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Rifkin, um dos pensadores que mais influenciam a política americana: 11% dos empregos no mundo desaparecem a cada sete anos
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O fim das vagas

O polêmico economista Jeremy Rifkin está ainda mais pessimista. Para ele, em 50 anos não haverá mais emprego nas fábricas

Por Anne Dias

A edição de outubro de VOCÊ S/A traz uma entrevista de três páginas com um dos mais polêmicos pensadores da atualidade. O economista Jeremy Rifkins tornou-se conhecido mundialmente há dez anos ao escrever O Fim dos Empregos. O best-seller preconizava que o número de postos de trabalho iriam ser reduzidos numa escala jamais vista antes na história. Olhando para trás, Rifkin diz que deveria ter sido mais pessimista. "Fui muito conservador", afirma. Na época em que a primeira versão saiu, Rifkin não calculava que hoje o mundo teria 1 bilhão de desempregados e subempregados. Agora a editora M. Books relança o livro, com uma novidade: a introdução. Lá Rifkin esmiuça o desemprego no mundo. Fala da produção mais enxuta e da queda dos salários. Com mais de 17 livros publicados, Rifkin é considerado um dos 150 pensadores que mais influenciam a política dos Estados Unidos. Abaixo você tem um pequeno tira-gosto do material apresentado na edição de outubro de VOCÊ S/A. Confira

VOCÊ S/A - O senhor se arrependeu de alguma das análises feitas na primeira edição de O Fim dos Empregos?

Rifkin - Na verdade, não. Minhas análises foram bastante conservadoras, porque quando escrevi a primeira versão do livro, em 1995, havia 800 milhões de pessoas desempregadas ou em subempregos. Hoje, esse número saltou para cerca de 1 bilhão de pessoas. É muito mais gente do que eu poderia imaginar.

VOCÊ S/A - Quais as vantagens e desvantagens da semana de trabalho mais curta?

Rifkin - A idéia da semana mais curta é estimular as empresas a contratar pessoas para trabalhar 34, 35 horas por semana, por exemplo, mas continuar pagando por 40 horas. Em contra-partida, essas companhias teriam uma redução dos impostos pagos sobre os salários ou de algum outro imposto corporativo. Em princípio, o governo pode achar que ele perde dinheiro com essa iniciativa, mas ele ganha no longo prazo, porque mais pessoas vão conseguir entrar no mercado de trabalho, enquanto que as outras vão manter o padrão de vida, mesmo trabalhando menos horas. Isso significa que o país teria mais gente consumindo, o que geraria mais taxas para o governo. As empresas, por sua vez, ganham com o estímulo de seus funcionários e com gente nova que passa a trabalhar na operação.

VOCÊ S/A - Qual é o papel dos sindicatos atualmente?

Rifkin - Muitos líderes e donos de empresas sempre pensam em reduzir custos, principalmente os ligados à força de trabalho, em vez de procurar maneiras para aumentar os lucros. Essa é a lógica do capitalismo. A melhor maneira de encarar os trabalhadores é como consumidores e investidores. Reduzindo benefícios para aumentar lucros, a empresa não tem rendimentos crescentes. A organização dá poder aos trabalhadores e aí está a nova força dos sindicatos: não deixar que as empresas vejam a redução dos quadros como uma maneira de cortar custos. Por outro lado, as greves tornaram-se menos eficazes, até porque muitas fábricas podem simplesmente transferir sua produção de um país para outro para driblar as paralisações.