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Eugenio Mussak é educador. Atua como consultor nas áreas de desenvolvimento humano e de soluções educacionais
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A (des)vanatagem do egoísmo
O dilema do CEO
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Cooperar vale a pena

O grande desafio reside em equilibrar os interesses pessoais e os da empresa que nem sempre estão correlacionados

Por Eugenio Mussak

Um dos grandes desafios da gestão de qualquer empresa é conciliar, na mesma equipe, a cooperação entre seus membros com os interesses individuais. Parece conflituoso e complicado e, de fato, muitas vezes é. O que torna esse conceito quase impraticável é o fato dele pregar a conciliação entre dois exercícios antagônicos. Entretanto, vale a pena o empenho, pois a cooperação é um dos principais caminhos para que se sobreviver e se evoluir no mundo dos negócios.

A boa nova é que, sim, isso é totalmente possível. Para atingir um objetivo que está na dependência da participação de outra pessoa, você tem três alternativas:

a) Usar a outra pessoa como ferramenta para atingir sua meta;
b) Colaborar com as metas do outro, esperando, como contrapartida sua colaboração;
c) Envolver a outra pessoa para que a meta deixe de ser apenas sua, e passe a ser dela também.

Fora dessas três alternativas não há saída possível. A busca do sucesso individual pela competição pura e simples dará como resultado, a falência do sistema. E é claro que a melhor alternativa é a "c" e a pior, a "a".

O grande desafio reside em equilibrar os interesses pessoais e organizacionais. Se a balança pender para o lado dos interesses pessoais, provavelmente, o funcionário seguirá suas vontades, independente do que a empresa deseja, comprometendo o resultado. Já, se o funcionário faz exatamente aquilo que lhe ordenam ou que esperam dele, deixando seus objetivos de lado, ele vai acabar desmotivado.

A balança se equilibra quando empresa e indivíduo alinham seus desejos e ambições. Cooperar com a empresa significa também cooperar com a sua equipe de trabalho, portanto, tudo que falamos da relação empresa-indivíduo vale também para indivíduo-indivíduo. Eis as implicações e a importância dessas relações.

Uma empresa, para que obtenha um melhor resultado, deve escolher profissionais cientes dos objetivos e valores da corporação. Pessoas com objetivos e valores pessoais não conflitantes, de preferência muito semelhantes. É preciso que o funcionário posicione a sua ambição de maneira certa: nem acima de tudo e nem escondido, “na geladeira”. É claro que a empresa deve, por outro lado, estimular o ânimo e as ambições dos indivíduos, para que estes não se sintam anulados. É delicada a situação!

Lembre-se da teoria dos jogos, o ramo da matemática que tenta explicar as interações entre os indivíduos. O exemplo mais clássico é o do dilema dos prisioneiros (veja o link A (des)vanatagem do egoísmo ), através do qual fica claro que a melhor alternativa para o sistema (formado pelos dois prisioneiros) é a colaboração mútua. Quando o teste é aplicado a vários conjuntos de dois indivíduos, é exatamente esse o resultado mais comum. Sim, o ser humano tem tendência à colaboração, e não à deserção. Boa notícia!

Se transferirmos o dilema dos prisioneiros para a vida corporativa vamos descobrir que, para que alguém tenha muita vantagem ao não colaborar, é necessário que os outros sejam, digamos, cândidos cordeiros. E em que empresa, cá para nós, eles podem ser encontrados? Talvez na empresa da Pollyanna, a garota do livro homônimo, que Eleanor Porter escreveu em 1913, e que só via o lado bom das pessoas. Mas ao que me consta, ela ainda não virou CEO de nenhuma corporação.