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| O segredo de atletas de alta performance, como o nadador Gustavo Borges, é saber dosar estresse, os momentos de alerta e descanso |
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Seja um atleta corporativo
o sucesso daquele que treina todo dia no tatame, nas quadras ou nas piscinas têm muito em comum com qualquer um que trabalhe em uma empresa
Por Ana Maria Rossi
Os homens adoram assistir ao futebol ou a fórmula 1. As mulheres preferem passar longe dos canais esportivos. Só existe uma situação em que ambos se entendem: nas Olimpíadas. Este ano, muita gente, independe do sexo, admirou a ginástica artística, torceu pelo vôlei, sofreu com as meninas do futebol. Agosto se foi, 2004 está quase terminando e a próxima meta são as férias de final de ano quando, finalmente, você poderá descansar. Será que as Olimpíadas foram apenas mero divertimento? Quem já não ouviu falar das lições de vida relatadas, em palestras, por ex-atletas ou treinadores esportivos? São palavras valiosas porque o sucesso daquele que treina todo dia no tatame, nas quadras ou nas piscinas têm muito em comum com qualquer um que trabalhe em uma empresa, em um banco, em qualquer escritório, independente da área de atuação.
Quando um atleta compete, ele está diante de uma sobrecarga gigantesca de estresse. Para um velocista, por exemplo, no momento da largada, uma descarga de adrenalina invade cada músculo. E isso serve como força propulsora para que ele atinja seus objetivos: a marca final. Quando a prova termina, o atleta não sai correndo para a academia para treinar mais e mais. Ele vai descansar, encontrar com a família, com os amigos. E a rotina do vai-e-vem da adrenalina se mantém. A lição aprendida pelos esportistas precisa ser assimilada no dia-a-dia corporativo: do respeito aos momentos de relaxamento e lazer à preocupação com a boa alimentação.
Ao ser pressionado com metas ambiciosas e prazos apertados, o que fazemos é trabalhar sem descanso, como se o organismo fosse capaz de manter esta energia propulsora por horas a fio. O resultado é excesso de ansiedade, desanimo e problemas de saúde como insônia, gastrite, compulsão alimentar, dores musculares, depressão. Aprender a gerenciar o estresse e manter os momentos de alerta e descanso é a única maneira de cruzar a linha de chegada, seja nas pistas, seja no escritório. E isso passa pelo desenvolvimento pessoal, além de programas efetivos de qualidade de vida. Os gastos com problemas causados pelo excesso de estresse não afetam apenas a saúde do trabalhador, mas, também, o bolso do empregador. Sabe-se que nos Estados Unidos o estresse profissional tem custo estimado em 300 bilhões de dólares ao ano e nos países membros da União Européia este valor gira em torno de 265 bilhões de euros –números relativos ao absenteísmo, rotatividade, lesões no trabalho e seguro saúde. Embora não tenhamos este cálculo por aqui, sabemos que o estresse afeta 70% dos profissionais brasileiros, sendo que 30% deles sofrem de burnout, segundo dados de pesquisa da ISMA-BR.
Se o profissional tiver atitudes simples e contínuas, como praticar alguma atividade física com regularidade, se alimentar bem, e, principalmente, se ele tiver técnicas eficientes para relaxar após picos de adrenalina, cada um, com certeza, poderá ter um rendimento excelente sem prejuízos a sua saúde. O estresse em si, não deve ser considerado um vilão ou um mal a ser combatido. O desafio é manter o equilíbrio entre o auto-desempenho e a saúde.
Ana Maria Rossi é presidente da International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR).
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