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| Abraham Chachamovits é consultor de inteligência organizacional. É formado em engenharia da computação e música, pós-graduado em filosofia e possui mestrado em engenharia da computação e regência pela Florida State University |
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O Fio da Meada (IX)
É fundamental que a pessoa torne-se auto-conhecedora para que de fato compreenda o que ela é e o que os outros percebem nela
Por Abraham Chachamovits
Perguntava anteriormente, "será que aprendemos mais do [reforço] negativo que do reforço positivo?" Esta é uma questão fundamental para o estabelecimento de um modelo mental necessário que permita o crescimento do indivíduo e portanto, de seu envolvimento positivo em uma organização. Algo negativo é essencialmente algo de ordem ‘receptiva e re-ativa’, pois sua característica maior é sua ‘carência’ (daí, sua necessidade de absorver e de se preencher e então reagir ao recebido). Algo positivo é essencialmente algo de ordem ‘transmitida e portanto, pró-ativa’, pois sua característica maior é a sua completude (daí, sua necessidade de oferecer que resulta em sua ‘difusão’). Isso será agora melhor explicado.
Um homem rico convidou um transeunte para a sua casa, e dia após dia o alimentou e ofereceu os tesouros mais preciosos para ele. Cada dia ele aumentava seus favores sobre aqueles do dia anterior. O homem, o qual era o ‘recipiente’ de todos estes presentes deste homem rico e ‘benfeitor’, sentiu duas reações diferentes. Primeiro teve o gosto de um prazer indescritível e conforto da riqueza que ele recebeu do homem rico, e depois ele sentiu um embaraço e uma vergonha incomensuráveis pelo recebimento de toda esta abundância. Seus sentimentos de embaraço aumentaram com a abundância adicional de cada dia sucessivo. Agora, é evidente que o deleite que ele sentiu em receber seus presentes foi graças ao ‘oferecimento’ do doador, e os sentimentos de desconforto que ele experimentou, o sentimento de degradação no recebimento de tantos presentes do doador, não foram infligidos pelo doador. Seu sofrimento veio de sua própria natureza, e seu sentido de vergonha foi ativado através de sua aceitação dos presentes.
A atitude da pessoa que é focada em ‘receber’ causa, em última instância, a dor existencial que a aflige e danifica seu desenvolvimento e participação positiva no mundo, não porque ‘receber’ é algo intrinsecamente negativo. De fato, o recebimento é uma característica que quando melhor conhecida, propicia o crescimento da pessoa e estabelece seu propósito de vida. A razão pela qual o ‘desejo de recebimento’ exclusivo causa dor é que, este tipo de ‘desejo’ inexiste na origem de tudo, ou seja, no que podemos chamar do nível “além-do-físico”, digo, de D’us. Assim, quando a pessoa entende a necessidade de transmutar seu ‘desejo de recebimento’ em ‘desejo de recebimento para oferecer’, ela se ‘alinha’ com a natureza altruística da Origem de tudo. Este processo ideal onde o desejo de receber se inverte no desejo de oferecer causa alegria verdadeira, e portanto, favorece o crescimento da pessoa que tem seu ser expandido, como que, oferecido ao mundo em uma vontade superior de difusão existencial—a de ser um ‘benfeitor’ também.
Um ambiente organizacional repleto de ‘benfeitores’ é um ambiente iluminado por uma força criativa muito forte, pois ao contrário do mesmo ambiente aonde de uma forma geral, a energia das pessoas é constantemente absorvida pelas carências de várias espécies das outras. Nesse caso, o ‘desejo de oferecer’ para o avanço da organização, e da fortificação dos princípios pelos quais todos vivem neste sistema que os sustenta, traz a efervescência positiva necessária para levar a organização para o sucesso pleno. Para que isso ocorra, a pessoa precisa desenvolver novas “rotinas mentais” que a ajudem a se estruturar adequadamente para o desafio máximo humano—o de aceitar a sua felicidade! Assim, é fundamental que a pessoa torne-se auto-conhecedora, para que ela de fato compreenda que ela é exatamente o que ela e os outros percebemos nela mesmo. Ela precisa tornar-se universal, no sentido em que ela existe em um todo, pois assim como ela existe no Universo, o Universo existe nela. Ela deve sentir-se livre, pois pode ser ‘ativa e incerta’ ao invés de se limitar em ser ‘passiva e certa’, o que a permite escolher constantemente. Também, ela deve buscar a coerência de seus pensamentos, sentimentos, e ações. Isso ocorre na medida em que ela evita o isolamento, pois entende que o que vier de suas escolhas, liberdade e auto-conhecimento, deverá estar coerentemente relacionado ao seu ambiente. Quando a pessoa assim se posiciona, ela torna-se de fato ‘responsável’, pois entende que ela causa um grande impacto em seu mundo, propagando-se nele como ondas causadas por uma pedra lançada em um lago. Com a ‘responsabilidade e liberdade’, ela pode agir em um paradigma muito mais elevado e consistente, e assim podendo sonhar as suas realidades e realizar os seus sonhos. Quando isso ocorre, ela existe no limiar das coisas, da realidade percebida, o qual é o ponto onde o verdadeiro crescimento humano acontece — além da zona de conforto, o que demanda que ela esteja de prontidão em sua postura total perante a vida, nos limites de sua compreensão. E tudo isso, quando voltado para o altruísmo possível, faz dela um ‘empreendedor espiritual’, que reconhece que às vezes é significativo ficar embaixo da escuridão, para poder se levantar e ver a luz de D’us, e desta forma, jamais perder o Fio da Meada.
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