectivos links – ah, destaquei em negrito os que gosto mais.

The Talent Myth – Are smart people over-rated? (Julho 22, 2002)
Link: http://gladwell.com/2002/2002_07_22_a_talent.htm

The Pitchman – Ron Popeil and the conquest of the American kitchen. (Outubro 30, 2000)
Link: http://gladwell.com/2000/2000_10_30_a_pitchman.htm

The Ketchup Conundrum – Mustard now comes in dozens of different varieties. Why has ketchup stayed the same? (Setembro 6, 2004)
Link: http://gladwell.com/2004/2004_09_06_a_ketchup.html

The Art of Failure – Why some people choke and others panic. (Agosto 21, 2000)
Link: http://gladwell.com/2000/2000_08_21_a_choking.htm

Blowing Up – How Nassim Taleb turned the inevitability of disaster into an investment strategy. (Abril 22, 2002)
Link: http://gladwell.com/2002/2002_04_29_a_blowingup.htm

True Colors – Hair dye and the hidden history of postwar America. (Março 22, 1999)
Link: http://gladwell.com/1999/1999_03_22_a_colors.html

Most Likely to Succeed – How do we hire when we can’t tell who’s right for the job. (Dezembro 15, 2008)
Link: http://gladwell.com/2008/2008_12_15_a_teacher.html

John Rock’s Error – What the inventor of the birth control pill didn’t know about women’s health. (Março 13, 2000)
Link: http://gladwell.com/2000/2000_03_10_a_rock.htm

What the Dog Saw – Cesar Millan and the movements of mastery. (Maio 22, 2006)
Link: http://gladwell.com/2006/2006_05_22_a_dog.html

Open Secrets – Enron, intelligence and the perils of too much information. (Janeiro 8, 2007)
Link: http://gladwell.com/2007/2007_01_08_a_secrets.html

Million Dollar Murray – Why problems like homelessness may be easier to solve than to manage. (Fevereiro 13, 2006)
Link: http://gladwell.com/2006/2006_02_13_a_murray.html

The Picture Problem – Mammography, air power, and the limits of looking. (Dezembro 13, 2004)
Link: http://gladwell.com/2004/2004_12_13_a_picture.html

Something Borrowed – Should a charge of plagiarism ruin your life? (Novembro 22, 2004)
Link: http://gladwell.com/2004/2004_11_25_a_borrowed.html

Connecting the Dots – The paradoxes of intelligence reform. (Março 10, 2003)
Link: http://gladwell.com/2003/2003_03_10_a_dots.html

Blowup – Who can be blamed for a disaster like the Challenger explosion? No one, and we’d better get used to it. (Janeiro 22, 1996)
Link: http://gladwell.com/1996/1996_01_22_a_blowup.htm

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Empresas nacionais globais: otimismo em 2010

04 nov
2009

Um estudo divulgado recentemente merece nota neste blog. Trata-se da edição 2009 de um levantamento que a Fundação Dom Cabral, de Minas Gerais, faz desde 2006 e que mede o nível de internacionalização das maiores empresas brasileiras. É um estudo bem feito e cujas conclusões são bem interessantes. A pesquisa da Dom Cabral foi concluída em agosto e mostra que a proporção das receitas no exterior das maiores corporações brasileiras sobre o total de suas receitas é crescente desde 2006.

Em 2008, 25,32% das receitas das maiores transnacionais brasileiras (grupos nacionais que operam globalmente) vieram de suas operações no estrangeiro ante 21% em 2006. A necessidade de mão de obra no estrangeiro também cresceu: 40% em relação a 2006. Para se ter uma idéia de como o Brasil tem expatriado mais cérebros, quase 30% dos funcionários dessas companhias residiam e trabalhavam no exterior em 2008 – em 2006, esse percentual correspondia a 17% do total de funcionários dessas mesmas companhias.

A pesquisa da Dom Cabral considera 41 grupos empresariais, entre eles Gerdau (siderurgia e metalurgia), Sabó (autopeças), Vale (mineração), Odebrecht (construção), Aracruz (papel e celulose), Itautec (software e serviços de TI), Marcopolo (veículos pesados e autopeças), Petrobras, Embraer e outras.

Sobre onde estão localizadas essas grandes empresas: 46% na América Latina, 21% na Europa, 17% na América do Norte, 11% na Asia e 5% na Africa. A crise financeira mundial afetou negativamente as operações internacionais de 35% das empresas ouvidas pela Dom Cabral.

