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MBA na terra dos cangurus

No que diz respeito à educação, o governo leva o assunto a sério. A High Education é prioridade no país e levanta questões fortes e debates acirrados entre estudantes e dirigentes em todos os veículos de comunicação.



Fazer uma pós-graduação no exterior é o objetivo profissional de muita gente. França, Espanha, Estados Unidos, Canadá e Inglaterra e Suíça, são alguns dos países que estão sempre presentes na lista de preferências de todo candidato a uma vaga de pós ou MBA. No meu caso, entretanto, enquanto analisava as possibilidades, a Austrália acabou entrando sorrateiramente como possível destino. Eu mantinha a Austrália como uma opção distante, ali em banho-maria, enquanto ia jogando todas informações sobre escolas e opções no grande funil da minha pesquisa. O que me surpreendeu é que na medida em que a busca se aprofundava, a Aussie subia de colocação, até que passou a ocupar o topo da lista!

A Austrália, o grande continente-ilha do planeta, é uma terra desconhecida para grande parte dos brasileiros. Para mim a Austrália sempre foi o país dos cangurus e dos bumerangues (aliás, até hoje não tive chance de lançar um para ver se realmente volta). Assim como eu não sabia o que é um didgeridoo , não imaginava que iria passar alguns anos da minha vida morando na Austrália. Para falar a verdade, eu tinha mesmo era uma certa desconfiança de como a Austrália foi parar ali, na posição top dos meus cálculos e ponderações. Alguns pontos contribuíram positivamente nessa equação:

1. Sydney é considerada a 2a cidade em business da Austrália, o que aumentaria minhas chances de conseguir alguma experiência profissional.

2. Seria possível trabalhar, o que cobriria parte dos gastos com moradia, alimentação e lazer.

3. Pesou também o quesito qualidade de vida, ponto crucial pra mim, já que meu projeto abrangia mais duas pessoas importantes: minha esposa e meu filho, que tem pouco mais de um ano de idade.

O que me fez deixar a Austrália em segundo plano nos estágios iniciais da pesquisa foi basicamente uma percepção incompleta do país e de suas capacidades. A Austrália não é só o país do curso de inglês atrelado a esportes radicais, embora eu tenha que admitir que isso deve ser uma combinação delirante. A Austráia produz surfies , swimmies , Mel Gibson e Nicole Kidman. Além disso, por ser monarquia independente, mantém laços extremamente fortes com a Inglaterra, o que pode ser traduzido como acesso direto, em matéria de tendências e influências, com o que se passa na Europa.

No que diz respeito à educação, o governo leva o assunto a sério. A High Education é prioridade no país e levanta questões fortes e debates acirrados entre estudantes e dirigentes em todos os veículos de comunicação. Duas universidades em Sydney perceberam a importância de um MBA top de linha para o país, e criaram a Australian Graduate School of Management (AGSM). Ela está na lista do Financial Times UK como no. 1 na Austrália e forte liderança na Ásia. A turma deste ano tem um GMAT médio de 655, com seus estudantes no top 13-15% dos 245,000 estudantes que completam o GMAT em todo o mundo. A AGSM é o resultado de um consórcio entre a University of New South Wales e a University of Sydney.

MBA tamanho família

Emmanuel, você disse que foi para a Austrália com a esposa e o filho de um ano? É aí que começa um capítulo à parte nessa história toda. Sair do país quando se é solteiro, embora não deixe de ser uma decisão igualmente importante, não tem o mesmo peso da responsabilidade de envolver outras pessoas. Na realidade, ao trazer a família, a idéia é fazer com que o projeto se torne um desafio compartilhado por todos. Assim, no final, cada um tem sua própria experiência para contar.
No meu diário vou identificar alguns dos desafios que um pai de família encara num empreendimento desses. A boa notícia é que fazer o MBA "tamanho família" não é impossível. Só que não é fácil.

O grupo de profissionais casados sem filhos deve representar uma parcela considerável dos leitores da VOCÊ S/A. Esses casais têm como alternativa, adiar a chegada dos filhos. Com isso, sobra tempo para preparar a viagem, estudar, curtir a temporada no exterior e voltar ao Brasil com um ticket aéreo de volta ao mundo. Aí, sim, chegando em casa, dá pra pensar em aumentar a família.
Outros casais podem optar por ter filhos fora do país. Nesse momento é importante pensar nas implicações emocionais. O problema maior não é o financeiro, pois o seguro saúde (componente compulsório das obrigações de um estudante estrangeiro na Austrália) cumpre muito bem o seu papel e o casal teria condições de ter uma gravidez bem assistida e competente. Pude comprovar a eficiência do seguro de saúde na prática, no dia em que tive que chamar uma ambulância para minha esposa. A sala de estar do nosso apartamento ficou parecendo cenário de programa de seriado médico: havia três paramédicos lá dentro. Embaixo, na frente do prédio, duas ambulâncias estavam à espera. (conto isso depois). O departamento de ambulâncias do estado me enviou a conta pelo correio, bem como as despesas de hospital e procedimentos médicos. Passei os recibos para o seguro e peguei o reembolso, sem burocracia.
Para quem tem filhos adolescentes, os desafios são outros. Vender a idéia pode ser uma tarefa extra, que vai ter que ser muito bem executada, diga-se de passagem. Convencer um adolescente a deixar namorado (a) e amigos (as) pode ser complicado. Prometer que vai leva-lo para assistir um jogo de cricket muitas vezes não surte nenhum efeito.

Fica bem mais "fácil" levar uma criança menor. O Emmanuel chegou aqui com 1 ano e seis meses. A principal conveniência é que o garoto fala inglês e português como línguas nativas. Isso não tem preço. De fato, desde o nascimento, ele só ouvia inglês quando ia para o colo do pai, e português quando brincava com a mãe. É desnecessário mencionar nessa coluna a importância de se falar inglês como se fosse sua primeira língua. O pai que puder dar esse presente ao seu filho, não deve hesitar em fazê-lo. Só quem aprendeu inglês "na marra" sabe o que estou dizendo.

G’day, mate!*

Atingir um inglês australiano "afiado" é outro capitulo especial da minha experiência aqui. Descobri que o processo de aprendizado é difícil e chega a ser fisicamente doloroso. Até hoje sinto alguns calafrios quando me lembro de alguns momentos difíceis que passei diante de clientes no meu primeiro emprego em Sydney. Hoje, esses momentos me garantem boas gargalhadas em qualquer bate papo com amigos. Porém, mais importante que se virar com clientes, é encarar a sala de aula. O primeiro semestre é uma prova de fogo para muita gente, pois o inglês australiano tem nuances próprias. Algumas vezes, quando a turma entra no entusiasmo das discussões, a concentração tem que ser redobrada. Uma nota alta no TOEFL ou IELTS é importante, mas não garante um desembaraço completo. Resultado: muito estudo e dedicação à língua para entrar no espírito do "g’day mate!"
A Austrália é cativante, unique. Um país sem frescuras, mas que valoriza resultados. Como gerente nacional de marketing da Indusfloor Austrália, obviamente tenho que mostrar serviço, mas vou trabalhar de short estilo surfista quando estou com vontade. Espero que essa coluna seja assim: relevante e divertida. Aussie way.

*G’day mate!: gíria comumente usada na Austrália que quer dizer algo como "bom dia, amigo!" (good morning, mate)