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O que é... exagero
É evidenciar os sucessos meteóricos sem averiguar o que há por trás deles
Por Max Gehringer
Uma leitura indispensável para quem quer entender a gestão de pessoas é o livro Mean Business (algo como "Negócio cruel"), publicado em 1996. Seu autor é o superexecutivo Albert Dunlap, um especialista em transformar empresas perdedoras em minas de ouro. A saga de Dunlap começou em abril de 1993, quando foi nomeado presidente da Scott Paper, que, no ano anterior, tinha dado um prejuízo de 270 milhões de dólares. Dunlap assumiu e cortou as contribuições para caridade, acabou com um programa que incentivava os executivos a fazer trabalhos sociais e despediu 11 200 funcionários, além de eliminar as melhorias de médio e longo prazos. Dois anos depois, a Scott Paper foi vendida para uma concorrente, a Kimberly-Clark, por 7,8 bilhões de dólares. E Dunlap embolsou 100 milhões de dólares por seu trabalho!
Em julho de 1996, Dunlap foi contratado pela Sunbeam Corporation. No mesmo dia, as ações da Sunbeam -- que valiam 12 dólares -- subiram incríveis 49%. E Dunlap fez jus à fama: cortou 6 000 pessoas -- 50% do quadro --, fechou 18 das 26 fábricas e eliminou 87% dos itens que a companhia produzia. Um ano depois, o valor das ações da Sunbeam havia pulado para 53 dólares.
Nesse momento é que foi publicado o Mean Business. E eu ganhei um exemplar, presente de um colega que estava tentando me convencer de que processos eram importantes -- e gente era só um entrave. No livro, o superexecutivo Dunlap dava a receita de seu meteórico sucesso:
Sou como um predador atrás da caça;
Meu único objetivo é gerar lucro para os acionistas e o resto não tem importância. Nem os produtos nem a filantropia, e muito menos os empregados;
Se é para doer, que doa depressa.
Albert Dunlap virou uma celebridade instantânea. A Bolsa de Nova York o aclamava. A mídia não cansava de entrevistá-lo. Dois de seus conselhos sábios -- o primeiro, sobre recursos humanos: "Evite a qualquer custo os profissionais de RH". O segundo, sobre companheirismo: "Se você precisar de um amigo, compre um cachorro". Em junho de 1998, Dunlap foi despedido da Sunbeam por ter fraudado os balanços. A empresa entrou em concordata e suas ações despencaram para 2 centavos de dólar. Em janeiro de 2002, Dunlap pagou 15 milhões de dólares num processo que os acionistas da Sunbeam moveram contra ele. E, em setembro daquele ano, desembolsou outros 500 milhões num processo em que era acusado de fraude pela Bolsa de Nova York (o dano foi devastador para sua carreira: nenhuma grande companhia o contrataria dali em diante).
A mídia, então, fez seu mea-culpa pela adulação dispensada a Dunlap. E mostrou as lições que se pode tirar de uma "administração por maçarico":
Qualquer idiota pode cortar custos;
A confiança dos clientes e a motivação dos funcionários são essenciais para o negócio;
Mentir é feio;
Vale desconfiar dos livros sobre os milagreiros corporativos.
Hoje, Dunlap está compulsoriamente aposentado. É casado e não tem filhos. Mas tem dois cachorros.
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