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Paulo Angelim é autor de "Desenvolvimento Profissional: Alcance o sucesso sem vender a alma", e "Porquê eu não pensei nisso antes?"
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Olhe além de sua baia

Se o seu negócio é crescer profissionalmente, vivencie experiências e aprendizados diversos

Por Paulo Angelim

Quem acompanha meus textos sabe que sou corredor de rua. Os que levam a sério a corrida e disciplinadamente seguem planilhas, sabem que o aumento da performance passa pela variação de tipos de treinos e por correr em vários tipos de solo. Ao final, desenvolvem capacidades distintas, as quais um único tipo de treino, obviamente, não conseguiria produzir. Assim, nossa vida de treinos visando às provas é constituída ora de “tiros” rápidos em asfalto, ora de corridas leves na grama ou areia, além de subidas rápidas ou lentas em ladeiras, e ainda corridas longas, com duração de 1h30 no mínimo, pelo menos uma vez por semana. Mas onde fica você nesta história, que não quer e nem pensa em praticar corrida de rua? Bem, se o seu negócio é crescer profissionalmente, então você deveria olhar para uma verdade inerente não só à corrida, mas a vários outros esportes: a diversidade de experiências e práticas proporciona o crescimento integrado e harmônico do todo, ocasionando o incremento da performance final. Explico!

Da mesma forma que nós atletas - amadores como eu ou não -, variámos os tipos de treino para desenvolvermos diferentes tipos de músculos e capacidades distintas como explosão, oxigenação ou resistência. Os profissionais comprometidos com o crescimento também se permitem vivenciar experiências e aprendizados diversos, que lhes proporcionam o incremento nas suas capacidades de ver o mundo por várias perspectivas, e não exclusivamente da perspectiva gerada por suas crenças e verdades. É essa atitude que leva os grandes profissionais a aceitarem a idéia de que os outros têm outras verdades subjetivas, e que se não as conseguirem enxergar ou contemplar, serão incapazes de negociar, muito menos de se relacionar.

Um dos canais mais eficientes de aprendizado cognitivo e de transformação ou construção de nossas verdades é a leitura. Pessoas que tendem a desenvolver leituras centradas em um ou dois únicos temas “necrosam” suas mentes e tornam sua visão de mundo mais obtusa, fechada, limitada. O pior é que fazendo isso, não ativam outras partes do cérebro e se mantêm fechadas em suas visões, se impedindo de perceber o mundo pela perspectiva ou visão do outro. O fim disso é conhecido: inflexibilidade, rigidez, ou seja, “morte em vida”. Permitir-se a leitura de livros, revistas ou artigos com temas tão lúdicos ou supostamente inócuos como a vida dos artistas ou das crianças, independentemente de você gostar de celebridades ou sequer ter filhos, lhe ajudará a contemplar outros mundos, e até mesmo ver o seu mundo a partir de outras visões. Essa mesma capacidade também pode ser alcançada assistindo-se filmes ou programas de TV, principalmente nos canais fechados (a cabo), bem como interagindo com pessoas que não pertencem ao seu cotidiano profissional ou pessoal, e principalmente que pensam diferente de você.

Mas se ao fazer essas leituras, assistir esses programas, ou interagir com essas pessoas, você terminar com aquela sensação de que nada foi absorvido, nada foi agregado, fazendo da experiência um suposto investimento de tempo perdido, digo-lhe CUIDADO! Isso tão somente demonstra sua incapacidade de pensar como os outros pensam. É óbvio que você não precisa aceitar a visão de mundo deles, nem sequer gostar de como eles enxergam o mundo, ou mesmo da realidade que vivem. Mas é fundamental que consiga, pelo menos, entender os porquês deles verem o mundo assim, ou de enxergarem o mundo como enxergam. Isso se chama multivisão, ou visão multifacetada, competência fundamental para aqueles que estão crescendo no mundo corporativo e na vida, e que inevitavelmente terão que negociar projetos, cargos, funções, idéias e muito mais. Além disso, relacionamento é algo inexorável na trajetória de sucesso dos bichos da espécie corporativa. E como já mencionei antes, neste mesmo texto, é impossível a construção de relacionamentos sólidos e profícuos sem que as partes tenham a capacidade de enxergar as situações pela perspectiva do outro. É fato que você pode fazer muito mais amigos se interessando por eles, do que tentando convencê-los a se interessarem por você. Mas como você fará isso se somente treina sua mente para enxergar o que lhe interessa, os assuntos que para você são fins, e sempre toma como referência as suas verdades, taxando-as de absolutas?

Abra sua visão para os lados, para o que também gravita em torno de você, e não somente para o assunto que você, por força de sua atividade profissional, ou por suas preferências pessoais gravita em torno. Além de boicotar terrivelmente sua própria jornada em direção ao topo, ao alto, você ainda corre o grande risco de ser taxado de um tremendo chato, que só fala do que lhe interessa, e ainda por cima das mesmas coisas. Isso é coisa de tribo. E tribo é coisa de adolescentes. Profissionais adultos do século XXI foram feitos para viverem no mundo, numa sociedade cada vez mais cosmopolita. Por isso, trate de enxergar esse mundo como ele é, e não como você imagina que ele seja. E saiba que o mundo é ao mesmo tempo preconceituoso e sem preconceito, indiferente e ignorante. Depende de quem olha. Ou seja, o mais fascinante é que você descobrirá que jamais será capaz de definir por completo este mundo. Descobrirá que sempre existe um outro lado de ver as mesmas coisas, tornando sua vida uma eterna e vibrante busca.

Que bom!. Você terá sempre um motivo para viver mais um dia. Então, você consegue enxergar isso?