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MARCA VOCÊ S/A 2004

O carioca Marco Aurélio Thompson é um hacker do bem. Depois de tentativas frustradas de abrir seu próprio negócio, ele se acenturou pelo mundo da informática e se deu bem



Nome: Marco Aurélio Thompson
Idade: 38
Grau de escolaridade: 2º Grau Completo
Ocupação: Consultor

Meus pais se separaram quando eu tinha seis anos. Fiquei com meu pai. Desde cedo, aprendi a me virar sozinho. Meu pai trabalhou por mais de 30 anos na mesma empresa, fazendo a mesma coisa, até se aposentar. Como todo aposentado, viu sua renda cair e teve que abrir um bar. Aparentemente único empreendimento que estava dentro de suas competências pessoais. Não queria aquilo para mim de jeito nenhum: trabalhar a vida toda, sair antes do sol e voltar com a lua, para receber no final do mês, e receber meia dúzia de reais. O problema é que minhas experiências como empreendedor foram todas um fracasso: não existia a quantidade de informações que temos hoje, nem Sebrae, nem revistas como a VOCÊ S/A.

Sem capital, sem experiência, sem apoio familiar. Fui experimentando: cozinheiro, fotógrafo, produtor de eventos. Até que percebi meu prazer e facilidade para orientar as pessoas. Comecei a dar aulas e cursos profissionalizantes e não parei mais. Com o tempo entrei na rotina. E me senti preso ao trabalho. Se eu parasse, o negócio pararia comigo. E foi o que ocorreu. Depois de ser traído pela diretoria de uma cooperativa que ajudei a fundar, Fechei minha empresa e fui trabalhar para terceiros. Era a segunda vez na minha vida que eu trabalhava para os outros. No começo gostei. Não tinha qualquer outra responsabilidade, a não ser cumprir meu horário e obrigações. Infelizmente, as coisas nem sempre são como a gente quer. A empresa faliu e fui em busca de outra. Nesta outra fui tão sugado que, em menos de um ano e meio, o dono mandou quatro funcionários embora e me deixou com a responsabilidade de todos eles e metade do salário de cada um. Para dar conta tive que me mudar para perto da empresa. Minha jornada de trabalho ia das 7 às 2 da manhã. Como era de se esperar fiquei estressado, me rebelei contra o sistema da empresa e comecei a ser fritado. O antigo gerente havia se dado mal em suas experiências fora da empresa e voltou disposto a aceitar até um salário menor. Não deu outra, fui demitido.

Com a indenização, decidi parar um pouco e pensar em como não depender de patrão, como não ficar preso ao trabalho, como fazer algo que eu gosto, que me satisfaça e me dê orgulho. Uma coisa que eu entendo e muito é a Internet. Então decidi apostar todas as minhas fichas na Internet. Com um capital de apenas mil reais e mais o meu computador pessoal e uma linha telefônica, desenvolvi uma série do que eu chamo de minisites, para vender, em cada um deles, o resultado dos meus estudos sobre determinado assunto. O primeiro deles: Curso de Hacker, foi algo ousado, arriscado e inédito. Não sabia se era proibido. Mas também não gostaria de ficar entrando em contato com a polícia para pedir autorização. Como existem revistas hacker, achei que poderia existir também sites com curso de hacker. Acertei na mosca. Minha renda líquida no primeiro mês foi de 1 200 reais, no segundo já havia dobrado e no final do ano já estava com 6 mil reais. Reformulei o curso, contratei um designer, criei subprodutos, investi em conteúdo e aconteceu: consegui criar o maior e mais completo curso de hacker do mundo, atualmente com 500 alunos e a previsão de chegar a mil ainda este ano. Consegui tanta credibilidade que lancei dois livros com produção própria e consegui vendê-los antes mesmo de estar prontos. E a 160 reais cada um. Preço bem salgado para um livro. Também consegui criar uma empresa que pode funcionar em qualquer lugar do mundo, bastando um computador com acesso a Internet, um cartão de crédito internacional e uma agência de correios. Agora estou criando uma equipe para gerir o negócio e fazer com que eu possa ir para onde quiser (quero viajar pelo mundo) sem que a empresa dependa da minha presença física para funcionar. No total de 15 minisites, só o primeiro já tomou todo o meu tempo. Nas próximas semanas estarei lançando os outros minisites. Onde deixei minha marca - 3. Que ações realizou/decisões tomou?: Acho que o maior mérito é não ter frequentado faculdade, ter feito o Ensino Médio a prestação (provas do supletivo) e conseguido superar minhas limitações, a ponto de ser reconhecido como a maior autoridade em hacking do Brasil.

Acho que minha ousadia em abrir um curso de hacker, assunto polêmico e que gera os mais diversos tipos de comportamento. Uma vez a polícia me procurou... para dar aula para eles. Fiz um livro com o conteúdo do curso. De dez editoras, inclusive uma que publica livros meus, nenhuma quis se envolver com a publicação do livro. Divulguei entre os alunos que o livro estava PROIBIDO e o interesse aumentou ainda mais. Resultado? Publiquei por conta própria. E um livro que custaria cerca de 60 reais, pulou para 160 reais. Eu que ganharia 12 reais por livro em dois anos, passei a ganhar (líquidos) 130 reais por livro em dois meses.