Comece com as perguntas certas
2010
Por hábito, nos sentimos muito mais importantes quando sabemos a resposta para uma pergunta. Logo, saber a reposta para muitas perguntas significa ser considerado uma pessoa muito inteligente, “antenada”. Pode ser. Gente informada faz bem e agrega valor, mas nem sempre têm as opiniões capazes de realmente fazê-lo refletir.
Por influência de pai professor e mãe advogada, duas profissões para as quais a resposta certa nem sempre é a melhor, cresci acreditando em outra filosofia de vida. Para mim, aprende mais quem pergunta. Em outras palavras, prefiro ser feliz a ter sempre razão. Acho que li isso em algum lugar, mas não me lembro onde. Perguntar, questionar e refletir diante das decisões (tomadas ou não) me é mais útil.
Você provavelmente questiona e discute muito do seu cotidiano com sua família e amigos. Onde passou as férias? Gosta de música? O que tem lido? Em quem vai votar? Certo, mas em se tratando de finanças pessoais, você é dos que gosta mais de perguntar ou responder? Antes de tentar se lembrar da última vez em que o assunto foi abordado, responda rápido: quando o assunto é dinheiro, você faz as perguntas certas?
“Por que ganho tão pouco?” talvez seja a questão mais recorrente nos lares e ambientes de trabalho. A pergunta é pesada, tem um tom negativo e depreciativo. Que reflexões e atitudes ela nos incentiva a tomar? Discutir com o chefe, reclamar da empresa para os amigos e endividar-se para consumir são consequências frequentes. Pensamentos tristes e um choque amargo de realidade surgem depois que esta questão é proferida. Ela não nos faz sonhar.
Mude o enfoque. Experimente algo como “Como me organizar e ter qualidade de vida com o que ganho?” e também “Como aumentar minha renda e garantir um futuro melhor?”. As associações vindas destas questões são mais alegres, têm mais significado e possibilitam a determinação de um plano de ação, de realmente agir para mudar a realidade e viver melhor.
A mudança na reação é clara. Faça o exercício, responde às questões propostas no parágrafo anterior. Eu ajudo: começar a controlar meu dinheiro, sair das dívidas, anotar receitas e despesas, passar mais tempo com minha família, investir parte do meu capital, aprender inglês e espanhol, avaliar a possibilidade de realizar um MBA, abrir um negócio próprio e por ai vai. As perguntas certas fazem você se mexer.
Eu poderia comentar pelo menos uma dezena de perguntas sobre finanças visivelmente fora de escopo. “Por que será que nunca dou a sorte de ser sorteado no título de capitalização em que investi no banco?” é clássica. Quem disse que título de capitalização é investimento? Você sabe como o produto funciona? A pergunta certa deve ser “Quais as alternativas de investimento disponíveis para pouco dinheiro? Como posso conhecê-las?”.
Aceite que você não é uma vítima de sua realidade financeira. Pelo contrário, é o grande responsável por ela. Isso faz muita diferença. É comum notar famílias tratando o dinheiro como um tabu sem se dar conta. Isso acontece porque, mesmo que inconscientemente, é natural associar ao dinheiro pensamentos negativos e perguntas erradas. Fica a impressão de que sonhar é um pecado quando o presente tem cheiro de milagre. Logo logo o dinheiro se torna sinônimo de problema.
Assumir uma postura adulta em relação ao tema e dar exemplo costuma facilitar a abordagem familiar. Falar de dinheiro de forma natural, abrir o jogo sobre as finanças da família e trabalhar o compromisso de todos com as metas e objetivos naturalmente eleva a qualidade das reflexões, trazendo à tona as perguntas certas. Tenho mais a dizer sobre isso, assista o video
Começar com as perguntas certas encurta a distância entre você e seus objetivos na medida em que constrói cumplicidade familiar e incentiva a discussão sadia sobre finanças pessoais em casa e no trabalho.
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