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Emmanuel é mineiro de Belo Horizonte. Vive na Austrália desde 2001 e está concluindo seu MBA em Marketing este semestre
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Negociando com o Cupido
Enquanto o marido aprende accounting ou prepara aquele projeto de international marketing, a esposa tem de renunciar a sua carreira para cuidar do filho
Por Emmanuel Laureano
O casamento é um componente de grande peso na decisão do MBA. A maioria dos colegas passa pela mesma situação: você muda de vida e fica fora da força de trabalho por dois anos. É o momento de dar adeus ao fluxo de caixa fixo e boas vindas ao debito assustador. Num dos artigos passados mencionei que um dos objetivos primordiais que busquei ao vir seis meses antes da esposa e filho era proporcionar a eles uma transição o mais suave possível. Obviamente essa transição não é sempre tão fácil assim. Enquanto eu freqüentava as aulas numa universidade luxuosa de minha escolha, minha esposa e filho se acomodavam num quarto de um apartamento na Princes Highway, uma rodovia pra lá de movimentada em Sydney. Enquanto o marido aprende os meandros de Accounting ou prepara aquele projeto de International Marketing, a esposa (ou vice-versa), que renunciou uma carreira promissora, passa os dias brincando com o bebe no parque da vizinhança.
São poucas as instituições que monitoram os dados de quantos de seus estudantes são casados. Contudo, os Estados Unidos, através do Graduate Management Admissions Council (veja link), recentemente publicou um estudo demonstrando que 39.4% dos alunos de MBAs já trocaram as alianças. E 5% deles tem filhos. As business schools nos Estados Unidos afirmam que o número de estudantes casados segue uma clara tendência de alta. Essa tendência é na verdade uma conseqüência do aumento de dois anos na idade média dos novos alunos, particularmente desde o inicio da década de 1990. Outro fator que justifica o crescimento do numero de estudantes casados nos MBAs em geral pode ser explicado pelo grande numero de estudantes estrangeiros vindos de países onde as taxas de casamento são altas, como o Brasil por exemplo.
De volta à Austrália, os dados estatísticos dos seus estudantes não estão disponíveis com tanta facilidade. No entanto, o contato diário com os colegas de diversas classes e matérias na universidade, nos permite afirmar com bastante convicção que, quando o assunto é matrimonio, o perfil do estudante de MBA na Austrália é bastante diferente do encontrado nos Estados Unidos. Dois grupos são claramente identificados:
1. Estudantes internacionais: são os mais jovens e em sua maioria absoluta solteiros;
2. Estudantes nativos: tem média de idade mais elevada, é o grupo com maior numero de alianças na mão esquerda.
O resultado então é a formação de uma minoria distinta de estudantes casados. Para estes, o dia-a-dia tem que acomodar as atividades caseiras e reuniões de classe. Para os que trabalham, a vida é ainda mais movimentada, já que lidar com todas essas atividades acaba requerendo uma dose extra de esforço. Como então é ser casado num mar de solteiros?
A volta as aulas em um país como a Austrália e um pouco desconcertante quando o assunto é socializar com a multidão de solteiros quando não se tem mais vinte e poucos anos. Não se freqüenta balada no fim de semana e obviamente, não se é mais solteiro. A gente tem que reconhecer que não dá para freqüentar as festas depois de 11 da noite. Felizmente o nosso garoto tem se virado bem nas festas que vamos. É claro que ele não vai a nenhuma rave com DJ, mas na época de natal e ano novo, é inevitável o encontro com outras famílias e amigos da universidade ou grupo religioso.
Uma boa alternativa é ter um bom network com baby-sitters. Ou melhor ainda, e mais barato, a gente acaba organizando entre os pais um grupo que troca plantões de baby-sitter para que os adultos possam participar de festas ou ir a um jantar ou qualquer outro evento. No final das contas, naturalmente entramos na regra de que casais tendem a gravitar em direcão a outros casais e se conectar através de jantares e eventos culturais. Sydney definitivamente não desaponta quando o assunto são as "atividades-família". É extremamente relaxante estar com a familia e outros casais de perfil semelhante num domingo no Royal National Park (maravilhoso) por exemplo. Os casados, nesse caso, saem ganhando: a Austrália é o país do pic-nic. Parece que nenhuma outra nação domina tão bem o know-how e valoriza tanto a arte do pic-nic como os Australianos. É uma ótima maneira de conhecer novos casais e também passar momentos de qualidade com a esposa e filhos.
Baixas
Entre as aulas, naturalmente, parcerias romanticas acabam acontecendo. Uma vantagem importante e que nesse caso os dois tendem a entender com maior facilidade quando um deles sai com o grupo de estudo. Estudantes internacionais afirmam que ter alguem durante o MBA pode na verdade ajudar a reduzir um pouco da pressão de se adaptar a uma nova cultura ou de um programa acadêmico exigente.
Mas nem todos os relacionamentos sobrevivem a uma escola de negócios. Devido a uma agenda apertada e bastante variada em comparacão com uma pessoa que apenas trabalha, os casais tem que fazer um esforço extra para terem tempo um para o outro. Lidar com a distância dos parentes e amigos tambem é um importante fator nessa equação. Todas esssas pressões ajudam a aumentar a taxa de queima de cupidos em B-schools.
Não optei pela carreira de terapeuta de casais, mas vale afirmar que se há um problema em casa, o casal tem que deixar as diferenças de lado e adotar uma abordagem bastante pragmática: encontrar uma solução o mais rápido possível. Uma questão matrimonial não resolvida para um MBA, seguramente interfere no rendimento acadêmico, com conseqüências que podem atingir índices altamente lesivos tanto dentro da universidade quanto dentro de casa. Quando a agenda acadêmica começa a entrar em atrito com o relacionamento, a rapidez de ação em resolver o problema pode fazer uma grande diferença para voltar pra casa com o canudo e a família inteiros.
É um erro pensar que a aplicação direta dos princípios de administração e gerenciamento de empresas aprendidos no curso vai garantir a paz dentro de casa. MBA não ensina a resolver conflitos dentro do lar. Além disso, não adianta tentar encobrir a realidade de que a maioria das questões conjugais são difíceis de resolver sem ajuda profissional. Procurar uma organização religiosa, instituições sem fins lucrativos como o Relationships Australia ou um psicólogo é uma iniciativa importante. Esses recursos também podem ser utilizados para quem está com a vida no mar de rosas. Em meio a tantas variáveis novas de uma vida diferente, a prevenção é o melhor remédio. O cupido agradece.
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