Agora, o mais importante, o que dizem os executivos chefes dessas grandes empresas sobre 2010? Veja o que revelou a pesquisa: Os executivos afirmaram que apostam na recuperação da economia e no futuro crescimento das vendas, da lucratividade e do market share tanto nacional quanto internacional em 2010. Ou seja, as grandes empresas brasileiras devem voltar a recrutar profissionais em grande escala, como antes da crise. 

Para ver o estudo na integra, acesse: http://www.fdc.org.br/pt/Documents/ranking_transnacionais_2009.pdf

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As novas formas de trabalho

09 out
2009

O número de candidatos inscritos nos programas de trainee de grandes empresas me impressiona. AmBev recebeu 60 mil inscrições. Nestlé idem. Natura recebeu menos inscritos, cerca de 15 mil – mas isso porque sequer divulgou o nome da empresa no inicio do processo seletivo (para entender melhor essa história leia o post “Olho de lince sobre os novos líderes). Os melhores alunos que saem das universidades brasileiras ainda olham essas grandes vitrines corporativas como a grande chance de dar início às suas carreiras. Desnecessário dizer que a seleção é um massacre: o número de etapas nesses processos cresce ano após ano e fica cada vez mais difícil saber o que define quem entra e quem fica de fora. Claro, nós que diariamente ouvimos executivos, de RH e de outras áreas do negócio, temos acesso a uma infinidade de explicações sobre quem é o candidato ideal – leia no post “Quem tem maior empregabilidade?” a opinião dos RHs.

Quem participa da seleção, no entanto, não tem essa clareza. E não é para menos, as empresas são reticentes em comunicar seus critérios ao candidato a uma vaga de emprego. Basta comparar as respostas dos executivos (que estão no post que acabei de mencionar acima) com o que está escrito no site das mesmas empresas. Isso vale para a maioria das companhias no Brasil. Mas vou retomar meu ponto inicial: o jovem ainda mira as grandes empresas na hora de iniciar a carreira. Ok, ok, tem mais gente nova empreendendo, mas em números absolutos eles são ainda insignificantes dentro da massa de formandos que chega ao mercado de trabalho todos os dias.

Meu ponto é que os jovens deveriam também estar mirando outras modalidades de empresas e formas de fazer carreira. Primeiro porque a carreira em grandes corporações tem longevidade cada vez menor. Hoje, a idade limite nas empresas no Brasil é de 55 anos – quem fica além disso é um ponto fora da curva. E a idade média dos profissionais é de 40 anos.

Os dados são extraídos pelo professor André Fischer, a partir da análise do banco de dados do CAGED, do Ministério do Trabalho. No mundo, a participação das grandes empresas no bolo total de riquezas gerados pelos países têm caído. Um exemplo: nos Estados Unidos, as grandes corporações respondiam por 36% do PIB (soma de riquezas geradas pela economia americana) em 1974. Em 1998, as grandes corporações respondiam por 17%. O mesmo se dá, em diferente escala óbvio, em outros países. Como efeito, as empresas cortam mais gente, terceirizam seus processos e serviços secundários e enxugam custos e mais custos. Resumindo, o trainee se mata para encarar um processo duro de seleção, é bombardeado com informações do quão importante ele é para formar o “pipeline de liderança” e, em alguns casos, descobre anos depois que é um profissional descartável – pelos motivos que comentei acima.

A alternativa? Estão se desenhando novas formas de trabalho, que já são reais e tem muita gente que já ganha a vida a partir delas. Vender o capital intelectual nunca foi tão fácil e a demanda por ele nunca foi tão grande (leia a reportagem O novo lugar de trabalho, na edição 136, de outubro, da VOCÊ S/A). Há também o caminho do empreendedorismo, cada vez mais uma opção dos jovens da geração Y. E ainda há oportunidade nas pequenas e médias empresas - são elas as molas propulsoras da economia brasileira. E a boa notícia aqui é que elas estão modernizando sua gestão e ficam cada vez mais profissionais. Fique ligado, pois o mundo do trabalho está mudando numa velocidade absurda. Quem bate na mesma estaca rala mais e colhe menos frutos.

Link para os textos citados neste Post

Olho de lince sobre os novos líderes: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2009/09/17/olho-de-lupa-nos-novos-lideres/

Quem tem maior empregabilidade: http://vocesa.abril.com.br/blog/conversadecorredor/2009/09/02/quem-tem-maior-empregabilidade/

O novo lugar de trabalho: http://vocesa.abril.com.br/desenvolva-sua-carreira/materia/the-hub-escritorio-novo-lugar-trabalho-504690.shtml

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