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Aposentadoria feliz e com dinheiro
Leia o primeiro capítulo do livro "Aposentadoria Feliz e com dinheiro - como planejar o seu futuro"
Por Luciana Del Caro
"O que você vai ser quando crescer?” Todos com certeza já ouviram essa pergunta quando eram crianças. Pena que ninguém pergunte o que as pessoas querem ser quando se aposentarem. O questionamento sobre o futuro após a aposentadoria seria útil e poderia tornar menos traumático esse momento de transição.
Nas poucas vezes que o tema surge na mente das pessoas não é na forma de pensamento, mas praticamente em forma de sonhos. A imaginação logo transporta a pessoa para uma praia paradisíaca, para uma viagem de volta ao mundo, um vôo de balão. Enfim, a aposentadoria é vista como a hora da desforra por todas as cobranças e desgastes da vida produtiva e como um prêmio a quem cumpriu suas funções na sociedade e conquistou o merecido direito de descansar. Seja qual for a aposentadoria tida como ideal, ela será uma situação de tranqüilidade e desfrute.
O que acontece é que a realidade costuma passar como um rolo compressor sobre o sonho das pessoas em relação a essa etapa da vida. Não nos primeiros momentos após a aposentadoria, que costumam ser de euforia. Não há mais obrigações a ser cumpridas nem horários rígidos, não é mais necessário provar a própria capacidade para os outros nem disputar o exíguo espaço do mundo corporativo ou dos profissionais liberais.
Mas, com o passar do tempo, um desapontamento e um vazio vão se instalando em muitos, e a euforia se mostra passageira. As pessoas costumam sentir falta de ter aonde ir todos os dias, da necessidade de ser pontual, da conversa no momento do cafezinho e até mesmo das reuniões intermináveis e improdutivas e das situações estressantes do dia-a-dia. De repente elas se dão conta de que não fazem mais parte de um grupo, que sua identidade não está mais relacionada a nenhuma empresa. Vêem-se sozinhas.
Agora adicione mais um ingrediente a essa receita para a depressão: a dificuldade financeira.
Grande parte da população brasileira é obrigada a continuar trabalhando após se aposentar para manter o padrão de vida. Isso para quem tiver condições de continuar trabalhando. Em condições bem piores, pessoas que já não conseguem mais exercer suas atividades têm de depender da caridade ou da ajuda de parentes. Ora, se continuar na labuta pode ser uma coisa saudável, que ela seja uma opção de vida e não uma imposição da necessidade. Uma minoria absoluta de aposentados se mantém por conta própria. E, destes, quantos terão baixado o padrão de vida para se adequar à nova realidade?
O que acaba acontecendo é que as pessoas percebem que não estavam preparadas financeira e psicologicamente para viver bem sem trabalhar. Estar preparado faz a diferença nesse momento de importantes mudanças. E estar preparado significa que é preciso pensar na aposentadoria muito tempo antes de ela chegar. É sinônimo de ser previdente, prudente, precavido. O que acontece é que a aposentadoria costuma parecer algo distante e as preocupações mais urgentes do cotidiano acabam tomando todas as horas, os minutos e os segundos das pessoas. Sobra pouco tempo para refletir sobre o futuro.
O primeiro passo para a preparação é definir qual é o seu desejo para essa fase da vida e em que patamar você deverá estar quando a hora chegar. E pensar não só em termos abstratos mas em termos práticos. Onde você pretende viver? Qual é o custo de vida nessa cidade? Qual é o patrimônio que você terá possivelmente juntado quando estiver prestes a pendurar as chuteiras? Quais são as fontes de renda com que poderá contar? Quais serão as suas despesas? Você quer se dedicar a algo que hoje é apenas um hobby e que abocanha grandes fatias do bolo que você consegue juntar? Ou pretende fazer trabalhos voluntários? Você continuará a ter algum dependente? Enfim, as possibilidades são tão vastas quanto a vida pode ser. E cada pessoa tem — ou pelo menos deveria ter — sua resposta.
Depois é necessário planejar financeiramente a aposentadoria. É preciso saber quanto você receberá da Previdência Social, se esses recursos serão suficientes para a vida que você deseja levar e, como provavelmente a resposta será não, quais serão as alternativas para complementar a renda e manter o padrão. Essa é uma questão que diz respeito somente aos indivíduos e suas famílias e que requer decisões que ninguém vai tomar por você. Com o planejamento e o conhecimento de sua situação financeira, os sonhos de uma vida tranqüila e sem grandes preocupações podem se tornar mais próximos.
Como diz o ditado, apressa-te lentamente. O ideal é não deixar o assunto indefinidamente para o amanhã nem tomar decisões precipitadas. Olha que o tempo passa num piscar de olhos e que você já quase não se lembra da época em que ouvia a pergunta do início do texto.
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